Song Pro sobe o nível
Eduardo Rocha
Song Pro sobe o nível

Evolução holística

BYD Song Pro vira flex e ganha em eficiência, visual, segurança e conteúdo

por Eduardo Rocha

Auto Press

A chinesa BYD não quer ser vista como uma fabricante de automóveis simplesmente. A ideia é ser uma desenvolvedora de tecnologia energética. E o novo Song Pro é um bom exemplo disso. Não se trata apenas de um SUV híbrido plug-in que ganhou um sistema de combustível flex. O carro carrega sob o capô um dos motores de maior eficiência térmica do mundo. Isso significa dizer que ele consegue transformar em movimento 46,06% da energia gerada pela explosão. Modelos normais, como Volkswagen Taos ou Jeep Compass, patinam na casa dos 36%. O Toyota Corolla Cross híbrido flex chega a 40% – o resto da energia é perdida na forma de calor.

Mas não foi apenas na mobilidade que o Song Pro Flex deu um salto qualitativo. O modelo 2027 mudou o visual interno e externo, teve sua conectividade aprimorada, passou a contar com mais recursos de segurança e teve sua suspensão recalibrada, entre outras evoluções. O que não mudou foi o preço. A versão de entrada, GL, chega por R$ 176.990 (R$ 12.810 abaixo do preço promocional de lançamento de dois anos atrás. Já a versão de topo, GS, fica em R$ 199.990 – R$ 190 acima do preço de julho de 2024.

À primeira vista, o que vai chamar mais a atenção é o novo visual do modelo. A frente passa a ostentar a o desenho evoluído do conceito de design Dragon Face. Nele, foi mantida a barra com pintura de alumínio entre os faróis, mas os conjuntos óticos ficaram mais afilados, ar entradas de ar ficaram menores e o para-choque ficou mais projetado e passa a proteger também a parte central da frente – antes, era a grade a primeira coisa a encostar em algum objeto. Os vincos do capô também estão mais afastados. Na lateral, a coluna traseira, que trazia um revestimento em alumínio texturizado, passa a ter uma guarnição em alumínio liso com uma reentrância que acentua a impressão de teto flutuante.

Por dentro, as mudanças visuais foram também marcantes. Para começar, o teto solar panorâmico passa a ser de série na linha. O modelo ganhou também revestimentos mais refinados, na cor preta, e uma guarnição em preto brilhante que percorre o console frontal de fora a fora. O console central também foi redesenhado, aproveitando a migração da alavanca de marcha para uma haste no volante. Com isso, ganhou um espaço plano, com carregador de celular e o contato do transponder da chave, à frente dos porta-copos.

Para alcançar o padrão de eficiência prometido com motorização flex, a engenharia da BYD abriu mão de parte da potência e torque combinados. Embora os motores mantenham a mesma performance, o sistema de gerenciamento passa a ser um pouco mais comedido na liberação da força. O motor 1.5 aspirado a combustão manteve os 98 cv de potência e ganhou 0,4 kgfm de torque, chegando a 12,8. Já o motor elétrico manteve tanto os 197 cv quanto os 30,6 kgfm.

Na combinação, porém, caiu de 235 cv para 218 cv na versão GL e para 218 cv na GS, com torque máximo de 30,6 kgfm – era de 40,8 kgfm e 43 kgfm, respectivamente. O ponto onde esta mudança fica mais perceptível é na aceleração de zero a 100 km/h, que ficou 0,3 s mais lenta na GL e 0,9 s na GS, com 8,6 s e 8,8 s. A máxima, por outro lado, passou de 170 para 180 km/h. Ainda atrás da eficiência, o Song Pro agora tem entradas de ar ativas, que fecham as aletas para melhorar a aerodinâmica e abrem para aumentar o fluxo de ar.

A capacidade da bateria da versão de entrada passou de 12,9 para 13,1 kWh, que permite rodar até 57 km de autonomia de enquanto a GS manteve os 18,3 kWh e tem autonomia elétrica de 72 km, no ciclo InMetro. A autonomia total na configuração GL vai de 556 km, na rodovia com etanol, a 832 km, na cidade com gasolina. Os números da versão GS vão de 546 km a 827 km, respectivamente. O carregamento é sempre feito em corrente alternada até 6,6 kW.

