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O melhor período da indústria nos últimos anos mostra que o futuro reserva avanços tecnológicos expressivos. Confira nossa análise

Goste você ou não, o futuro pertence aos carros híbridos e elétricos. É um caminho sem volta, tanto para bem do nosso ecossistema e quanto para o bolso. Mas apesar do Brasil ser um País acostumado com atrasos, podemos ver certa reação por parte das nossas autoridades e fabricantes para que mais um passo seja dado na direção de um futuro melhor para nossos sucessores.

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Com isso em mente, olhamos para trás e analisamos o retrospecto de 2017, que vai ficar com o melhor resultado em vendas de carros desde 2012. Precisamos olhar com otimismo para 2018 e acreditar que os incentivos ao setor realmente sejam concretizados. Por fim, para deixar este período de evolução para trás enquanto seguimos o nosso rumo para o futuro, enumeramos os avanços da nossa indústria quando tratamos de carros elétricos  e híbridos no Brasil.

Ter um Prius não é coisa de outro mundo

Toyota Prius: entre os carros elétricos e híbridos, tem bons números de vendas em 2017, superando até o Volkswagen Golf
Divulgação
Toyota Prius: entre os carros elétricos e híbridos, tem bons números de vendas em 2017, superando até o Volkswagen Golf


A maior das conquistas do Toyota Prius no Brasil foi ter superado o Volkswagen Golf nas vendas daquele mês. O modelo hatch vendeu 192 unidades, enquanto a Toyota viu 319 unidades do Prius deixando as concessionárias da marca. Veja o que isso significa, ainda mais com o peso que o Volkswagen Golf já teve no Brasil. Melhor ainda é entender que ter um Prius está bem longe de ser um bicho de sete cabeças. É praticamente o mesmo custo de um Corolla.

O Toyota Prius custa R$ 126.600, sendo R$ 10 mil mais caro que a versão topo de linha do Corolla. O custo das revisões, entretanto, está no mesmo patamar do sedã. A primeira revisão, dos 10 mil km, custa R$ 237,79. Com seis anos de uso, ou 60 mil km rodados, você terá pago R$ 4 mil cravados. Já o sistema híbrido conta com a garantia estendida de oito anos. Compreendem este sistema a bateria híbrida, sua unidade de controle, a unidade de controle de gerenciamento de energia e o motor elétrico. Convidativo, não? E se você morar em São Paulo, ainda ficará isento do rodízio municipal.

“Tá, mas e o seguro?”. Pois bem, ele está nos padrões do irmão Corolla. Em nossa simulação, o melhor valor é o da Seguradora Mitsui, com R$ 3.747 por doze meses contra colisão, incêndio e roubo. Consideramos um homem na casa dos trinta anos que guarda o carro na garagem, tanto em casa quanto no trabalho.

Golf em versões híbrida e elétrica

Pablo Di Si, novo presidente da marca no Brasil, anuncia a chegada das variantes híbrida e elétrica do Volkswagen Golf
Cauê Lira
Pablo Di Si, novo presidente da marca no Brasil, anuncia a chegada das variantes híbrida e elétrica do Volkswagen Golf

Além do Toyota Prius, outro híbrido vai ser vendido no Brasil em 2018. Na apresentação do novo sedã Virtus, o presidente da marca Pablo Di Si informou que o Golf terá versões híbrida e elétrica já em 2018. O executivo foi breve em sua declaração, e não especificou preços ou expectativas de venda.

Apesar do nome, o VW Golf GTE é uma variação híbrida do modelo convencional, equipado com motor 1.4 TSI. O carro desenvolve 201 cv de potência, sendo aproximadamente 50 cv apenas do motor elétrico. O e-Golf, por sua vez, é 100% elétrico, e desenvolve 136 cv de potência podendo chegar aos 137 km/h. Sendo o modelo mais econômico da linha Golf, a Volkswagen declara que a versão elétrica pode atingir 300 km de autonomia.

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As versões e-Golf e GTE fazem parte da estratégia da Volkswagen de lançar vinte carros novos no mercado brasileiro até 2020. O investimento em carros ecológicos também contribui para a renovação da imagem da VW, que esteve envolvida no caso de fraude no relatório de emissões conhecido como Dieselgate.

