
Mesmo que não seja o mais barato no país nem conte com os benefícios do programa Carro Sustentável, o Basalt é o Citroën mais vendido do Brasil. As linhas ousadas, o porte imponente e o posicionamento de mercado diante dos rivais diretos tornam o SUV cupê o modelo mais atraente da marca francesa. Na média mensal, o Basalt tem emplacado 1.270 unidades contra pouco mais de 1.200 do C3 hatch. E para valorizar um pouco mais o visual ousado, foi criada a versão Dark Edition, que traz o mesmo conteúdo da Shine, mas com detalhes que destacam a esportividade do modelo.
No nicho de atuação do Basalt, há apenas dois outros SUVs cupês compactos: Volkswagen Nivus e Fiat Fastback. Com motorização semelhante, ambos têm preço inicial de R$ 119.990 na versão mais simples, enquanto as intermediárias ficam na casa dos R$ 160 mil e as mais completas beiram os R$ 180 mil. Já o Basalt começaria em R$ 117.990 na configuração Feel, com a Dark Edition batendo os R$ 129.990. Só que a política agressiva de descontos da Citroën coloca a nova versão de topo por R$ 119.690.

Além do preço e do desenho imponente e moderno, o Basalt traz como atrativos um espaço interno generoso e razoável nível de equipamentos – razoável porque boa parte desse bom custo/benefício se deve à redução quase ao limite legal mínimo dos recursos de segurança. Além de airbags frontais, ABS e controle de estabilidade, que são obrigatórios, o modelo traz apenas airbags laterais.

O modelo segue o conceito da gama C3. Além de plataforma e motorizações, o Basalt compartilha diversos elementos de acabamento e peças de carroceria. Mas aqui, na Dark Edition, houve um maior capricho, principalmente nos revestimentos internos. O modelo traz bancos em couro sintético, material que também cobre o console frontal e parte dos painéis de porta. E nesse caso, com pespontos em vermelho, para marcar a versão.

Por fora, diversos detalhes repetem os elementos característicos da linha. Como a assinatura luminosa bifurcada envolvendo o farol, nos para-lamas projetados e as linhas combinando traços geométricos e orgânicos, com vincos e musculatura nas laterais. Aqui com detalhes em vermelho no para-choque dianteiro, na coluna traseira, no aerofólio, rodas pintadas de preto e skid plate em prata.

Na parte mecânica, o Basalt traz o mesmo motor Turbo 200 gerenciado por um câmbio CVT presente na gama C3 e em outros modelos do Grupo Stellantis, como o Peugeot 2008 e o próprio Fiat Fastback. Com 1.191 kg e o propulsor com 125/130 cv e 20,4 kgfm com gasolina/etanol, ele cumpre o zero a 100 km/h em 9,7/10,2 segundos. A máxima fica em 194 km/h e o consumo prometido é de 8,4/12,1 km/l na cidade e 9,6/13,7 km/l na estrada, com etanol/gasolina.

Em relação ao conteúdo, o Basalt traz câmera de ré com sensor traseiro, ar-condicionado digital, banco do motorista e volante com regulagem de altura, vidros elétricos, rodas de liga-leve com pneus 205/60 R16, controle de cruzeiro, travas elétricas com telecomando na chave, painel digital colorido de 7 polegadas, central multimídia com tela de 10,25 polegadas com espelhamento sem fio por Android Auto e Apple Carplay. O único opcional no Dark Edition é pintura metálica, que acrescenta R$ 1.990 ao preço (Fotos de Eduardo Rocha, Auto Press).

Ponto a ponto
Desempenho – O motor Turbo 200 que anima o Basalt está presente em quase todos os compactos da Stellantis. E por bons motivos: é potente, eficiente e tem o custo otimizado rentável pela escala da família GSE. Seus 125/130 cv lidam bem com os 1.191 kg do SUV cupê, com uma boa relação peso/potência de 9,2 kg/cv. O torque de 20,4 kgfm oferece boas arrancadas e recuperações, em parte por conta do escalonamento programado para o câmbio CVT com sete marchas pré-definidas. Embora a aceleração de zero a 100 km/h de 9,7 s seja apenas correta, a efetividade do turbo em baixos giros dá grande agilidade em regime de uso urbano, principalmente – apenas do pequeno turbolag que apresenta. No modo Sport, o Basalt fica mais agressivo no desempenho e também no consumo. Nota 8.

