Por R$ 53.005, preço não justifica fôlego extra do turbo. Confira nossa avaliação do hatch compacto com motor 1.0, sobrealimentado, de 105 cv

O Hyundai HB20 1.0 Turbo bebe mais do que o 1.0 aspirado e custa só R$ 2.550 a menos do que o 1.6 que anda melhor e bebe quase o mesmo.
Divulgação/Hyundai Motor Brasil
O Hyundai HB20 1.0 Turbo bebe mais do que o 1.0 aspirado e custa só R$ 2.550 a menos do que o 1.6 que anda melhor e bebe quase o mesmo.

Não é sem motivo que o Hyundai HB20 é o segundo carro mais vendido do Brasil. Desde que foi lançado, em 2012, foi conquistando seu espaço, ganhando mais ritmo desde que os preços subiram a ponto de não existir mais um carro abaixo de R$ 30 mil. Completaram a gama com a chegada das versões com motor 1.0 turbo, a partir de R$ 48.855, oferecida como uma opção intermediária, abaixo dos modelos de motor 1.6.  Então, vale a pena investir tanto no hatch turbinado?

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Antes de falar sobre o desempenho, vamos deixar algo bem claro: Esse motor foi desenvolvido pensando em consumo, não em esportividade. É o mesmo 1.0 Kapp a, com três cilindros, utilizado nas versões mais baratas do Hyundai HB20 . Com o turbocompressor, ganha 25 cv, gerando 105 cv a 6.000 rpm e 15 kgfm de torque a 4.500 rpm, com etanol. É oferecido apenas com câmbio manual de seis marchas.

Lado a lado com o HB20 1.0 aspirado, o turbo é bem melhor dinamicamente.  Mas leva um tempo para a turbina encher (o que acontece em 1.550 rotações) e, quando isso acontece, o hatchback fica muito divertido. Se mantiver o carro sempre na faixa de 2.000 rpm, consegue-se bons valores de economia sem comprometer o desempenho. O motor começa a pedir mais marchas, até chegar na sexta, que funciona como sobremarcha na estrada.

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E quanto ao consumo? Bem, esse é o problema. Segundo os dados oficiais do Inmetro, o HB20 1.0 aspirado faz 9,1 km/l no rendimento combinado de estrada/cidade, com etanol, e 13,2 km/l com gasolina. Com o motor 1.0 turbo, a média caiu para 8,9 km/l se abastecido com etanol e 12,7 km/l quando usa gasolina. Isso considerando que a versão aspirada tem câmbio manual de cinco marchas.

Isso piora quando consideramos que as versões equipadas com o motor 1.6, de 128 cv e 16,5 kgfm, com etanol. O 1.0 turbo é mais lento e não é muito mais econômico, pois o 1.6 tem um rendimento de 8,8 km/l com etanol e 12,5 km/l com gasolina – uma diferença de apenas 0,1 km/l e 0,2 km/l, respectivamente. Ambos usam  câmbio manual de seis marchas, só que o 1.6 pode ser equipado com o automático, também de seis.

Briga interna

Outro fator que joga contra o HB20 1.0 turbo é o preço. A versão básica Comfort Plus tem valor tabelado em R$ 48.855, enquanto a Comfort Style (modelo avaliado) custa R$ 53.005. É um preço consideravelmente alto para um carro intermediário e pior ainda quando olhamos para o modelo 1.6. As configurações equivalentes com o motor mais potente custam R$ 2.550 a mais, uma diferença muito baixa.

Todos esses fatores fazem com que o Hyundai HB20 Turbo seja um modelo que não faz muito sentido. Os equipamentos são os mesmos, com a versão Comfort Style trazendo ar-condicionado, banco do motorista com regulagem de altura, computador de bordo, rádio com Bluetooth e MP3, travas e vidros elétricos nas quatro portas, rodas de liga leve 15” e retrovisores externos com ajuste elétrico. Se pagar um pouco mais pela 1.6, terá o mesmos equipamentos.

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Para piorar, alguns opcionais só estão disponíveis para a versão 1.6, como  câmbio automático. Nada de central multimídia, que só está disponível a versão topo de linha por R$ 66.745. Ou seja, não podemos pegar o 1.0 turbo e deixa-lo mais equipado, decisão que obriga o cliente a escolher pelo 1.6 se quiser um modelo mais completo. Uma decisão muito estranha da Hyundai, que parece ter lançado o turbo apenas para cumprir as metas de melhoria de rendimento energético do programa Inovar-Auto.

O Hyundai HB20 tem um belo design, apreciado por muitos, desvaloriza pouco e tem um acabamento agradável. Tem um dos melhores comportamentos dinâmicos entre os hatchbacks pequenos do Brasil, aleem de ser bem estável e confortável. O motor 1.0 vibra um pouco demais, culpa dos três cilindros, trepidando ainda mais no turbo. Compensa pelo belo ronco que empolga nas acelerações. Caso apareça em uma promoção, pode ser uma boa compra pelo desempenho. Porém, fica difícil não olhar com mais carinho para o HB20 1.6 . Mais rápido, com rendimento bem próximo e mais torque, é uma escolha bem mais racional.

Ficha Técnica

Preço: R$ 48.855 a R$ 53.005

Motor: 1.0, 16V,  três cilindros, turbo

Potência: 98 cv (gasolina)/105 cv (etanol) a 6.000 rpm

Torque: 13,8 kgfm (G)/ 15 kgfm (E) a 1.550 rpm

Transmissão: Manual, seis marchas, tração dianteira

Suspensão: McPherson (dianteira) / Eixo de torção (traseira)

Freios: Discos ventilados (dianteiros) / tambores (traseiros)

Pneus e rodas: 185/60 R15

Dimensões: 3,92 m (comprimento) / 1,68 m (largura) / 1,47 m (altura), 2,50 m (entre-eixos)

Porta-malas : 300 litros

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