O Leaf vem depois

Nissan Leaf perde o design de monovolume e ganha caráter mais esportivo na nova geração que também virá ao Brasil
Reprodução/Newspress
Nissan Leaf perde o design de monovolume e ganha caráter mais esportivo na nova geração que também virá ao Brasil

Este também foi o ano da Nissan bater o martelo quando o assunto é híbrido e elétrico no Brasil. O Leaf estará nas ruas brasileiras em 2019, pegando carona no novo regime automotivo Rota 2030 que prevê redução de IPI para veículos híbridos e elétricos. Em sua nova geração, o Nissan Leaf surge com uma bateria de 40 kWh, proporcionando autonomia de 240 km. Há também a opção de 60 kWh, que chega aos 320 km de capacidade. Sua potência fica na casa dos 149 cv, com 32,6 kgfm de torque. A Nissan ainda não informou quais versões serão importadas para o Brasil.

O modelo chegou a aparecer por aqui como uma experiência da marca há alguns anos. Entretanto, apenas algumas unidades foram importadas, restritas para poucos taxistas e frota de imprensa. Este que vos escreve teve a oportunidade de dirigir uma delas em meados de 2015. Dessa vez, o Leaf virá para causar mais impacto no mercado brasileiro que sua geração anterior. Ainda é difícil estimar o preço do carro elétrico, uma vez que a Rota 2030 ainda não está valendo, mas podemos esperar algo na casa dos R$ 130 mil.

Kwid elétrico para países emergentes

Renault Kwid terá versões elétricas para países emergentes muito em breve, o que pode incluir o mercado brasileiro
Divulgação
Renault Kwid terá versões elétricas para países emergentes muito em breve, o que pode incluir o mercado brasileiro

Sempre que uma fabricante anuncia planos para países emergentes, o Brasil dificilmente fica de fora. A Renault prepara a versão elétrica do subcompacto Kwid para ser vendida, primeiramente na China e, depois, em países como Índia e Brasil, além do Oriente Médio, conforme disse o CEO da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, Carlos Ghosn, ao site americano Autonews.

Infelizmente, ainda não sabemos de detalhes sobre o Kwid elétrico, inclusive data de lançamento, estimativa de potência, autonomia, ou preço. Mas admitiram que o novo modelo será um elemento importante para a empresa atingir seus objetivos em mercados emergentes. Além disso, as experiências das três marcas da aliança serão aproveitadas no novo projeto.

A Rota 2030 está chegando

BMW i3 foi o modelo elétrico da marca que mais chamou a atenção no Brasil. Pode voltar a ser vendido no País em 2018
Divulgação
BMW i3 foi o modelo elétrico da marca que mais chamou a atenção no Brasil. Pode voltar a ser vendido no País em 2018

Tudo bem, os últimos meses não foram tão bons para o novo regime automotivo, mas vamos por partes. Se você ainda não é familiar ao termo “Rota 2030”, saiba que são uma série de medidas para o desenvolvimento do setor e estabelecer um planejamento de longo prazo que viabilize os tão necessários investimentos para que a indústria nacional se desenvolva como um todo.

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São várias as propostas apresentadas pela Anfavea ao Governo Federal, que se baseiam em nove pilares: recuperação da base de fornecedores, localização de tecnologia, relações trabalhistas, eficiência energética, pesquisa e desenvolvimento, segurança, inspeção veicular, logística e tributação. Além disso, estão estudando uma simplificação na cobrança de impostos e na redução de IPI de carros híbridos e elétricos que não são fabricados no Brasil.

Toyota C-HR continua sendo visto em testes nos arredores da fábrica de São Bernardo do Campo
Divulgação
Toyota C-HR continua sendo visto em testes nos arredores da fábrica de São Bernardo do Campo

Os planos esfriaram, e não há mais previsões de quando a Rota 2030 começará a vigorar para substituir o atual regime automotivo, o Inovar-Auto. Em praticamente todos os eventos de lançamentos que estive em 2017, o tema chegou a ser abordado com as autoridades das montadoras. Durante a Hybrid House da Toyota no Parque Villa-Lobos, executivos da marca confirmaram para nossa reportagem que o utilitário híbrido C-HR continua nos planos da Toyota para 2018, mas que a efetivação do projeto depende do novo regime automotivo.

O diretor da SsangYong, Marcelo Fevereiro, também relacionou os bons números do retorno da marca coreana à Rota 2030. De acordo com o executivo, isso ampliaria a competitividade de mercado da SsangYong, que tem o plano a longo prazo de se estabelecer no Brasil. Frédéric Drouin, presidente da Jaguar Land Rover, nos disse que a integração de novos produtos no Brasil para 2018 também depende do novo regime automotivo. A marca, entretanto, olha com otimismo para o futuro. Cruzem os dedos, caros leitores, pois 2018 será um dos anos mais importantes em toda história da nossa indústria. Não apenas para carros híbridos, mas para traçar o novo panorama do mercado brasileiro.