Por R$ 43.990, hatch aposta no seu lado racional e confiável, mesmo que isso signifique não ter nem rádio

Toyota Etios
Divulgação/Toyota
Toyota Etios

Quando a Toyota  criou o Etios , o pensamento estava voltado completamente para a Índia. Era para ser um carro barato e que agradasse o indiano médio. Por isso, quando a marca decidiu vender o hatchback e o sedã por aqui, recebeu duras críticas por não readaptar o veículo ao gosto brasileiro, mantendo o acabamento mais pobre e o polêmico painel de instrumentos central.

Só que agora é o momento de renovar, já que o Etios chegou à meia-idade. Tomaram a decisão de não mexer no design, para focar em resolver as outras críticas. Melhoraram o rendimento com o câmbio manual de seis marchas, disponibilizaram a transmissão automática de quatro velocidades, ajustaram a suspensão e a direção elétrica, e deixaram o painel central mais agradável, já que não poderia ser movido sem aumentar os custos.

O resultado é uma linha com um hatchback e um sedã que podem facilmente conquistar as pessoas mais racionais, que preferem ter um carro confiável e de bom desempenho, mesmo que seu visual não seja dos melhores. Ou seja, tinha tudo para conquistar uma boa fatia do mercado. Porém, ainda tropeçam em um quesito: preço.

A versão mais básica do Etios é a X, na carroceria hatchback, por R$ 43.990. Ou seja, está mais caro do que os R$ 39.190 do Chevrolet Onix , que os R$ 41.990 do Ford Ka ou os R$ 40.545 do Hyundai  HB20 , os três líderes do segmento. Entrega mais no quesito potência, já que parte do motor 1.3 flex, agora com 98 cv e 12,8 kgfm de torque. Vem com ar-condicionado, a excelente tela TFT no painel digital de instrumentos, travas, vidros e retrovisores elétricos, cinto de segurança de três pontos em todos os bancos, e ancoragem ISOFIX para cadeirinhas infantis. E um vão no painel, onde deveria estar o rádio, item que só aparece na versão XS, por R$ 48.995. É uma diferença muito grande para colocar apenas volante multifuncional, rádio, alarme, abertura elétrica do porta-malas e alguns detalhes cromados.


Acelerando o X 1.3

Entre em um Etios e comece a guiar, sem pensar no preço ou no design. É nesse momento que ele te conquista. O modelo anterior já contava com uma mecânica muito bem ajustada e a Toyota melhorou ainda mais. Os 8 cv a mais do motor 1.3 não parecem muita coisa, mas dão uma forcinha a mais nas ultrapassagens, mesmo fora da faixa dos 4.000 rpm para ter o torque máximo.

Fiz um trajeto saindo do Paradise Golf e Hotel, em Mogi das Cruzes (SP), seguindo até o posto Graal na Rodovia Ayrton Senna, próximo de Guararema, para depois voltar ao hotel. O percursso é muito mais estrada do que cidade, o que refletiu no consumo. Estava abastecido com etanol e o computador de bordo marcava 10,5 km/l, com ar-condicionado ligado o tempo todo e conduzindo de modo mais puxado. Está dentro do que a Toyota previu, de uma melhoria de 9%. Grande parte dessa melhoria está na adoção do câmbio manual de seis marchas, com a última funcionando como overdrive, reduzindo a rotação do motor.

Quem é da região conhece bem a estrada Mogi-Bertioga, por suas curvas sinuosas tanto no trecho de serra quanto na região do interior do estado. A estabilidade do Etios impressiona, cortando as curvas com facilidade e mantendo a carroceria no lugar, sem esforço algum. Isso não quer dizer que ele tem um desempenho mais esportivo. A direção elétrica não é progressiva, ou seja, ela é mole o tempo todo, embora bem ajustada e sem pontos mortos onde você vira o volante e a roda não se mexe. Na cidade, a suspensão continua firme, mas não o suficiente para que lombadas e buracos tornem-se um problema. Pelo contrário, o Etios roda de forma macia.

A cada 10 pessoas, 11 não gostam do painel central, e com motivo. É difícil dirigir e ficar prestando atenção onde está o indicador do velocímetro, tirando os olhos da direção reta. O novo painel digital de TFT resolve boa parte desse problema. O indicador de velocidade fica bem grande na parte esquerda, próxima do motorista, assim como o medidor de combustível. Na outra metade está a parte configurável, que pode mostrar o conta-giros, os dados de consumo de combustível ou as opções do sistema. Ficou muito mais fácil ler o painel assim. O ponto negativo na versão de entrada é que, para mudar a informação na tela, é necessário enfiar a mão e apertar um botão logo abaixo do painel, uma distração para o condutor.

Com tantas mudanças, o Etios melhorou muito. Ainda não é um carro premium, mas perdeu muito daquela cara de projeto emergente feito às pressas. É uma escolha racional, para uma pessoa que não se importa em pagar um pouco mais para ter um carro que vai rodar por muito tempo sem dar dor de cabeça - ou, pelo menos, algumas dores a menos que a concorrência. Pode te surpreender muito.

Ué, e o automático?

Como disse anteriormente, uma das principais novidades é a chegada do câmbio automático de quatro marchas. Não esquecemos dele, caro leitor (a). Demos prioridade para o test-drive rápido da versão básica, pois ficaremos com o Etios Sedan 1.5 XLS , com a transmissão automática. Assim poderemos fazer uma análise mais profunda sobre como se comporta com a velha caixa do Corolla , mas isso fica para semana que vem, não perca.

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