
Tempo ao tempo
Boreal Iconic tem tudo para mudar a imagem da Renault a médio prazo
por Eduardo Rocha
Auto Press
O Boreal ainda é um novato no mercado brasileiro, mas já vive fortes emoções. O SUV médio da Renault estreou em novembro com a intenção de alcançar 2 mil unidades mensais. Em dezembro bateu as 1.300 unidades, vendendo mais até que o SUV compacto da marca, o Kardian. Já nos dois meses seguintes, o modelo mal ultrapassou as 600 unidades. Já em março, a Renault atuou para aumentar a visibilidade do SUV na mídia e ofereceu condições de aquisição mais vantajosas. Deu certo: em março e abril, o Boreal conseguiu recuperar o nível de emplacamento inicial, próximo das 1.300 vendas.
A pequena montanha-russa enfrentada pelo SUV da Renault reflete o momento da marca no Brasil. Primeiro porque o modelo está em início de produção e somente em março ganhou ritmo para atender à demanda reprimida. Depois, há o fato de a marca buscar reformular a imagem e replicar aqui o conceito de mercado que tem na Europa, de marca generalista com produtos mais sofisticados. E essa leitura do consumidor pouco tem a ver com o produto em si, mas sim com o valor que o consumidor atribui – afinal, a compra de um automóvel tem um forte fator emocional.
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No caso do Boreal, a Renault terá de convencer o mercado de que seu SUV médio é realmente bem concebido e bem realizado, mas somente o tempo consegue cristalizar uma nova imagem. Qualidades como design, acabamento, conforto e desempenho ficam bem explícitas na versão avaliada, a topo de linha Iconic. A tabela dessa configuração, com pintura metálica, aponta para R$ 216.990 – mesmo preço do lançamento em novembro –, mas há incentivos como R$ 10 mil de bônus, financiamento sem juros e um aumento da garantia, para cinco anos.
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A versão Iconic oferece um verdadeiro arsenal de equipamentos. Estão na lista rodas aro 19, pintura em duas cores, painel digital e multimídia com telas de 10 polegadas, sistema operacional Google built-in, conexão com aplicativo MyRenault com funções remotas, carregador por indução, ar digital duplo, freio de estacionamento elétrico, revestimento em couro, áudio Harman Kardon, teto solar panorâmico, tampa do porta-malas elétrica, encosto do banco do motorista com massagem e 24 recursos ADAS, incluindo estacionamento semiautomático e câmera 360º.
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Por fora, o Boreal traz linhas entalhadas, com nervuras bem acentuadas no capô e a frente com a grade bastante trabalhada. O aspecto geral é feroz e ele ostenta o novo tratamento da logomarca, em aço escovado. As laterais e traseira fazem uma combinação bem encorpada, com linhas cinzeladas. Na coluna traseira, há um acabamento em alumínio com trama geométrica.
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Sob o capô, o motor TCe 1.3T, desenvolvido em conjunto com a Mercedes-Benz, mas com calibragens específicas para cada marca. No Boreal, ele é gerenciado por um câmbio DCT, de dupla embreagem e seis marchas, e rende 156/163 cv de potência e 25,5/27,5 kgfm de torque, com etanol e gasolina. Conta ainda cinco modos de condução: Eco, Confort, Sport, Perso e modo Smart, que modificam a atuação da direção, do motor e da transmissão (Fotos de Eduardo Rocha, Auto Press) .
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Ponto a ponto
Desempenho – O motor TCe 1.3 turbo de quatro cilindros é confiável e ainda é moderno, mesmo depois de oito anos animando modelos da marca, e tem um comportamento progressivo e elástico. Aqui ele conversa com um câmbio DCT banhado a óleo, que é bem responsivo. O torque máximo de 27,5 kgfm aparece aos 1.750 rpm e os 163 cv com etanol (156 cv com gasolina) lidam bem com os mais de 1.400 kg do SUV, com um zero a 100 km/h abaixo de 10 segundos. Mas além dos números, a suavidade e a sensação de o motor estar sempre cheio tornam a condução extremamente agradável. Nota 9.