Estabilidade – O SUV cupê da Citroen tem suspensão bem firme, que controla bem os movimentos de carroceria, suporta bem os desníveis, mas rouba um pouco o conforto. Os pneus 205/60 R16, com 12,3 cm de flanco protegem bem o modelo em buracos, mas a proposta do modelo é morar no asfalto. Nota 8.
Interatividade – A central multimídia Uconnect com tela de 10 polegadas chama a atenção no interior do Basalt. Ela tem conexão sem fio simples e rápida, mas tem baixa definição de imagem e é desprovida de controles físicos – o que é parcialmente compensado pelos comandos fixos na faixa lateral da tela. O painel digital de sete polegadas também é bastante simples. Um pequeno e mal localizado teclado de botões, na parte baixa do console frontal, à esquerda do volante, traz comandos que deveriam estar no volante multifuncional, como o controle de cruzeiro e o acionamento do modo Sport. A versão tem câmera e sensor de ré, mas não traz itens já banalizados, como chave presencial, alerta de colisão. Nota 7.

Consumo – Segundo o InMetro, o Basalt percorre 8,4 km/l na cidade e 9,6 km/l na estrada com etanol e 12,1 km/l e 13,7, na cidade e na estrada com gasolina. Recebeu notas B na categoria e C no ‘geral. Nota 7.
Conforto – No asfalto, o Basalt desliza com grande equilíbrio, por conta do bom controle de carroceria. Como tem suspensão elevada e de bom curso, o Basalt encara bem os desníveis, mas como a suspensão é rígida, transfere boa parte das irregularidades para os ocupantes. Os bancos seguram bem o corpo, mas poderiam ser mais macios. O isolamento acústico proporcionado por vidros e materiais fonoabsorventes é deficiente a ponto de dificultar as conversas em tom de voz normal. Nota 7.

Tecnologia – A proposta do Basalt é atuar na faixa de entrada do segmento. E isso se traduz num despojamento do modelo. Desde a arquitetura SCP, uma versão simplificada da CMP que tem recebido zero estrelas nos testes do Latin NCap, até a ausência de recursos ADAS. Nota 5.
Habitabilidade – A própria configuração de carroceira do Basalt cria um bom espaço para passageiros e bagagens, mesmo que o caimento acentuado do teto avance na direção da cabeça de pessoas mais altas que sentam no banco traseiro. Já o espaço transversal é típica para um compacto: três adultos atrás têm de se espremer. Entrada e saída é facilitada pela altura do modelo e o porta-malas oferece bons 490 litros. Nota 8.

Acabamento – O Basalt tem o mesmo padrão básico da gama C3, mas aqui com um pouco mais de capricho, com mais superfície macias. O mesmo revestimento de couro sintético dos bancos se repete no volante, painéis de porta, console frontal e apoio de braço – na Dark Edition, recebem pespontos vermelhos. Mesmo com esses elementos adicionais, a impressão geral é de ser pouco refinado. Nota 6.
Design – O Basalt tem porte e linhas ousadas e a versão Dark Edition acrescenta detalhes que valorizam essa ousadia. Por R$ 1 mil a mais que a versão de topo Shine, ela inclui rodas em preto, skid plates escurecidos, detalhes em vermelho no para-choque dianteiro, na coluna traseira, no aerofólio e nas costuras dos bancos. O aspecto geral ficou mais esportivo e atraente. Nota 9.

