
Um método patenteado na Alemanha propõe transformar a carroceria de veículos em superfícies ativamente mutáveis, capazes de trocar de cor em tempo real com base em imagens captadas por câmeras.
O sistema usa um filme eletrônico aplicado à lataria e controlado por software, o que permite que o carro “imite” tons do ambiente, da roupa do motorista ou de imagens escolhidas no celular.
A tecnologia combina revestimento opticamente variável, sensores de imagem e uma unidade de controle eletrônico.
A mudança de cor ocorre de forma reversível e automática, sem troca física de pintura, abrindo caminho para novos usos em personalização, segurança e design automotivo.
Como funciona o “efeito camaleão”
O princípio central do sistema está em um filme eletrônico aplicado sobre a superfície externa do veículo.

Esse revestimento contém microcápsulas com partículas de cores diferentes, cuja posição interna pode ser alterada por campos elétricos controlados por eletrodos.
Ao receber um valor de cor como entrada, a unidade de controle ajusta o campo elétrico do filme, ao reorganizar as partículas e alterar a cor percebida externamente.
O processo é semelhante ao funcionamento de telas de papel eletrônico, mas adaptado para grandes superfícies automotivas.
Segundo a descrição técnica, o sistema consome energia apenas no momento da transição de cor.
Uma vez definida a tonalidade, o revestimento mantém o estado com gasto mínimo, característica relevante para aplicação em veículos.
O elemento mais inusitado do método está na origem da cor aplicada ao carro.
O valor cromático pode ser obtido a partir de uma câmera sensível à cor, que pode estar integrada ao próprio veículo ou a um dispositivo móvel, como um smartphone.
Na prática, o usuário aponta a câmera para um objeto, roupa ou ambiente, seleciona um ponto da imagem por meio de uma função tipo “conta-gotas” e envia esse valor de cor à central eletrônica do veículo. Em segundos, a carroceria assume o tom correspondente.
Em uma das aplicações descritas, a câmera interna do carro pode capturar a imagem do motorista e ajustar automaticamente a cor externa do veículo para combinar com a roupa utilizada, criando uma personalização dinâmica e contínua.
Captura e substituição da tinta
A comunicação entre o dispositivo móvel e o carro ocorre por conexão sem fio, como Bluetooth ou Wi-Fi.
O sistema foi projetado para funcionar com tecnologias já comuns em veículos conectados, sem exigir infraestrutura externa complexa.
Essa arquitetura permite que o controle da cor seja feito por aplicativo, com potencial para criação de perfis de usuário, rotinas automáticas ou ajustes condicionados a horário, local ou contexto de uso.
Diferentemente de pinturas tradicionais ou envelopamentos estáticos, o revestimento proposto é um filme eletrônico removível e substituível.
A escolha reduz custos de aplicação, facilita manutenção e aumenta as possibilidades de atualização tecnológica ao longo da vida útil do veículo.
A patente também prevê, como alternativa, o uso de camadas de verniz ativo, mas aponta o filme como solução preferencial pela flexibilidade industrial e operacional.
Embora o apelo visual seja evidente, o sistema abre espaço para usos funcionais. A mudança de cor pode servir como sinalização em situações específicas, adaptação a condições climáticas ou reforço de visibilidade.
Em tese, também pode ser integrada a sistemas de segurança ou identificação veicular temporária.
A tecnologia ainda está descrita em nível de patente, sem anúncio de produção comercial ou cronograma de lançamento.
Mesmo assim, o conceito indica um movimento claro da indústria em direção a carrocerias inteligentes, tratadas não mais como superfícies passivas, mas como interfaces digitais.
Ao transformar a lataria em uma espécie de “tela viva”, o carro camaleão deixa de ter cor fixa e passa a responder ao ambiente, ao usuário e aos dados, um salto simbólico na forma como veículos se apresentam no espaço urbano.