
A BYD registrou na China um pedido de patente para um sistema de baterias com refrigeração por imersão, no qual os módulos de células ficam mergulhados diretamente em um líquido especial. A proposta busca melhorar a transferência de calor e utiliza uma solução de engenharia para reduzir a pressão sobre as vedações que protegem os componentes elétricos.
O documento, identificado como CN 122868832 A, foi publicado em 5 de outubro pela Administração Nacional de Propriedade Intelectual da China (CNIPA). O pedido foi apresentado em março de 2025 e descreve um gabinete destinado a sistemas estacionários de armazenamento de energia, sem aplicação confirmada em automóveis.
A inovação está principalmente na organização interna do equipamento. Em vez de manter baterias e componentes elétricos no mesmo ambiente, a fabricante propõe dois compartimentos separados, um preenchido com fluido refrigerante e outro mantido seco.
Como funciona a refrigeração por imersão?
Nos sistemas convencionais, o líquido refrigerante circula por placas metálicas posicionadas próximas às células. O calor precisa atravessar diferentes materiais antes de alcançar o fluido responsável pelo resfriamento.
Na arquitetura proposta pela BYD, os módulos ficam diretamente submersos em um fluido dielétrico, material com propriedades de isolamento elétrico que permite retirar calor das superfícies em contato com o líquido.
O documento menciona formulações à base de hidrocarbonetos ou ésteres, diferentes dos líquidos convencionais utilizados em sistemas de refrigeração automotiva.
Essa disposição encurta o caminho percorrido pelo calor, mas também exige cuidados adicionais para impedir vazamentos e proteger conexões que não podem permanecer submersas.
BYD usa a própria pressão do líquido como solução
O gabinete descrito na patente possui dois compartimentos. Na região inferior ficam os módulos de bateria mergulhados no fluido. Acima deles estão os equipamentos elétricos, mantidos em um ambiente seco.
A principal solução envolve a passagem dos cabos de alimentação e comunicação entre essas áreas.
Em vez de instalar conexões próximas ao fundo do reservatório, a BYD direciona os cabos pela parte superior do compartimento preenchido com líquido.
A escolha considera a pressão hidrostática, que aumenta conforme a profundidade. Assim, uma vedação posicionada mais perto da superfície fica submetida a uma pressão menor do que outra instalada no fundo.
A arquitetura procura reduzir as exigências sobre as vedações e facilitar o isolamento entre os ambientes, sem eliminar a necessidade de impedir vazamentos.
O que muda em relação à bateria Blade?
A proposta também é diferente das tecnologias já utilizadas comercialmente pela BYD.
Nos sistemas estacionários MC Cube, a fabricante emprega baterias Blade integradas à arquitetura conhecida como cell-to-system. Já o MC Cube-T utiliza refrigeração líquida indireta, sem mergulhar os módulos no fluido.
A concorrente CATL também trabalha com refrigeração líquida em produtos como EnerOne e EnerC. Na bateria Qilin, desenvolvida para veículos, placas de resfriamento são incorporadas entre células adjacentes.
A principal diferença é que essas soluções mantêm o fluido circulando por estruturas específicas, enquanto a nova patente da BYD prevê contato direto com os módulos.
Tecnologia ainda não está prevista para carros
Apesar das possibilidades oferecidas pela refrigeração por imersão, a BYD não anunciou planos de produção ou aplicação da tecnologia em seus veículos elétricos.
O pedido de patente permanece em análise e trata especificamente de gabinetes para armazenamento estacionário de energia, utilizados em instalações industriais e sistemas conectados à rede elétrica.