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Estabilidade – Além da clássica suspensão dianteira McPherson na frente, a Renault optou por eixo de torção na traseira, que é mais compacta e dá maior robustez ao conjunto, mas não é tão preciso quanto um sistema multilink, presente em vários rivais. O ajuste usado no Boreal busca um funcionamento intermediário, para equilibrar conforto e controle de carroceira. Na prática, o conjunto absorve bem as irregularidades e tem rolagem lateral discreta. Nota 8.
Interatividade – O painel digital de 10 polegadas é bem informativo, mas apesar do bom tamanho, é vítima do design: os grafismos deixam a leitura pouco clara. O espelhamento de celulares sem fio é simples, já o sistema operacional Google built-in e as funções remotas acabam sendo interessantes inicialmente, mas pouco efetivos no uso do dia a dia. A versão conta ainda com câmera 360º e traz muitos recursos ADAS, que são efetivos e pouco invasivos. Nota 8.
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Consumo – Segundo o InMetro, o Renault Boreal na cidade percorre 7,8 e 11,2 km/l e na estrada, 9,4 e 13,6 km/l, com etanol e gasolina respectivamente. É ligeiramente melhor que seus rivais diretos e obteve nota A na categoria e C no geral. Nota 8.
Conforto – A rodagem agradável e lisa do Boreal tem a ver com a ótima rigidez torcional do modelo (23,5 kNm/grau, contra 22 kNm do Taos, 20,5 kNm do Compass e 18,5 kNm do Corolla Cross). A suspensão bem acertada e os bancos ergonômicos elevam o nível de conforto a bordo ao de modelos de segmentos superiores. Já o isolamento acústico é bom, mas deixa passar ruídos aerodinâmicos em velocidades mais altas, mas nada que impeça uma conversa em tom normal. Nota 9.
Tecnologia – A arquitetura do Boreal, RGMP ou Renault Group Modular Platform, é uma evolução da CMP-B, aplicável em modelos das categorias B e C, casos de Kardian e Boreal. Ela é moderna, tem ótima rigidez torcional e foi projetada para aceitar diversas tecnologias, desde motorizações híbridas até recursos ADAS mais sofisticados. O motor é o consagrado TCe, acoplado a um câmbio de dupla embreagem banhado a óleo. Tem ainda painel digital, central multimídia versátil, serviços conectados e um bom pacote ADAS. Nota 8.
Habitabilidade – As medidas do Boreal são as mais generosas do segmento em comprimento, altura e entre-eixos (4,57 m, 1,65 m e 2,70 m, respectivamente), o que se reflete em uma área útil mais generosa. Com isso, há um ótimo espaço no habitáculo para pernas, cabeças e ombros. O console central elevado torna o uso cotidiano mais prático e traz um oportuno carregador por indução com resfriamento. O acesso ao interior é facilitado pela altura do veículo e o porta-malas, com 522 litros, é também o maior entre os rivais. Nota 9.
Acabamento – A ideia de sofisticar a imagem da marca se consolida no interior do Boreal. Os revestimentos são caprichados, com materiais requintados na qualidade e no aspecto. Caso das guarnições aplicadas no tablier, com tramas desenhadas a laser. As superfícies de toque são macias, algumas revestidas com couro sintético de boa qualidade, o design interno é elegante, com telas proporcionais e encaixadas em um console com moldura em preto brilhante. Nota 8.
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Design – O Boreal tem linhas trabalhadas, com diversas referências ao losango da Renault, com traços oblíquos em diversos pontos, como na grade, no acabamento na coluna traseira em alumínio e até no grafismo do painel de instrumentos. Essa harmonização transmite uma sensação de equilíbrio e modernidade, que torna o conjunto mais atraente. Frente, cintura e traseira altas dão um aspecto robusto. Nota 9.
