A estrutura do GLA
Eduardo Rocha
A estrutura do GLA

Amplo espectro

Novo GLA ganha plataforma modular para versões a combustão e elétricas

por Eduardo Rocha

Auto Press

Com a chegada da nova plataforma MMA – Mercedes Modular Architecture -, a marca alemã decidiu simplificar as coisas. Aos poucos, a fabricante vai substituir a linha EQ por uma versão puramente elétrica dentro de cada gama, identificada como “Electric”. Esse processo começou com o sedã compacto CLA no ano passado e agora alcança o GLA. A versão elétrica, inclusive, é a primeira do SUV de entrada da Mercedes a chegar ao mercado na Europa – com preços a partir de 48.600 euros (equivalentes a R$ 285 mil).

O GLA Eletric deve estar disponível no Brasil apenas no início de 2027. E considerando a precificação dos rivais BMW iX1 e Audi Q4 e-tron, já comercializados entre R$ 330 mil e R$ 370 mil, o valor provável do GLA deve variar entre R$ 350 mil e R$ 400 mil. Nessa mesma época, as versões híbridas e a combustão do GLA serão apresentadas na Europa, mas só desembarcam por aqui no final de 2027. As versões de segunda geração do GLA, atualmente vendidas por aqui, serão comercializadas até o esgotamento dos estoques. O EQA, por sua vez, já está fora do catálogo da marca. Para entrega imediata, a marca conta apenas com o SUV EQB e com o EQE Sedan, que custam cerca de R$ 450 mil e R$ 650 mil, respectivamente.

A importância do novo GLA para a Mercedes é estratégica. O segmento de SUVs compactos se tornou o mais disputado entre as marcas de luxo na Europa. E a referência no desenvolvimento dessa terceira geração foram BMW iX1 e Audi Q4 e-tron, ao oferecer vantagens em relação à autonomia e à tecnologia. E esta disputa é especialmente relevante na Europa, já que Brasil estas marcas não conseguem fazer frente aos concorrentes. Somando todos os modelos elétricos das três marcas, elas emplacaram apenas 283 unidades, enquanto apenas a sueca Volvo alcançou 2.116 vendas.

Entre as novidades técnicas está o sistema elétrico de 800 volts, já presente em modelos como Porsche Macan, Audi Q6, Zeekr 7X e GAC Hyptec HT. No GLA, ele permite recarregar até 270 km em apenas dez minutos. O modelo também traz o Assistente Virtual MBUX, alimentado por inteligência artificial generativa e integrado ao Google Maps, que funciona como apoio de navegação e entretenimento. Na condução, o modelo passa a oferecer a função capô transparente no modo Terrain, um sistema que projeta virtualmente o solo abaixo do carro, para facilitar a vida em trilhas e estradas de terra.

O design do novo GLA é um tanto conservador em relação à gama atual da marca. O conceito não inova em relação à tendência atual de SUVs compactos ao adotar linhas limpas e proporções mais largas e baixas, para ganhar um toque de esportividade. Entre os detalhes de sofisticação está a grade iluminada com mais de 600 pontos de luz e os elementos dos faróis em formato de estrela. A ideia foi criar uma identidade visual forte. A estética busca unir a tradição estilística da Mercedes com a linguagem mais tecnológica que tem sido reforçada pelas marcas chinesas, em que iluminação e superfícies minimalistas se tornam símbolos de sofisticação.

O GLA chega com três níveis de potência e autonomia. O GLA 200 tem 224 cv e bateria LFP de 58 kWh, com autonomia entre 394 e 447 km no ciclo WLTP. O GLA 250+ tem 272 cv, bateria NMC de 85 kWh e alcança até 657 km, também no otimista ciclo europeu. A versão mais completa é a GLA 350 4MATIC, com dois motores, 353 cv, tração integral e aceleração de zero a 100 km/h em 5,4 segundos. O SUV elétrico da Mercedes cresceu nas dimensões. No comprimento, são 3,2 cm a mais, com 4,44 m. A altura ganhou 1,4 cm e chega agora a 1,63 m, enquanto a largura foi ampliada em 1,6 cm, com 1,85. Mas onde houve maior ganho foi no entre-eixos, que passou de 2,73 m para 2,79 m. Já o porta-malas foi reduzido em 25 litros, para 410 litros, mas o frunk se manteve em 107 litros.

O interior foi redesenhado com foco em minimalismo tecnológico e funcionalidade. Nas versões de topo, o modelo traz o MBUX Superscreen, que ocupa todo o console frontal, com telas de até 14 polegadas para motorista e passageiro, sistema de som Burmester 3D com Dolby Atmos. Já o teto panorâmico é de série. O acabamento inclui materiais como alumínio escovado e fibras naturais, além de iluminação ambiente configurável em 64 cores. O volante multifuncional traz comandos táteis, o que em geral provoca acionamentos equivocados por serem muito sensíveis. Alguns elementos ajudam a incrementar o nível de conforto. Além do maior espaço, por conta do crescimento do entre-eixos, o modelo apresenta uma linha de teto mais alta e o teto panorâmico de série.

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