Janeiro pode ser um bom mês para comprar carros; entenda

IPVA, seguro e taxas elevam o custo no início do ano, mas estoque parado, feirões e bônus comerciais ampliam espaço para negociar e economizar

Loja de carros
Foto: Pixel-Shot/Adobe Stock
Loja de carros

Janeiro costuma ser visto como um mês ingrato para quem pensa em trocar de carro. IPVA, seguro, licenciamento e outras despesas típicas do começo do ano afastam compradores das lojas e reduzem o movimento nas concessionárias. Esse cenário, no entanto, pode jogar a favor de quem chega disposto a negociar.

No Brasil, janeiro dificilmente é o mês dos preços mais baixos, mas costuma ser um período em que o custo total da compra pode ser reduzido por meio de condições comerciais mais flexíveis.

Preço anunciado não reflete o custo real

Um carro anunciado por R$ 100 mil raramente custa apenas isso ao sair da loja. Em estados onde o IPVA gira em torno de 4%, o imposto pode chegar a R$ 4 mil logo no início do ano. Somam-se a isso despesas como emplacamento, licenciamento e taxas administrativas, que ultrapassam facilmente R$ 1.500.

O seguro, dependendo do perfil do motorista e da região, pode variar entre R$ 3 mil e R$ 6 mil no primeiro ano. Na prática, o custo inicial de um carro de R$ 100 mil pode passar dos R$ 110 mil antes mesmo de rodar os primeiros quilômetros.

Isenção indireta vira vantagem na negociação

É justamente nesse ponto que janeiro se diferencia. Para girar estoque em um mês tradicionalmente fraco de vendas, muitas concessionárias oferecem IPVA e documentação como parte do negócio. O valor do carro permanece o mesmo, mas o custo total inicial cai de forma relevante.

Quando a loja assume o imposto e as taxas, a economia imediata pode partir dos  R$ 5 mil ou R$ 6 mil.

Estoque parado muda o discurso comercial

Outro fator típico de janeiro são os pátios cheios. Concessionárias entram no ano com carros do ano-modelo anterior e versões que tiveram menor saída ao longo do calendário passado. Esses veículos passam a ser tratados como estoque que precisa rodar.

Isso não significa liquidação generalizada, mas abre espaço para bônus não anunciados, como acessórios incluídos, melhor valorização do usado na troca ou condições especiais de financiamento.

Feirões aparecem em momentos estratégicos

O início do ano também costuma anteceder grandes feirões promovidos por montadoras e redes de concessionárias. Esses eventos geralmente ocorrem em períodos de menor procura ou próximos a mudanças de portfólio, como atualizações de linha ou chegada de novos modelos.

Nesses casos, os descontos tendem a ser mais diretos, com abatimento real no preço final, além de condições diferenciadas de pagamento. Não são regra, mas fazem parte do calendário do setor e costumam surgir quando o mercado precisa reagir.


Seminovos exigem atenção redobrada

No mercado de seminovos, janeiro pode ser ainda mais favorável à negociação. Lojas buscam fazer caixa no começo do ano e, muitas vezes, aceitam margens menores para girar estoque. O comprador, por outro lado, precisa redobrar os cuidados.

Levar um mecânico de confiança para avaliar o carro continua sendo uma das medidas mais seguras. Mesmo quando a loja oferece laudo cautelar, uma inspeção independente ajuda a evitar surpresas. Existem empresas especializadas em avaliação pré-compra que analisam estrutura, histórico de sinistros, funcionamento mecânico, eletrônica e situação documental do veículo.

O custo desse serviço é pequeno diante do risco de assumir um problema oculto.