Custo/benefício – Desde o lançamento, o Boreal trouxe preços ligeiramente abaixo dos rivais com recursos equivalentes. Mas diante das dificuldades previsíveis em uma tentativa de mudança de imagem, a Renault tem feito promoções, com descontos oficiais de até R$ 12 mil, que melhoram ainda mais a relação custo/benefício do SUV médio, mesmo sendo o modelo mais moderno do segmento. Nota 8.
Total – O Renault Boreal Iconic somou 84 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir
Refinamento dinâmico
A fama de uma marca antecede o contato do consumidor com o automóvel específico. Por isso, um processo de mudança de imagem é longo e complicado. É preciso cristalizar no mercado as novas características que a fabricante quer imprimir. Uma análise fria instala o Boreal no primeiro time dos SUVs médios do mercado brasileiro, mesmo que as vendas ainda não reflitam a superioridade técnica do modelo.

O Boreal tem design refinado, acabamento cuidadoso, com materiais de boa qualidade, e um ótimo arsenal tecnológico, com recursos bem completos. Motorização, câmbio, estrutura, comportamento dinâmico, espaço interno e conforto de rodagem também destacam o SUV da Renault no segmento. O motor de 156/163 cv turbo flex com injeção direta trabalha com um câmbio de dupla embreagem de seis marchas, que o deixa bastante ágil e responsivo.
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Mesmo sendo ágil, o Boreal apresenta um leve turbolag quando o acelerador é pressionado de forma abrupta. Na verdade, esse é um efeito colateral dos motores turbinados difícil de ser equacionado. Em uso normal, as reações são diretas e controladas, mantendo uma suavidade que também reforça a ideia de refinamento. As suspensões também privilegiam o conforto, pelo menos em uso normal. Em tocadas mais agressivas, o controle da carroceria se sobrepõe.
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Por dentro, o acabamento é caprichado e o design é moderno e elegante. Painel e multimídia formam um conjunto único, com telas de 10 polegadas cada, direcionadas para o condutor. Aqui novamente aparece a ideia de luxo à francesa, que combina sofisticação com detalhes de diferenciação– como as guarnições no console frontal e nas portas e as formas geométricas que conversam bem com as linhas externas.
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Ficha técnica
Renault Boreal Iconic
Motor: Gasolina/etanol, transversal, dianteiro, com 1332 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando duplo no cabeçote com variação na admissão e no escape, com turbocompressor e injeção direta.
Transmissão: Automatizado de dupla embreagem banhada a óleo com seis marchas à frente e uma à ré. Tração dianteira.
Potência: 156 cv com gasolina e 163 cv com etanol a 5.250 rpm.
Torque: 27,5 kgfm com gasolina e etanol a 1.750 rpm.
Diâmetro X Curso: 72,2 x 81,4 mm.
Taxa de compressão: 10,5:1.
Aceleração 0-100 km/h: 9,5 segundos.
Velocidade máxima: 180 km/h.
Carroceria: SUV médio com quatro portas e cinco lugares. Com 4,56 metros de comprimento, 1,84 m de largura, 1,65 m de altura e 2,70 m de distância entre-eixos. Altura mínima para o solo de 21,3 cm. Ângulo de 22,2º de ataque e de 26,6º de saída. Airbags frontais, laterais e de cortina de série.
Suspensão: Dianteira tipo McPherson com rodas independentes, molas helicoidais. Traseira com eixo de torção e molas helicoidais.
Freios: Dianteiro a disco ventilado. Traseiro a disco sólido. ABS com controle de partida em rampa, controle de estabilidade e frenagem automática de emergência.
Pneus: 205/55 R19.
Peso: 1.438 kg.
Porta-malas: 522 litros.
Lançamento: novembro de 2025.
Capacidade do reservatório de combustível: 50 litros.
Produção: São José dos Pinhais, Paraná.
Preço: R$ 214.990 (pintura metálica opcional por R$ 2 mil).
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