Restauração: como carros antigos voltam a ser clássicos

Ter atenção aos detalhes é essencial para recuperar modelos históricos e preservar, ou até valorizar, seu valor monetário ao longo dos anos

Ford F-100 restaurada
Foto: Reprodução/Paulo Meneguelli Jr
Ford F-100 restaurada

Um hobbie entre os amantes de carros, que recupera a nostalgia e dá valor a raridades já esquecidas com o tempo, pode até ser difícil de exercer, mas o resultado final vale a pena. A restauração de veículos antigos vai muito além do visual, e seu principal desafio é tentar preservar ao máximo as características originais do modelo .

Reformar um carro antigo pode levar meses ou até anos dependendo do seu estado de conservação, da disponibilidade de peças e do nível de originalidade desejado pelo proprietário. Reproduzir fielmente um veículo pode exigir até a importação de equipamentos ou fabricação artesanal de alguns itens .

A visão de um colecionador

Paulo Meneguelli Jr é advogado e contador, mas principalmente, um admirador nato de carros de colecionador. Ele conta que já teve diversas experiências nesse universo e que, desde criança, seu sonho era ter uma caminhonete antiga. Para ele, o primeiro passo a ser seguido para começar a restaurar antiguidades é se programar corretamente .

“Tudo começa com o sonho. Você tem que ter um projeto, escolher um carro, começar a correr atrás das peças, de pessoas qualificadas para fazer cada qual a sua parte, mecânica e suspensão. Depois, vem toda a preparação da lataria, lanternagem, pintura.”
Paulo Meneguelli Jr, advogado e contador


Além disso, o advogado explica que o que deve ser observado principalmente são os custos que a restauração pode ter, podendo apresentar valores elevados . Ele expressa que é importante saber se a pessoa realmente terá condições para terminar o projeto “A restauração não é o fim, o importante é o caminho para você chegar até o carro pronto. Você conhece pessoas, você mexe, se envolve, é uma higiene mental” acrescenta Paulo.

O contador pontua que o valor final varia de acordo com o modelo, como por exemplo, sua caminhonete Ford F-100 . Por ser um exemplar da década de 50, ele explica que as peças acabam sendo a parte mais difícil de encontrar e normalmente apresentam um valor muito mais elevado pela sua raridade.

Primeira versão da Ford F-100 restaurada
Foto: Reprodução/Paulo Meneguelli Jr
Primeira versão da Ford F-100 restaurada










Dicas profissionais 

Eduardo Lorencine e Denis Ribeiro, pai e filho que trabalham na área de mecânica automotiva, também se dedicam a renovação de modelos antigos. Os profissionais explicam que, primeiramente, costumam analisar os pedidos do cliente para o projeto do veículo e a estrutura do carro, garantindo se há a possibilidade de fazer a restauração.

Além disso, de acordo com os reparadores, o processo ao todo pode levar em torno de 6 meses a 2 anos, dependendo das condições do automóvel e do projeto que será realizado. Ao serem questionados de como decidem o que será preservado no veículo, Eduardo e Denis esclarecem que tentam manter ao máximo a originalidade do exemplar .

“É um processo curioso, porque alguns preferem deixar o mais fiel possível, outros querem modificar muito, e outros querem ter a cara do antigo, mas não querem perder o conforto de um carro novo, então fica a escolha do cliente. Costumamos sempre priorizar não mexer muito na estética.”
Eduardo Lorencine, mecânico automotivo


Eles ainda opinam que, para que o carro não fique muito descaracterizado, é possível mexer na parte mecânica, de forma que o modelo fique mais seguro e confortável na direção, e em detalhes externos e internos conforme o ano do modelo. “Sempre acho válido quando o cliente quer modernizar o carro para ter um maior conforto dos atuais, mas coisas que descaracterizam a aparência eu não sou muito a favor” explica o mais novo.

Para os recém chegados nesse hobbie, os mecânicos recomendam que o proprietário tenha paciência, já que o processo pode demorar para ser executado, afinal, boas condições financeiras não garantem mais agilidade no progresso.

Por fim, acrescentam que a evolução deve ser valorizada e considerada uma etapa divertida, e que o passo a passo pode trazer muito mais ensinamentos a respeito de um projeto antigo do que o resultado final.

*Estagiária sob supervisão