
As portas da esportividade
Novo BMW M235 é rápido e tem câmbio e suspensão melhores, mas peca no preço
por Marcelo Palomino
Autocosmos.com/Chile
Exclusivo no Brasil para Auto Press
O BMW Série 2 Gran Coupé M235 xDrive tem um nome comprido e uma função bem específica: ser o ingresso para o aclamado universo de sedãs esportivos da marca bávara. Na prática, é um esportivo compacto com quatro portas, tração integral e 317 cv de potência, mas com um preço capaz de tirar o entusiasmo dos interessados: R$ 485.950.
Ainda mais porque o M235 é construído sobre a plataforma UKL, originalmente de tração dianteira, a mesma usada pela Série 1 e pelo Mini Countryman. Isso confere ao modelo proporções menos clássicas, com um balanço dianteiro exagerado e uma dianteira volumosa demais, mesmo que tenha dimensões avantajadas para o segmento, com 4,53 m de comprimento, 1,80 m de largura e apenas 1,42 m de altura, com 2,67 m entre os eixos, com uma silhueta claramente cupê com teto largo e traseira curta.

Como um bom modelo M Performance, a estética é reforçada pelo pacote M Sport, que inclui rodas de aro 19 aro com pneus de alto desempenho, saias pretas brilhantes, difusores dianteiros e traseiros mais agressivos, spoiler sobre a tampa do porta-malas e quatro saídas de escapamento, além de detalhes típicos da M, como espelhos aerodinâmicos e pinças de freio em vermelho. A frente traz projetores separados por linhas em led e grandes entradas de ar, enquanto na traseira as lanternas repetem solução de barramento em led. A coluna traseira traz a clássica dobra de Hofmeister, onde está o número 2 da série na moldura da janela.

No interior, o M235 está alinhado com o mais recente lote da BMW: duas telas de 10,25 polegadas sob o mesmo vidro curvo, com o sistema operacional BMW 9, gráficos de excelente definição e resposta ultrarrápida. O problema é que, nesta geração, o controle remoto físico do iDrive desaparece e muitas funções dependem da tela sensível ao toque, com o consequente efeito duplo negativo: sujeira constante na tela e maior distração ao operar as funções enquanto dirige.

Os bancos dianteiros são da M com estofamento em Alcantara e pespontos coloridos – sempre nas cores da divisão esportiva, vermelho, azul e azul claro. Eles têm ajuste elétrico e memória, que combinam ótima aderência com conforto, algo incomum nesse tipo de banco. A posição de direção é muito esportiva, baixa e estendida, com uma porta também baixa, o que complica um pouco o acesso ao interior. O teto a 1,44 m de altura obriga a um certo contorcionismo ao entrar e sair. No entanto, a posição pode ser ajustada com precisão, apesar de o volante ser ajustado manualmente.

Nos materiais, a atmosfera mistura um design claramente esportivo, com pedais em alumínio, logos M por toda parte e iluminação ambiente configurável. No entanto, a presença de plásticos duros é mais frequente do que se esperaria em um modelo próximo a R$ 500 mil, especialmente na parte superior do painel e das portas, o que deixa o modelo pouco refinado. O teto panorâmico, o sistema de áudio Harman Kardon e um bom pacote ADAS ajudam a sustentar a percepção de tecnologia e modernidade.

Nos bancos traseiros, o compromisso de design é bastante perceptível: o acesso é estreito devido à pequena altura total do carro e, embora o espaço para os joelhos seja correto, aproveitando os 2,67 metros de entre os eixos, a altura para a cabeça é limitada. O assento central é praticamente decorativo, devido ao túnel alto da transmissão e ao apoio de braço rígido. Na prática, é um carro utilizável por quatro pessoas, desde que os ocupantes traseiros não sejam muito altos.

O porta-malas oferece cerca de 430 litros, tem boca larga e piso rígido, o que o torna funcional para uso leve familiar. Como de costume na BMW, não há estepe nem pneus de rua, apenas um kit antifuro, algo que obriga o condutor a ter especial cuidado em ruas mal cuidadas, por conta dos pneus de perfil baixo. Em suma, o M235 xDrive é carro para quem quer algo além de um simples 220 Gran Coupé, que custa R$ 150 mil a menos, com quem compartilha base e espírito, mas com uma escala de desempenho e dirigibilidade de um verdadeiro BMW M.

Impressões ao dirigir
Um M mais suave
O coração do M235 xDrive Gran Coupé é um motor TwinPower Turbo de quatro cilindros 2.0 litros da família B48, montado em posição transversal, com 317 cv de potência e 40,8 kgfm de torque, um aumento próximo de 5% em relação à geração anterior. É um motor com entrega muito completa em todos os regimes de rotação, como costuma acontecer com carros da BMW. A curva de torque permanece alta e constante, resultando em aceleração forte em qualquer marcha, com tempo de zero a 100 km/h em 4,9 segundos e máxima limitada a 250 km/h.

A grande novidade dessa atualização está na transmissão. O M235 abandona o conversor de torque de oito marchas e adota uma transmissão de dupla embreagem de sete marchas, com paddle shifts atrás do volante e um boost para respostas mais imediatas. Em condução rápida, especialmente no modo Sport, a caixa de marchas é muito rápida, com trocas quase instantâneas e um trabalho muito bem coordenado com o propulsor. No entanto, em baixas velocidades e nas arrancadas pode se mostra desajeitado, com indecisão sobre qual relação escolher e resposta menos suave que desejável.

A tração integral xDrive, neste caso em uma arquitetura originalmente dianteira, privilegia o eixo dianteiro, mas é capaz de enviar torque rapidamente para o eixo traseiro, o que se traduz em muita tração ao sair de curvas fechadas ou em asfalto com aderência limitada. Na prática, é um carro que perde um pouco de aderência nas arrancadas e retomadas mais brutas, mostrando uma leve tendência ao subesterço (saída de frente) se for acelerado cedo demais na saída da curva. Por outro lado, a correção é simples: basta aliviar o acelerador.

Se havia algo criticável na primeira geração do Série 2 Gran Coupé M Performance era a rigidez da suspensão, muito focada na pista e incompatível com ruas cheias de buracos e asfalto remendado. Nessa nova versão, a BMW interveio na configuração e incorporou suspensão adaptativa M, alcançando um equilíbrio muito melhor entre controle da carroceria e conforto. Mesmo que seja um carro com um toque seco, que transmite com pouco filtro o que acontece sob as rodas, faz sofrer a cada buraco que aparece.

No modo Sport, o M235 fica muito reativo, com uma resposta nervosa no acelerador e uma caixa de câmbio sempre pronta para baixar uma ou duas marchas, o que na cidade pode ser um pouco cansativo. O modo Efficient, por outro lado, suaviza a gestão do motor e do câmbio, mas ainda oferece muita força quando é necessária.

A direção, alinhada com praticamente todos os BMWs, oferece uma sensação muito precisa, com boa velocidade de giro e peso adequado, embora sem o feedback de um BMW clássico com tração traseira. Mesmo assim, graças aos pneus esportivos e à suspensão adaptativa, o carro fica plano e gera muita confiança em quem está ao volante.

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