No novo Song Pro, a adequação ao mercado brasileiro não se limitou à adoção do sistema flex. O carro ganhou um novo acerto de suspensão, que deixou o modelo mais macio, para enfrentar melhor a acidentada pavimentação tropical. Entre outras evoluções, a central multimídia passa a usar o sistema Google Automotive com pareamento sem fio e o sistema de áudio agora tem oito alto-falantes – eram seis. O carregador de celular agora é ventilado e mais potente, com 50 W.

O SUV da BYD também ganhou novos recursos ADAS. Na versão GL estão presentes controle de cruzeiro adaptativo, alerta de colisão frontal com frenagem autônoma de emergência, monitoramento de faixa, leitor de placas de velocidade e farol alto automático. A versão de topo inclui ainda alerta de colisão e de tráfego cruzado traseiro com frenagem de emergência, aviso para abertura de porta e detecção de ponto cego (Fotos de Eduardo Rocha, Auto Press, e divulgação: em movimento e detalhes) .

Primeiras impressões

Raciocínio inverso

A lógica chinesa parece escapar do pensamento das marcas ocidentais. Ambas frentes apostam fortemente em pesquisa e desenvolvimento, mas enquanto as fabricantes europeias e estadunidenses guardam as novidades como trunfos, para serem gastos nos momentos críticos – como quando seus modelos começam a ficar para trás –, os chineses lançam logo mão das novas tecnologias. É como se os ocidentais pensassem que estão solitários em uma corrida de fundo, guardando energia para o futuro, mas concorrem com chineses, que trabalham como se estivessem em uma prova de revezamento.

O novo Song Pro Flex está repleto de exemplos dessa diferença. O modelo foi apresentado há apenas dois anos no Brasil e já recebeu mudanças que em modelos ocidentais (incluídos aí japoneses e sul-coreanos) levariam pelo menos três ou quatro anos para ocorrer. E mesmo assim não seriam tão numerosas. O Song Pro Flex mudou o visual, melhorou o conteúdo, promoveu uma evolução no conjunto motriz, adicionou recursos de segurança e conforto, recalibrou a suspensão e manteve basicamente o mesmo preço.

Houve até uma pequena perda na potência e no torque combinado, mas na experimentação proposta – com estradas de terra e asfalto, mas sempre em regiões planas – isso só seria possível de verificar com um cronômetro na mão. O Song Pro acelera e retoma bem e não houve qualquer sensação de falta de força. Talvez em uma condição de serra, a queda de torque de 43 para 30,6 kgfm se faça sentir, mas certamente a queda no padrão de consumo amenizaria essa possível perda.

O consumo reduziu de 0,58 Mj/km para 0,53 Mj/km na versão GL e de 0,60 Mj/km para 0,55 Mj/km – a equivalência com consumo de combustível. Com pequena diferença entre as versões, o consumo urbano fica em torno de 16 km/l com gasolina e 12 km/l com etanol e o rodoviário, 13,5 km/l com gasolina e 10,7 km/l com etanol. Como são 52 litros no tanque, chega-se à autonomia máxima de 832 km prevista pelo InMetro.

Além das mudanças motrizes, o Song Pro se aprimorou por dentro. A estética e os materiais ficaram mais refinados, com revestimento de melhor textura e detalhes elegantes em preto brilhante no tablier. Houve um ganho efetivo de conforto com a transferência da alavanca de marcha do console central para o volante. O que ainda incrementou o conforto foi o novo acerto da suspensão, mais macio, mesmo enfrentando trechos de terra, com quebra-molas naturais no percurso.

Há mais espaço útil entre os bancos e os postos do condutor. O teto solar panorâmico também amplia a sensação de espaço. Não houve mudanças de dimensão, mas o modelo já tratava bem todos os quatro ocupantes – um quinto passageiro, só como favor. O modelo também ganhou mais recursos ADAS, o que incrementa ainda mais a vantagem na relação custo/benefício do modelo.

The post Song Pro sobe o nível appeared first on MotorDream.

    Compartilhar
    Comentários
    Clique aqui e deixe seu comentário!

    Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

    Mais Recentes