
A Honda iniciou na quinta-feira (27), em Brasília, os testes do CR-V e:FCEV movido a hidrogênio verde, usando o primeiro posto experimental do país desenvolvido pela Neoenergia.
A avaliação busca medir desempenho, autonomia e viabilidade técnica da tecnologia em aplicações urbanas e comerciais.
O posto integra um projeto de P&D regulado pela Aneel, que soma mais de R$ 30 milhões em investimentos e será inaugurado em dezembro deste ano.
O período de testes com o SUV será de seis meses e fará parte da análise de custo, infraestrutura e segurança do abastecimento.
Como funcionam os testes
O modelo escolhido para a fase inicial é o Honda CR-V e:FCEV, um SUV híbrido plug-in equipado com célula de combustível.
No sistema, o hidrogênio armazenado reage com o oxigênio do ar para gerar eletricidade, que alimenta a bateria e o motor do veículo. A emissão é apenas vapor d’água.
Os testes em Brasília vão avaliar autonomia real, variação de consumo em ciclos urbanos e comportamento do conjunto motriz em temperaturas típicas do Centro-Oeste.
A Honda também deve monitorar desgaste de componentes, tempo de abastecimento e eventuais ajustes operacionais.
A Neoenergia ficará responsável pela operação e segurança do posto experimental, que utilizará hidrogênio produzido por eletrólise com energia renovável.
O objetivo é padronizar protocolos de abastecimento e identificar gargalos técnicos antes de qualquer avanço de escala.
O papel da Neoenergia no projeto
A estação integra o Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) regulado pela Aneel, que destina mais de R$ 30 milhões ao projeto.
A Neoenergia coordena o desenho da planta, opera os sistemas de produção de H₂V e conduz estudos sobre custo por quilograma e eficiência energética.
A participação da Honda foi adicionada para ampliar o "escopo" automotivo da pesquisa, o que permite validar o uso do hidrogênio verde em veículos leves, algo ainda inédito no país.
O posto deve simular operações de rotina, como abastecimento diário, checagem de pureza do gás e regime de pressão.
A perspectiva é que os relatórios gerados ao fim da fase experimental ajudem a definir padrões tecnológicos, regulatórios e de segurança para projetos futuros, inclusive em frotas comerciais.
Por que isso importa para o setor automotivo
No Brasil, o hidrogênio verde é considerado alternativa complementar à eletrificação convencional, especialmente para aplicações que exigem autonomia elevada e reabastecimento rápido.
Hoje, a rota de células de combustível ainda enfrenta custos altos, pouca infraestrutura e desafios logísticos.
O projeto da Honda e da Neoenergia oferece a primeira oportunidade de observar o comportamento de um FCEV em ambiente real de abastecimento no país, o que pode influenciar estratégias de longo prazo das montadoras.
Testes desse tipo permitem comparar custos de operação com os de veículos elétricos a bateria.
Além disso, governos e empresas discutem a construção de um marco regulatório para o hidrogênio, e experiências práticas são consideradas essenciais para embasar decisões sobre incentivos, normas técnicas e segurança.
Os resultados também podem ser um "norte" frotistas urbanos que buscam reduzir emissões.