
Balanceamento a favor
Captiva une a credibilidade da Chevrolet com custo/benefício e desempenho
por Eduardo Rocha
Auto Press
Entre as montadoras tradicionais no Brasil, a Chevrolet foi a que mais apostou na eletrificação da linha no Brasil. Atualmente, a marca tem nada menos que quatro SUVs 100% elétricos, numa gama que vai desde o compacto Spark até o SUV médio-grande de luxo Blazer. E por ser uma marca reconhecida pelo consumidor, está obtendo bons resultados rapidamente. Desde o início deste ano, o Captiva EV assumiu o posto de SUV médio-compacto elétrico mais vendido no país, com 853 unidades emplacadas no primeiro quadrimestre de 2026.
Boa parte desse desempenho se deve às qualidades equilibradas do modelo. Mas outra parte se deve ao preço agressivo que a Chevrolet vem adotando. No lançamento, em novembro passado, o modelo era cotado a R$ 219.990, mas a marca reviu a posição e atualmente é oferecido por R$ 199.990. Isso deixa o modelo em vantagem em relação à maior parte dos rivais, como Geely EX5, GAC Aion V e Omoda E5.

Outra vantagem do modelo é ser montado em regime de SKD em Horizonte, no Ceará, na antiga fábrica da Troller – o que reduz a incidência de impostos em relação a um importado pronto. Nesse sistema, grande parte dos componentes chega já montada, com os painéis de carroceria já pintados e conjuntos prontos. A ideia é que aos poucos as peças importadas passem a ser substituídas por nacionais. Já componentes mais complexos vão continuar sendo importados.

E o Captiva está recheado deles. O modelo tem recursos como tela de 15,6 polegadas para a central multimídia e 8,8 polegadas para o quadro de instrumentos digital, controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência, assistente de faixa, faróis e lanternas de led e farol alto automático. De relevante, o modelo ainda traz teto solar panorâmico, câmeras 360°, tampa do porta-malas com movimentação elétrica, bancos com revestimento de vinil, rodas aro 18″ e chave presencial (Fotos de Eduardo Rocha, Auto Press). 
Ponto a ponto
Desempenho – O Captiva tem uma dinâmica equilibrada, com algumas características típicas de carros elétricos. Com potência de 201 cv e torque instantâneo de 31,6 kgfm, as respostas são vigorosas, com boas acelerações e retomadas. Com 1.800 kg e relação peso potência próxima a 9 cv/kg, o zero a 100 km/h é feito em 9,9 segundos, desempenho bem aceitável para o segmento. A máxima limitada a 150 km/h deixa bem clara a despretensão esportiva do modelo. Nota 8.

Estabilidade – A suspensão, com McPherson na frente e multilink atrás, responde bem às irregularidades e fornece tanto o conforto quanto a dirigibilidade. Como costuma ocorrer em carros elétricos, o peso da bateria instalada entre os eixos – nesse caso, cerca de 400 kg – rebaixa o centro de gravidade, eleva a estabilidade e gera um comportamento que foge ao de SUVs padrão, com pouca rolagem lateral e neutro em velocidades mais altas. Nota 9.
Interatividade – As duas boas telas do console concentram todas as informações do Captiva. Uma de 8,8 polegadas atrás do volante tem a função de painel de instrumentos, agregando informações sobre carga da bateria e potência utilizada a cada momento. Outra maior, flutuante, de 15,6 polegadas, serve à central multimídia. O sistema aceita espelhamento com facilidade e é bastante rápido. Mas a interação é prejudicada pela ausência de botões. Somente o sistema de climatização e vidros têm comandos diretos. Todas as demais funções são controladas pelo volante multifuncional ou pela tela da central – como é o caso da intensidade da frenagem regenerativa. Nota 8.

Consumo – Pelos dados do Programa de Etiquetagem Veicular, o Captiva tem um gasto médio de 0,62 Mj/km, com equivalência de consumo de 36,2 km/l na cidade e 28,9 km/l na estrada. Recebeu notas A tanto na categoria quanto no geral, mas com menor eficiência até que modelos maiores, como o Chevrolet Equinox EV. Nota 10.
Conforto – Por ser bem assentada no chão e contar com suspensão independente nas quatro rodas, o Captiva oferece conforto e equilíbrio. O espaço interno também é bastante generoso, com bancos bem ergonômicos. O isolamento acústico deixa vazar ruídos aerodinâmicos e de rodagem, mas nada que incomode muito. Nota 9.

Tecnologia – O Captiva tem origem chinesa com as partes produzidas pela SAIC, na joint-venture que a GM tem com a Wuling – na China, chama-se Starlight S. Foi lançado por lá em 2024 e seu desenvolvimento foi bastante focado na aerodinâmica para alcançar o excelente coeficiente de arrasto de 0,277 Cx. O crossover também traz diversos recursos ADAS como alerta de colisão com frenagem autônoma, controle de cruzeiro adaptativo, alertas de faixa e câmera 360º. Nota 8.
Habitabilidade – O Captiva tem um bom espaço interno, graças ao entre-eixos de 2,80 metros, bem amplo para a categoria de SUV médio-compacto. A altura de 1,65 m e a largura de 1,89 m completam as medidas que oferecem uma ótima área para os ocupantes. O porta-malas tem seus 400 litros facilmente utilizáveis pelo ótimo acesso oferecido pela porta traseira de acionamento elétrico. Nota 9.