Custo/benefício – Como o objetivo da Citroën é aumentar a participação no mercado brasileiro, o preço é uma ferramenta fundamental. O Basalt Dark Edition avaliado custa na tabela R$ 132.880, o que já o deixaria mais barato que as versões intermediárias de Fiat Fastback e Volkswagen Nivus, que têm a mesma configuração de carroceria. Mas atualmente a marca tem uma política de descontos agressiva, que deixa o modelo da marca francesa em maior vantagem. Nota 8.
Total – O Citroën Basalt Dark Edition T200 somou 73 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir
Detalhes de valor
Desde seu lançamento, o Citroën Basalt chama a atenção pela imponência de suas proporções. Linha de cintura e capô altos junto com a reduzida área envidraçada lateral valorizam o caimento do teto e o aspecto esportivo do modelo. E foi exatamente esse aspecto que a marca decidiu destacar com a Dark Edition, ao adicionar detalhes em vermelho que dão mais agressividade ao visual. E não se trata de uma promessa vazia. Embora não seja um esportivo, o Basalt tem um comportamento convincente, com muita agilidade e disposição para ganhar velocidade.

O protocolar zero a 100 km/h (9,7 s com etanol e 10,2 s com gasolina) não faz jus ao desempenho do Basalt empurrado pelo motor GSE 1.0 Turbo 200. Onde o Basalt se destaca é nas arrancadas e recuperações. O zero a 60 km/h é feito abaixo de 4 segundos e o 40 a 80 km/h é cumprido em menos de 4,5 segundos. Ou seja: o comportamento em ambiente urbano é impressionantemente ágil.

A posição de dirigir é típica de SUV, em que o condutor tem ampla visão do entorno. Mas o modelo traz um efeito colateral do controle de custos do projeto e não traz ajuste de profundidade no volante. A economia atinge também o isolamento acústico, que é deficiente a ponto de incomodar. Em ambiente urbano, tem horas em que dá a impressão de alguma janela estar aberta. E em velocidades altas, os ruídos aerodinâmicos e de rodagem tornam as conversas em tom normal difíceis.

Em relação ao espaço interno, o Basalt é generoso. O porta-malas é também muito espaçoso, com seus 490 litros bem utilizáveis. Em relação aos equipamentos, o modelo se equilibra bem na relação custo/benefício. Como a central multimídia Uconnect com 10 polegadas e o painel digital. Além disso, traz airbags laterais, ar-condicionado digital, câmera e sensor de ré, controle de cruzeiro e rodas de liga leve e um visual marcante. E, no caso da Dark Edition, com um toque de exclusividade, já que a versão emplaca em torno de 100 unidades por mês. 
Ficha técnica
Citroën Basalt Dark Edition Turbo 200
Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 999 cm³, três cilindros em linha, sobrealimentado por turbocompressor com wastegate elétrica e quatro válvulas por cilindro. Comando de válvulas no cabeçote por sistema eletro-hidráulico MultiAir na admissão e por eixo de comando simples no escape. Injeção direta de combustível sequencial e acelerador eletrônico.
Potência máxima: 125/130 cv a 5.750 rpm com gasolina/etanol.
Torque máximo: 20,4 kgfm a 1.750 rpm com gasolina/etanol.
Transmissão: Câmbio CVT com acoplamento por conversor de torque com 7 velocidades pré-programadas à frente e uma a ré. Tração dianteira.
Aceleração 0-100 km/h: 9,7 s e 10,2 s com etanol e gasolina.
Velocidade máxima: 194 km/h com etanol e gasolina.
Diâmetro e curso: 70,0 mm X 86,5 mm. Taxa de compressão: 10,5:1
Suspensão: Dianteira do tipo McPherson independente com barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos pressurizados a gás. Traseira com travessa deformável, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos pressurizados a gás.
Pneus: 205/60 R16.
Freios: A disco ventilado na frente e tambor na traseira com ABS e EBD.
Carroceria: Utilitário esportivo cupê em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,34 metros de comprimento, 1,82 m de largura, 1,59 m de altura e 2,65 m de distância entre-eixos. Altura mínima do solo de 19,2 cm. Oferece airbags frontais e laterais.
Peso: 1.191 kg.
Capacidade do porta-malas: 490 litros.
Tanque de combustível: 47 litros.
Produção: Porto Real, Brasil.
Lançamento no Brasil: outubro de 2024.
Lançamento da versão Dark Edition: setembro de 2025
Preço: R$ 129.890.
Opcionais: Pintura metálica (R$ 1.990).
Preço da versão testada: R$ 132.880.