Mais estável e confortável, seus maiores inimigos são o motor antigo e o preço a partir de R$ 39.300

É possível apagar uma primeira impressão? A Fiat  espera que sim, ao apresentar o Mobi Way , a versão aventureira do subcompacto e que esperam ser responsável por, no mínimo, 35% das vendas. Exagero? Nem tanto. A marca diz que versões desse tipo correspondem entre 40 e 50% das vendas da maioria de sua linha (a única exceção é a Strada , com 35%).

Esse sucesso dos modelos Way foi a razão dita pela Fiat para fazer outro lançamento, dessa vez específico para a versão. No entanto, ficou a sensação de que querem mudar a primeira impressão que tivemos quando andamos pela primeira vez no Mobi , em abril: é um “Mini-Uno”, apelido usado amplamente por toda a mídia automotiva no Brasil. Tanto é que dedicaram parte da apresentação para explicar todas as diferenças do Mobi.

Não dá para negar que sim, ele é bem diferente no papel. São 14 kg a menos (966 kg no Mobi e 980 kg no Uno) e uma estrutura feita de forma diferente. Por exemplo ,utiliza uma tecnologia chamada tailored blank nas portas, em que peça é feita utilizando com uma chapa única cortada a laser, diminuindo a quantidade de pontos de solda. A Fiat diz que ele vai conseguir, no mínimo, três estrelas de cinco no teste do Latin NCAP – lembrando que a associação adotou critérios mais rígidos este ano.

Em relação ao próprio Mobi , a versão Way fica 15 milímetros mais alta em relação ao solo, chegando aos 171 mm. Com isso, o curso da suspensão teve que ser aumentado, instalaram uma barra estabilizadora de 188 mm e coxins hidráulicos na suspensão. Passou pelo mesmo tratamento que as outras versões Way, com barras longitudinais no teto, para-choques diferenciados e moldutas nas caixas das rodas.

O test-drive foi realizado no interior de São Paulo, atravessando as estradas de terra entre as fazendas na região de Itupeva. Era a forma da Fiat dizer: “ei, o Mobi Way não é um off-roader , mas isso não significa que não encare um pouco de terra”. Isso foi bem definido por Carlos Eugênio Dutra, diretor de produto da FCA , com a frase “[O Mobi] não precisa ser robusto, basta transmitir a sensação de robustez”.

Podem falar que não é um Mini-Uno , mas não dá para não fazer comparações ao entrar no carro. Boa parte do acabamento é o mesmo, assim como o volante. Viro a chave e ouço o mesmo som do 1.0 Fire de 75 cv e 9,5 kgfm de torque a 3.850 rpm. Se fechasse os olhos, diria que estava dentro do Uno . Mas não estou. O Mobi é bem menor e com espaço limitado para quem vai nos bancos traseiros.

Começo a guiar e, logo nas primeiras curvas, dá para notar algumas mudanças. O curso da alavanca de câmbio parece diferente, mais justo do que no modelo convencional. Isso é bom. E tem outra boa notícia: a barra estabilizadora acaba com inclinação da carroceria acima do normal que vimos no Mobi civil. Deveriam colocar isso em todas as versões, ao invés de querer que o para-choque faça esse trabalho.

Com o aumento da altura em relação ao solo, o Mobi Way ganhou um curso de suspensão maior. Na prática, só melhorou o conforto dentro do pequeno e não decepcionou em nenhum momento. Atravessei estradas de terra com tranquilidade, algumas até mais acidentadas que o normal e que mostravam que mais do que isso seria o limite. Afinal, não é um carro para fazer trilha ou atravessar lama.

Algumas coisas ainda incomodam. A central multimídia é do tamanho de uma tela de celular e só alguns itens podem ser controlados pelo volante multifuncional. Uma bola fora, considerando que é um carro para o público mais jovem que vive conectado de alguma forma. O computador de bordo, embora mostre muitas informações, passa uma sensação de que a tela saiu de uma calculadora. Há cinco anos atrás, poderiam até falar que o 1.0 Fire era uma boa ideia, mas é um motor defasado em relação ao resto do mercado. Segundo o teste do Inmetro, faz 8,4 km/l na cidade e 9,2 km/l na estrada com etanol, enquanto o cross up!, seu concorrente direto, faz 9,2 km/l na cidade e 10,4 km/l na estrada.

E aí que aparece um dos maiores problemas do Mobi. Na pressa para lançar o modelo, a Fiat deixou de fora os itens mais interessantes. O motor 1.0 GSE de três cilindros atrasou, vai estrear no Uno no segundo semestre. No Mobi, só em 2017 – embora a marca insista que, por enquanto, vai ficar só com o 1.0 Fire. Outro item atrasado foi o Live On , sistema que conecta o celular ao carro e o transforma em central multimídia e computador de bordo. Deveria sair agora em junho, mas tiveram um problema com a plataforma iOS e estão conversando com a Apple para resolver. A previsão é que seja lançado só em agosto.

Para quem faz questão de um Mobi , a versão Way é a definitiva, por ser mais bem equipado, confortável e com maior sensação de segurança. Seu maior inimigo é a etiqueta de preço: R$ 39.300 na versão Way e R$ 43.800 na versão Way On (a topo de linha). Claro, mesmo a Way On é mais em conta do que um Cross Up! de R$ 47.690, mas o compacto da Volkswagen traz itens como direção elétrica. Mesmo dentro da casa fica difícil justificar o Mobi . Afinal, por R$ 43.860, você pode comprar um Uno Evolution 1.4 e ter um carro um pouco maior, com motor mais potente e, acredite, mais eficiente – com etanol, faz 8,8 km/l na cidade e 10,1 km/l na estrada.

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