
No competitivo mercado automotivo nacional, onde os SUVs e eletrificados, definitivamente, vão dando as cartas, a vida dos modelos hatchback não está muito fácil. Pior ainda para modelos que carregam consigo uma imagem ofuscada em outros tempos, como é o caso do Peugeot 208, que ganhou fama, entre outros, pelo alto custo de manutenção (o que já não se justifica). Agora, mesmo alinhado com a moderna versão vendida na Europa e até com oferta de uma versão híbrida, o modelo francês, segue na condição de coadjuvante no Brasil

Comercializado em quatro versões, o grande destaque da linha atual é a versão topo de gama GT Hybrid, que introduziu a propulsão híbrida leve (MHEV) ao segmento de entrada. Esse conjunto reúne o motor T200 — um 1.0 turbo flex de três cilindros com 130 cavalos de potência — mais um pequeno motor elétrico de 3 kW que exerce as funções de gerador, alternador e motor de arranque. O sistema conta com duas baterias, sendo uma de chumbo-ácido e outra de íon de lítio, gerenciadas por um módulo que define a atuação de cada uma conforme a necessidade. Importante lembrar aqui que o motor elétrico não traciona as rodas diretamente, mas sua função é aliviar o trabalho do propulsor a combustão para reduzir emissões e o consumo de combustível.

Além das características positivas que citei até aqui, o Peugeot 208 tem reconhecimento também pelo padrão de acabamento interno, bem melhor que a maioria dos seus concorrentes, oferece o conjunto i-Cockpit, com volante pequeno e posicionado abaixo do painel de instrumentos, teto solar panorâmico, painel digital 3D, central multimídia de 10,3 polegadas e o pacote de segurança ADAS completo. Sofre ainda, é verdade, com o espaço reduzido para quem se senta atrás e o porta-malas de 265 litros de capacidade, abaixo da média da categoria. Mas esses pontos, certamente, não seriam motivo para tirar o brilho do 208.

Líder na Argentina, injustiçado no Brasil
Em 2025, acompanhando o bom movimento do mercado nacional e as novidades da nova linha, o 208 até que foi bem, fechando o ano com quase 10 mil unidades vendidas. Um número positivo, ainda que muito distante dos líderes do segmento - que ultrapassaram as 100 mil unidades emplacadas – mas bem melhor do que vem acontecendo agora em 2026. De janeiro a março, a Peugeot emplacou apenas 1.643 unidades do seu moderno 208 (volume praticamente 40% menor).

Um cenário na projeção anual pouco animador para um carro deste segmento. E olha que a tabela de preços é competitiva – com valores entre R$ 107 mil e R$ 139 mil – e a marca ainda tem promovido ações com oferta de bônus especiais, movimentos que o colocam frente a frente, por exemplo, com SUVs de entrada (menos equipados). Um contraste radical quando comparado com a Argentina - onde o 208 é produzido e pode ser considerado um fenômeno, pois lidera o mercado com folga.
Peugeot 208 2026
Style 1.0 Flex: R$ 106.990,00
Active Turbo: R$ 115.550,00
Allure Turbo: R$ 126.990,00
GT Hybrid: R$ 138.990,00