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Evento reúne máquinas de mais de R$ 1 milhão e ronco que abala as estruturas de palcos como a Arena Corinthians

Não é preciso comentar muita coisa sobre os gigantes sobre rodas dss caminhonetes monstro após ver imagens como essa...
Guilherme Menezes/iG
Não é preciso comentar muita coisa sobre os gigantes sobre rodas dss caminhonetes monstro após ver imagens como essa...

A Arena Corinthians precisará de cuidados para voltar a ser o que era após ter servido de palco para a batalha das caminhonetes monstro, que trouxe verdadeiros monstros sobre rodas. Se os carros são superlativos, a animação dos adultos e crianças que assistiram à 2ª edição do evento neste sábado era tão exagerada quanto. Antes do show, no Pit Party, o momento era de muitas expectativas, pois em um grande pátio estavam todos os Monster Trucks para que o público — enquanto compravam alimentos nos food trucks — visse as oito gigantescas picapes e pilotos de perto e imaginasse o  que estaria por vir.

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As caminhonetes monstro vibravam a Arena Corinthians durante as acelerações, ao ponto de doer os ouvidos de quem estava mais perto da pista nos momentos em que passavam perto do público. Com um pequeno intervalo no meio do espetáculo, os competidores passaram por quatro desafios, que conforme a avaliação do público através da página do Monster Jam, iam somando pontos para o campeonato. O primeiro foi a tradicional corrida eliminatória “mano a mano”, onde de dois em dois, num circuito oval, cada carro largava em uma das metades da arena. Quem cruzasse a linha de chegada primeiro, venceria a prova.

As outras três modalidades foram de exibição. A primeira consistia em executar manobras sobre duas rodas, entre elas a empinada de frente, a empinada de ré, a bananeira, a parada no ar e andar sobre as duas rodas laterais. A segunda foi provar quem fazia o zerinho (cavalo de pau) mais bonito. E a terceira modalidade — e última do dia — foi a mais interessante, uma vez que cada um dos competidores faria o que quisesse, com o objetivo de impressionar o público com o que sabiam fazer de melhor.

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Todos saltavam, amassavam carros, faziam zerinhos, drifts, e no caso do Stevens Sims, piloto da Monster Energy, capotamentos — capotou em todas as modalidades. Mesmo que o competidor tenha sido um destaque à parte, cada uma das equipes projetou os seus carros para ter personalidade. Adesivos, espinhos, rosto e braços de zumbi, carcaça de tubarão, cachorro e touro esboçavam a insanidade. Apesar da única mulher na arena, Candice Jolly, ter feito um trabalho impressionante com o seu “Dálmata Monstro”, o grande vencedor do dia foi o único estrangeiro entre os pilotos norte-americanos: o mexicano Armando Castro com o seu El Toro Loco.

Entrevista com piloto

Piloto na Monster Jam desde 2005, Chuck Werner diz que ama qualquer coisa com motor, ou o que seja rápido ou grande
Divulgação
Piloto na Monster Jam desde 2005, Chuck Werner diz que ama qualquer coisa com motor, ou o que seja rápido ou grande

Trocamos uma ideia com Chuck Werner (Max D) para saber um pouco mais sobre as suas impressões e descobrir mais detalhes dos Big Foot. Como é pilotar, os comandos, as suas especificações técnicas, custos das peças e outros detalhes.

Chuck, como você compara uma prova como essa do Brasil com as dos Estados Unidos?

"Nos Estados Unidos as arenas costumam ter mais rampas e mais obstáculos, porque muitas delas são maiores que a do Brasil (Arena Corinthians). Ao mesmo tempo, os obstáculos aqui são mais simples,  mas impõem mais dificuldade no sentido de que é preciso muita habilidade para fazer render, ou seja, para executarmos bem as manobras. Além de que a cautela tem que ser redobrada também".

Fale um pouco como é estar dentro dessa picape giante. É difícil de se orientar?

"Cada carro é projetado em função do piloto. A cabine, o banco, a distância do volante e dos pedais, tudo. Mesmo para nós não é algo muito confortável, pois não tem muita refrigeração e em dias quentes como o que está fazendo, totalmente envoltos por equipamentos de corrida, passamos um pouco de calor. Quanto à nos orientarmos ao dirigir, a cabine é praticamente transparente para justamente auxiliar nisso. Se o carro está rente ao solo, nós guiamos normalmente, mas se estamos voando ou se a dianteira está inclinada por conta das acelerações, conseguimos enxergar o que está adiante apenas pela parte de baixo do interior".

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E quanto à mecânica? É caro de montar e de manter? Além disso, conte um pouco mais sobre os detalhes técnicos.

"Os carros usam um motor V8 de bloco grande com 8,8 litros e compressor mecânico (supercharger), que produz um total de 1.500 cv. É uma potência incrível, mas não usamos muito mais que apenas 10% do supercompressor. O consumo de combustível é calculado por minuto de prova, são 15 litros por minuto. Além disso, o truck mede mais de 3 metros de altura, pesa 5,4 toneladas e apenas cada roda com pneu pesa 636 kg, o que é responsável por esmagar os carros com facilidade. Para ajudar na dirigibilidade e no comportamento do carro, usamos um câmbio automático de duas marchas, mas controlamos o esterçamento das rodas dianteiras e traseiras separadamente — enquanto a primeira é pelo volante, a segunda é guiada por um joystick".

"Outro comando é a carga dos amortecedores, com curso de 66 cm na dianteira e 76 cm na traseira. Se estamos na prova de corrida, amolecemos a suspensão, enquanto que para as provas com saltos a deixamos mais rígida. Isso porque para fazer as curvas o carro precisa torcer (para ganhar equilíbrio e otimizar o centro de gravidade), e quando saltamos alturas que ultrapassam os 40 pés (12 metros), precisamos dar bastante carga nos amortecedores, para aguentar o tranco".

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"Falando agora de custos. Tanto o supercharger quanto uma unidade do pneu saem por U$ 4 mil (R$ 15.600) cada. O motor completo gira em torno dos U$ 40 mil (R$ 156 mil), porque se somarmos o valor do motor mais o chassi e todos os componentes, mas sem a bolha e os pneus, estamos falando de U$ 250 mil (R$ 975 mil). A bolha sozinha custa U$ 20 mil (R$ 78.000). Pode parecer brincadeira, por que o carro é um dos mais robustos do mundo, mas gastamos uma fortuna em manutenção. A cada fim de prova o carro vai para a revisão, e como tudo nele é um absurdo, até a troca de óleo é cara para os padrões mais normais, pois são 11 litros de óleo por prova".

O evento das caminhonetes monstro é a cultura norte-americana nua e crua, mas que por onde passa exalta os ânimos da platéia e dos apaixonados por gasolina. Ocorre uma vez por ano no Brasil e cada vez mais atrai diversos visitantes. Veja os preços a seguir: Norte (Arquibancada) - R$ 80 (inteira) ou R$ 40 (meia); Pit Party - R$ 90 (inteira) ou R$ 45 (meia); Sul KM de Vantagens - R$ 126 (inteira) ou R$ 63 (meia); Leste Superior - R$ 180 (inteira) ou R$ 90 (meia); Oeste Superior - R$ 200 (inteira) ou R$ 100 (meia); Leste Inferior - R$ 250 (inteira) ou R$ 125 (meia); Oeste Inferior - R$ 270 (inteira) ou R$ 135  (meia); Oeste Business Lounge - R$ 350 (inteira) ou R$ 175 (meia); Camarote - R$ 500.


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