
Comando direto
Hennessey Venom F5-M é o hiperesportivo manual mais potente do mundo
por Eduardo Rocha
Auto Press
Em um mundo rapidamente dominado pela eletrônica, alguns recursos antigos, aparentemente menos eficientes, ganham um verniz de glamour e participam de uma tendência de consumo que tem sido chamada de Technostalgia, Renascimento Analógico ou até Retromania. E não se limita apenas a discos de vinil, câmeras fotográficas com película ou relógio de corda. Esse movimento de mercado está chegando também aos automóveis de alto luxo. Caso do Hennessey Venom F5-M, um hipercarro que tem seu motor com mais de 2 mil cv gerenciado por um câmbio manual de seis marchas.
O Venom F5-M é uma resposta clara às tendências de valorizar o prazer de dirigir, o que inclui a sensação de engatar manualmente uma marcha, sentir o encaixe perfeito e ouvir o som do trambulador. E esse pode ser um diferencial positivo para a estadunidense Hennessey, que enfrenta um cenário dominado pela francesa Bugatti, a sueca Koenigsegg e a croata Rimac. O hipercarro feito no Texas se posiciona com preço inicial de US$ 2,65 milhões, próximo ao dos rivais diretos.

Na Europa, esse valor deve se converter em cerca de 2,5 milhões de euros, enquanto no Brasil, considerando impostos e taxas de importação, o custo final ultrapassaria facilmente os R$ 25 milhões. Trata-se de um mercado restrito, voltado a colecionadores e entusiastas que buscam exclusividade e desempenho extremo, em que cada unidade é mais um símbolo de status do que um veículo de uso cotidiano.

Do ponto de vista tecnológico, o Venom F5-M apresenta soluções criativas. A transmissão manual de seis marchas com gated shifter, ou grelha de câmbio, é uma raridade nesse segmento, já que a maioria dos concorrentes aposta em câmbios automatizados de dupla embreagem. Essa escolha tem função prática: devolver ao condutor maior controle sobre a entrega da potência monumental do motor.

A suspensão ativa, por sua vez, ajusta-se conforme o modo de condução, permitindo que o carro transite entre pista e estrada com eficiência. A barbatana dorsal com 1,40 metro de comprimento, além de marcar identidade visual, atua como estabilizador aerodinâmico em velocidades superiores a 320 km/h, mostrando que cada detalhe tem função técnica.

O design do F5-M busca fazer uma composição. Ele traz detalhes modernos, como nos faróis e lanternas ou na própria barbatana aerodinâmica no teto, mas também elementos clássicos, como o perfil sinuoso, os para-lamas dianteiros ressaltados e as grandes entradas de ar laterais. Já a carroceria em fibra de carbono exposta e a tomada de ar no teto remetem a soluções vistas em protótipos de resistência e aviões supersônicos.

A configuração roadster aberta busca privilegiar ainda mais a experiência sensorial, em contraste com rivais que buscam recordes de velocidade máxima em carrocerias fechadas. Essa escolha revela uma aposta na interação direta entre máquina e motorista, mais do que na busca por números absolutos.

No campo técnico, o motor Fury, um V8 biturbo de 6.6 litros, entrega 2.059 cv e torque superior a 199,7 kgfm, com Etanol E85. Esse propulsor foi desenvolvido a partir do LS7 que a General Motors aplicou em modelos como Chevrolet Corvette Z06, mas construído pela própria Hennessey.

Comparando com rivais, o Bugatti Chiron Super Sport oferece 1.600 cv, o Koenigsegg Jesko Absolut tem 1.625 cv e o elétrico Rimac Nevera chega a 1.914 cv. O Venom F5-M lidera em potência entre os modelos com câmbio manual, embora o Jesko mantenha vantagem em velocidade máxima projetada, com 531 km/h contra cerca de 500 km/h do F5. Mas, de fato, o foco da Hennessey não é a velocidade final, mas a experiência de condução.

O Venom F5-M Roadster traz um novo chassi de fibra de carbono para combinar rigidez e baixo peso. Com apenas 1.398 kg, a relação peso/potência deve se manter próxima a 0,68 kg/cv, muito superior à do Bugatti Chiron, por exemplo, que apresenta cerca de 1,4 kg/cv. A aceleração, no entanto, será inferior à da versão com câmbio automatizado. O zero a 100 km/h do F5-M vai girar em torno de 3,2 s e o zero a 200 km/h em torno de 5,5 s. Já o F5 cumpre as tarefas em 2,4 s e 4,7 s.

O interior do Venom F5-M foi redesenhado para valorizar a transmissão manual. O console central ganhou nova ergonomia, com a alavanca curta de alumínio tarugado encaixada em uma grelha usinada. O acabamento privilegia materiais nobres e cada unidade recebe detalhes exclusivos, escolhidos na encomenda. No exemplar britânico, por exemplo, o carbono roxo exposto e os detalhes em ouro anodizado reforçam a ideia de que cada carro é uma peça única.

A inspiração do projeto reflete uma tendência de retorno à experiência analógica em meio à digitalização dos hipercarros. Enquanto o Rimac Nevera aposta em eletrificação e inteligência artificial, a Hennessey busca engajamento físico e visceral, que valoriza a condução manual e a potência bruta. Assim, o Venom F5-M não é apenas uma evolução da linha F5, mas uma resposta ao desejo de exclusividade e autenticidade em um mercado saturado de tecnologia digital. 
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