
Comprar um carro novo nos Estados Unidos pode ficar mais barato nos próximos anos. Essa é a promessa do governo Donald Trump ao anunciar a revisão das regras federais que definem o consumo médio de combustível dos veículos vendidos no país.
A mudança atinge diretamente os padrões que vinham sendo usados para estimular a produção de carros elétricos.
A proposta, apresentada neste mês pelo presidente e pelo secretário de Transportes, Sean P. Duffy, revoga normas adotadas na gestão de Joe Biden e projeta uma redução média de US$ 1.000 (cerca de R$ 5,4 mil) no preço dos veículos novos.
Segundo o governo, a revisão também pode gerar uma economia total de US$ 109 bilhões para os consumidores em cinco anos.
Batizada de “Liberdade Significa Carros Acessíveis”, a iniciativa altera os critérios do programa CAFE, que regula a eficiência média das frotas das montadoras.
Na avaliação da atual administração, os padrões anteriores extrapolaram a autorização do Congresso e funcionaram, na prática, como um incentivo indireto aos veículos elétricos, elevando custos para a indústria e para os compradores.
Revisão das regras e fim de incentivos indiretos
O Departamento de Transportes afirma que a proposta revoga parâmetros definidos pela gestão Biden-Buttigieg, classificados pelo governo Trump como ilegais.
O texto sustenta que as regras anteriores pressionaram as montadoras a acelerar investimentos em veículos elétricos, mesmo sem demanda suficiente por parte dos consumidores.
Um dos principais pontos da mudança é o fim, a partir do ano-modelo 2028, do sistema de créditos de eficiência de combustível.
De acordo com o governo, esse mecanismo sustentava artificialmente a indústria de veículos elétricos e distorcia a formação de preços no mercado.
A proposta também muda os padrões de consumo sem considerar a negociação desses créditos, o que altera a base de cálculo utilizada até agora para medir o desempenho das montadoras.
Economia projetada e impacto nos preços
Segundo a Administração Nacional de Segurança Rodoviária (NHTSA), a revisão regulatória pode gerar uma economia acumulada de US$ 109 bilhões (mais de R$ 600 milhões, na cotação atual) para os consumidores norte-americanos ao longo de cinco anos.
O cálculo leva em conta a redução de custos regulatórios que, segundo o governo, acabam sendo repassados ao preço final dos veículos.
A projeção oficial indica ainda uma queda média de US$ 1.000 (cerca de R$ 5,4 mil) no valor de um carro novo.
Para a NHTSA, preços mais baixos tendem a estimular a renovação da frota, com mais consumidores trocando veículos antigos por modelos mais recentes.
A proposta estabelece aumentos graduais nos padrões de eficiência até 2031.
Para carros de passeio, o crescimento previsto é de 0,5% até 2026, seguido de 0,35% em 2027 e 0,25% entre 2029 e 2031.
No caso das caminhonetes leves, os aumentos serão de 0,5% até 2026, 0,7% em 2027 e 0,25% a partir de 2029.Com essas regras, a NHTSA estima que a frota alcance uma média de 34,5 milhas por galão até 2031, o equivalente a cerca de 14,7 quilômetros por litro.
Segurança viária como argumento
O governo também associa a redução de preços a ganhos em segurança viária.
Segundo a NHTSA, veículos mais novos costumam incorporar tecnologias de proteção mais avançadas.
Com maior acesso a esses modelos, o órgão estima que mais de 1.500 vidas possam ser salvas e cerca de 250 mil ferimentos graves evitados até 2050.
O administrador da agência, Jonathan Morrison, afirmou que tornar os veículos novos mais acessíveis é uma forma indireta de tornar as estradas mais seguras.
A proposta será publicada no Federal Register, o Diário Oficial dos Estados Unidos, abrindo um prazo de 45 dias para comentários públicos.
O Departamento de Transportes informou que também será realizada uma audiência pública, ainda sem data definida.
A versão final das regras dependerá das contribuições recebidas durante esse processo.Até lá, o governo afirma que a revisão é uma das maiores ações de desregulamentação do setor automotivo no atual mandato de Donald Trump.