Acabamento – O acabamento do Captiva EV é de boa qualidade para o segmento, com muitas superfícies macias ao toque, materiais de boa aparência e estilo discreto e de bom gosto. Os bancos são revestidos com couro sintético perfurado, o que dá um certo requinte ao interior. Para quebrar a monotonia, um aplique cinza, com estampa que imita madeira, percorre portas e console frontal. Tudo sóbrio e elegante. Nota 9.
Design – As linhas do Captiva EV são limpas, com traços simples. Embora não mostre muita ousadia, a linha de cintura alta com uma elevação nas colunas traseiras e a linha de vidros estreita reforçam bastante o aspecto robusto do modelo. O capô em curva explicita a preocupação com a aerodinâmica do modelo. Nota 8.

Custo/benefício – A Chevrolet criou uma espécie de escadinha para sua gama de SUVs elétricos. Ainda assim, viu-se forçada a rever o preço do Captiva EV para baixo – de R$ 219.990 para R$ 199.990. Isso deixou o modelo em uma condição favorável – a maioria dos rivais também custa em torno de R$ 200 mil. Nota 8.
Total – O Chevrolet Captiva EV somou 86 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir
O segredo do sucesso
O Captiva é um SUV que impressiona à primeira vista. O porte robusto, o bom acabamento e a gravatinha da Chevrolet fazem parecer que ele valeria mais do que a tabela indica. Mas a questão é que, mesmo quando o valor atribuído não casa com o preço, é assim que o mercado funciona. A invasão chinesa forçou as marcas mais tradicionais, e um tanto acomodadas, a reverem suas margens.

Os primeiros elétricos da Chevrolet – Equinox e Blazer – tinham preços bem mais salgados. Já a Captiva chega em um momento em que os chineses já estão em plena atividade, atacando o mercado. Com um preço competitivo e a confiança que a marca inspira, logo o modelo foi catapultado para a liderança no segmento.

Para chegar em condições de brigar, a Chevrolet tem uma lógica bem equilibrada entre tamanho, recursos, motorização e principalmente bateria – de longe, o componente mais custoso de um elétrico. O modelo é animado por um motor elétrico instalado na dianteira, com 201 cv e 31,6 kgfm – não muito distante dos principais rivais. A bateria tem 60 kWh, o que garante uma autonomia pouco acima de 300 km.

Um ponto que chama a atenção no Captiva é a transmissão com uma única marcha à frente, mas com uma engrenagem de redução, que alivia a rotação do motor elétrico (que pode chegar a 15 mil rpm) para que as rodas não patinem. É isso que torna a condução da Captiva agradável e até semelhante, em alguns aspectos, à de carros a combustão. Com um centro de gravidade rebaixado, que impede que o modelo balance, mesmo em curvas, um espaço interno generoso e desempenho convincente, não é surpreendente que o SUV médio-compacto da Chevrolet esteja ganhando mercado. 
Ficha Técnica
Chevrolet Captiva EV
Motor: Elétrico, dianteiro, síncrono de ímã permanente, com 201 cv de potência e 31,6 kgfm de torque.
Alimentação: Bateria de lítio-ferro-fosfato com capacidade de 60 kWh, com capacidade de recarga máxima de 11 kWh CA e 120 kWh CC.
Transmissão: Por engrenagem de relação única com redutor integrado e inversor de fase para a ré. Tração dianteira e controle eletrônico de tração de série.
Potência combinada: 201 cv.
Torque combinado: 31,6 kgfm.
Suspensão: Dianteira independente com braços sobrepostos com barra estabilizadora, amortecedores hidráulicos e molas helicoidais. Traseira independente multilink com barra estabilizadora, amortecedores hidráulicos e molas helicoidais. Oferece controle eletrônico de estabilidade de série.
Pneus: 235/55 R18 e estepe com kit de reparo.
Freios: Discos ventilados na frente e atrás. Oferece ABS com EBD e frenagem automática de emergência, inclusive em manobras. Sistema regenerativo de energia.
Aceleração 0-100 km/h: 9,9 segundos.
Velocidade máxima: 150 km/h.
Carroceria: Utilitário esportivo em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. Comprimento de 4,74 metros com 1,89 m de largura, 1,65 m de altura e 2,80 m de entre-eixos. Possui airbags frontais, laterais e de cabeça.
Peso: 1.800 kg.
Capacidade do porta-malas: 403 litros.
Autonomia: 304 km na norma InMetro.
Lançamento no Brasil: 2025.
Produção: montado em regime de SKD em Horizonte, Ceará.
Preço: R$ 199.990.
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