
Movimento estratégico
Yamaha ganha mercado e visibilidade com a pioneira ZR Hybrid Connected
por Eduardo Rocha
Auto Press
O movimento de eletrificação de veículos no Brasil começou timidamente com os automóveis, ainda na década de 2010, com modelos híbridos leves entre importados de luxo. Agora a tecnologia está se popularizando e há uma oferta cada vez maior de modelos. Com as motocicletas tomou o rumo inverso. Em vez de começar pelo topo, está iniciando por modelos de entrada. No caso, pela scooter Yamaha ZR Hybrid Connected. E a resposta do mercado está sendo imediata.
Em seu primeiro mês completo de vendas, em junho, o modelo emplacou nada menos que 1.394 unidades, o que tornou o modelo a quinta scooter mais vendida do mercado e a segunda na marca. Na primeira quinzena de julho, com 809 unidades, já é a scooter mais emplacada da marca e a terceira no mercado, atrás da PCX e da Elite, ambas da Honda. Sendo que o verdadeiro alvo da ZR é mesmo a Elite.

Na comparação direta entre esses dois modelos, a ZR leva vantagem em diversos pontos. A começar pelo preço: a ZR chegou ao mercado por R$ 13.990, estratégicos R$ 500 mais barata que a Elite. Depois, obviamente, pela tecnologia híbrida, que melhora o desempenho tanto em giros mais baixos quanto no consumo. A Yamaha ZR vem equipada com um motor 125 cm³, batizado pela marca como Blue Core Hybrid, que rende 8,2 cv de potência a 6.500 rpm e 1,0 kgfm de torque a 5.000 rpm. Isso para movimentar um modelo com apenas 98 kg.

O conjunto híbrido leve é dotado de um motor elétrico, chamado de SMG (Smart Motor Generator), que substitui ao mesmo tempo o alternador e o motor de arranque, ligado diretamente ao virabrequim. Ao ligar a scooter, inclusive no despertar do sistema Start & Stop, o SMG aciona diretamente o motor, sem passar por nenhum tipo de embreagem. Nas arrancadas até aproximadamente 20 km/h e por 3 segundos, ele é capaz de incrementar até 6% no torque. A potência útil também é aumentada em até 8%, com ganho de 0,4 cv em um momento em que o motor gera perto de 5 cv.

Essa assistência elétrica, no entanto, não aparece na ficha técnica, pois a atuação é apenas em baixas velocidades (até 20 km/h), num regime bem distante da faixa de 5 mil giros do torque máximo. Mas, além de melhorar as arrancadas, este sistema também poupa o trabalho do motor a combustão, o que se reverte em economia de combustível.

O visual da ZR tenta refletir esse toque de modernidade. Na parte frontal, a carenagem traz vincos bem marcados e ascendentes, que dão um ar aerodinâmico ao modelo. O farol está instalado em um cluster em formato de V, enquanto a lanterna fica mais acima, logo abaixo do para-brisa, em forma de Y. A traseira conta com uma generosa lanterna e piscas em hastes logo abaixo. Toda a iluminação é em LED. O banco de duas alturas oculta um porta-objetos com 21 litros – capaz de acomodar apenas capacetes pequenos –, e o bocal para o tanque de 5,2 litros – que oferece autonomia de cerca de 250 km.

Estruturalmente, a ZR segue uma fórmula consagrada para o segmento. O chassi é do tipo Underbone e as dimensões da scooter são 1,88 m de comprimento, 0,69 m de largura, e 1,19 m de altura, distância entre-eixos de 1,28 m e altura mínima do solo de 14,5 cm e altura do assento de 78,5 cm. Os freios são a disco na frente e tambor atrás e funcionam de forma integrada. O pneu dianteiro 90/90 montado em roda de 12 polegadas, enquanto na traseira é 110/90 com roda de 10 polegadas.

O sobrenome Connected usado no modelo se deve ao fato de a ZR contar com o aplicativo Yamaha Motor On. Com um smartphone pareado via Bluetooth, é possível tanto monitorar pelo painel funções do celular quanto acessar pelo aplicativo dados da scooter. Permite obter informações de performance, localização, manutenção e até compartilhar em redes sociais as rotas que percorreu (Fotos de Eduardo Rocha, Auto Press).
Impressões ao pilotar
Animal urbano
Um dos requisitos de comportamento para uma boa scooter é ter agilidade para trafegar em trânsito urbano. A Yamaha ZR levou essa premissa a um nível bastante elevado. A assistência elétrica nas arrancadas e o baixo peso do modelo fazem a pequena scooter simplesmente disparar nas largadas, ou melhor, nas saídas de semáforos. As dimensões enxutas também ajudam a abrir atalhos entre os carros.

As rodas pequenas também tornam as mudanças de direção muito rápidas e precisas, desde que o piso seja de boa qualidade. Em desníveis e pavimentos irregulares, a suspensão de curso curto (90 mm na frente e 81 atrás) transfere para o guidão e banco as vibrações sem muita filtragem. Mesmo nesse caso, porém, o acerto rígido mantém a ZR sob controle do piloto.

Freios e iluminação são bem eficientes, quando aplicados à proposta urbana do modelo. Vocação que é reforçado pelo espaço oferecido sob o banco, que só aceita capacetes pequenos. Já o painel traz as informações adequadas de forma clara: relógio, velocímetro, indicador de combustível, computador de bordo e até um indicador de que o SMG está atuando.
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