Apesar das melhorias da linha 2017 da picape, câmbio automático antiquado atrapalha o desempenho e o consumo, que fica acima do ideal

A expectativa era grande para a chegada da versão automática da picape Duster Oroch, afinal o modelo foi lançado há um ano e até agora não tinha opção de caixa automática. Chegou agora, junto com a linha 2017, que tem entre as principais novidades alguns ajustes para tentar reduzir o consumo de  combustível.

Entre as mudanças adotadas na Duster Oroch está a direção com assistência eletro-hidráulica, e o sistema ESM (Energy Smart System) de regeneração de energia. Durante a aceleração, o alternador não precisa “roubar” energia do motor para enviar à bateria, já que houve a carga na desaceleração.

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Pois bem, pelo o que notamos depois de rodar alguns dias com a Oroch automática, não foi por acaso que resolveram lançar a nova opção de transmissão com a linha 2017. Já deveriam saber que, com a caixa de apenas quatro marchas, o consumo iria aumentar e precisariam de mudanças para tentar compensar ao máximo o apetite extra por combustível. 

Na prática, pouco adiantou. A Oroch automática gasta mais do que pode-se considerar razoável para um carro de porte médio  (são 4,7 metros, por 1,82 m de largura, 1,69 m de altura e 1.360 kg de peso). Com apenas etanol do tanque, pelos números do Inmetro, o carro faz 5,9 km/l na cidade e 7,6 km/l na estrada. Mas, pelo computador de bordo, com o ar-condicionado ligado a maior parte de tempo, no anda e para do trânsito e algumas subidas, o consumo ficou em nada animadores 4,5 km/l em trecho urbano. Não é para menos, o câmbio é o bem conhecido AL4, que chegou a ser usado na minivan Scénic , no início da década passada, mas com algumas alterações.

Apenas a alavanca do câmbio da picape Duster Oroch é nova. A caixa é derivada da antiquada AL4, que equipou a minivan Scénic
Divulgação
Apenas a alavanca do câmbio da picape Duster Oroch é nova. A caixa é derivada da antiquada AL4, que equipou a minivan Scénic

De qualquer forma, o câmbio, se mostrou indeciso nas trocas, segurando marcha mais do que deveria (o que sobe as rotações, aumentando o consumo) tanto nas subidas quando nas descidas, liberando a troca de repente, exigindo pisar no freio com boa dose de força, dependendo da circunstância.

O jeito é dirigir com o máximo de calma, pisando de leve no acelerador, para que as marchas sejam trocadas o mais breve possível, reduzindo a rotação, o que, consequentemente, também reduz o consumo. Entretanto, fizeram um bom trabalho quando o asunto é isolamento acústico e ajuste da suspensão. Mesmo se o ponteiro do conta-giros insistir em se manter acima de 3.000 rpm a maior parte do tempo, o nível de ruído se mantém em patamares civilizados.

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Mas a principal qualidade da Oroch é mesmo a suspensão. Seja por absorver as irregularidades do piso e enfrentar com valentia os obstáculos pelo caminho (como valetas e lombadas), como também por manter o carro estável nas curvas. Aliás, não apenas o ajuste é bom como também a geometria, já que o eixo traseiro é multibraço, o que transmite segurança em qualquer situação. Nem parece que você está dirigindo uma picape. Apesar disso, não há controles de estabilidade e tração nem como opcional.

O que também ajuda é o conjunto de pneus Michelin LTX Force , fabricados para equipar primeiro a Oroch. Se dão bem tanto no asfalto quanto nos trechos de terra e ajudam nas frenagens no molhado, como cheguei a comprovar no lançamento do pneu na Argentina, em pista fechada.

Ok, a direção com assistência eletro-hidráulica ficou melhor que apenas hidráulica dos primeiros Duster, o que ajuda nas manobras de estacionamento. Mas ainda não é o ideal. Isso porque poderia ser um pouco mais leve com o carro mais baixa velocidade e ter mais precisão nas mais altas.

Interior e nível de equipamentos de série

Indo para as partes do conforto e ergonomia, a Oroch é bem parecida com o Duster. Há boa dose de espaço interno. Portanto, cinco ocupantes viajam sem aperto. E a caçamba leva 683 litros de bagagem, embora precise de um extensor se for levar uma moto. No caso das bicicletas, é preciso retirar a roda dianteira.

A ergonomia da Duster Oroch não é das melhores, mas há que se reconhecer que, pelo menos, o comando dos retrovisores está bem localizado, na porta do motorista e não próximo da alavanca do freio de estacionamento, como nos primeiros Duster.  Bom é que a lista de equipamentos de série da versão automática é bem completo.

O pacote completo inclui central multimídia com GPS embutido, ar-condicionado, som com os principais comandos próximos do volante, bancos revestidos de couro, controlador de velocidade de cruzeiro (“piloto automático”), vidros elétricos, rodas de liga-leve de aro 16 com pintura escurecida, entre outros itens.

Apesar de oferecer o conforto de não precisar ficar trocando de marcha no dia a dia, a Duster Oroch automática vem com um câmbio antiquado, que acaba prejudicando o desempenho e o consumo do carro. Se salva pela suspensão bem acertada e pela robustez do conjunto, mas isso as versões 1.6, com caixa manual, de cinco marchas, também tem e são bem mais em conta, já que partem de R$ 67.400, ante os R$ 77.900 da 2.0 automática.

Ficha Técnica

Preço: R$ 67.400 (básica, 1.6) e R$ 77.900 (2.0, automática)

Motor: 2.0, quatro cilindros, flex

Potência: 148 cv a 5.750 rpm

Torque: 20,9 kgfm a  4.000 rpm

Transmissão:  Automático, quatro marchas, tração dianteira

Suspensão:Independente (dianteira) / multibraço (traseira)

Freios: Discos ventilados na dianteira e tambores na traseira

Pneus: 215/65 R16

Dimensões: 4,69 m (comprimento) / 1,82 m (largura) / 1,70 m (altura), 2,83 m (entre-eixos)

Tanque : 50 litros

Consumo: 8 km/l (cidade) /10 km/l (estrada) com gasolina

0 a 100 km/h: 11 segundos 

Vel. Max: 176 km/h   


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