Modelo é o mais vendido do segmento por dois anos consecutivos, tem atributos para isso, mas já cabem melhorias mecânicas e estruturais

Honda HR-V EX ainda continua com aspecto arrojado, mas seu desenho já vai completar três anos sem mudanças
Carlos Guimarães/iG
Honda HR-V EX ainda continua com aspecto arrojado, mas seu desenho já vai completar três anos sem mudanças

Ele é líder de vendas entre os SUVs compactos com uma boa margem de segurança. De acordo com os números da Fenabrave (Federação dos Distribuidores de Veículos), são exatas 1.180 unidades de vantagem no acumulado dos dois primeiros meses de 2017 em relação ao segundo colocado, o Jeep Renegade. Então, eis pergunta que não quer calar: O que faz o Honda HR-V vender mais que os principais concorrentes no Brasil? Depois de usarmos o carro no dia a dia, vamos aos fatos para tentar responder. Mas, em linhas gerais, a receita do sucesso do carro é ser pelo menos razoável em todos os aspectos e ter bom valor de revenda. 

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Avaliamos a versão intermediária EX do Honda HR-V , cujo preço sugerido de R$ 93 mil inclui o nada empolgante câmbio CVT, que pode simular 7 marchas no modo sequencial. Funciona com o não tão moderno motor 1.8 flex, de 140 cv, que equipou o Civic da geração passada. O isolamento acústico também não é dos melhores, uma vez que basta acelerar um pouco mais para ouvir o ronco do motor invadindo a cabine, fora os ruídos que aparecem ao passar por buracos, nada raros nas ruas mal conservadas de São Paulo. Portanto, o conjunto do HR-V não tem nada de extraordinário. A questão é que ainda consegue se destacar na comparação com o dos rivais.

Rodando com o SUV da Honda no dia a dia, a impressão que fica é que o carro ainda pode melhorar bastante na parte mecânica e estrutural, embora consiga cumprir o seu papel dentro da sua proposta. O que mais agrada é que não se esqueceram de incluir vários dispositivos modernos de segurança entre os itens de série, como freio de estacionamento eletrônico com discos mas quatro rodas, controles de estabilidade e tração, ancoragem ISOFIX para cadeirinhas infantis, travamento das portas automático assim que o carro atinge 15 km/h, entre outros.

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A direção com assistência elétrica do HR-V mantém o mesmo nível razoável de funcionamento do resto da parte estrutural e mecânica. Funciona a contento, transmitindo o que acontece entre os pneus e o chão, mas poderia ser mais leve nas manobras na hora de estacionar para alegria das mamães que precisam cumprir a nobre tarefa de encontrar uma vaga (geralmente apertada) próxima do colégio dos filhos. No caso da suspensão, o acerto fica um pouco acima da média do resto do conjunto. Consegue aliar conforto e segurança, garantindo boa estabilidade nas curvas. Mas para um líder de vendas, como é o HR-V, a capacidade de absorver as irregularidades do piso poderia ser maior, haja vista as batidas secas que aparecem ao passar pelo piso lunar da maioria das ruas paulistanas.

Visto de traseira, o Honda HR-V tem como principal destaque as maçanetas das portas embutidas nas colunas
Carlos Guimarães/iG
Visto de traseira, o Honda HR-V tem como principal destaque as maçanetas das portas embutidas nas colunas

Bom mesmo são os freios, que sempre transmitem segurança, independente da situação, além de serem silenciosos e com uma bem acertada relação de desmultiplicação do hidrovácuo. Na prática, isso significa que fica fácil aplicar a força certa no pedal para manter o carro sob controle sem correr o risco de pisar mais o menos que o necessário. A visibilidade é outro ponto positivo ao dirigir o HR-V, tanto pela área envidraçada quanto pelo ângulo de visão dos retrovisores. Bom também é que a câmera de ré capta imagens em alta resolução que aparecem na tela de central multimídia no painel.

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Mais detalhes do HR-V

 Assim como por fora, o interior do SUV é arrojado. O alto console central é um dos destaques, mas acaba deixando meio escondidas as entradas USB e auxiliar. Tem três porta-objetos principais, sendo dois com tampa escamoteável, mas bem que pelo menos um deles poderia ser refrigerado e um pouco maior para poder levar uma garrafa d´água, por exemplo. Entretanto, todos os comandos estão bem localizados e são fáceis de serem acionados. Apenas a central multimídia poderia ser mais moderna, de melhor resolução e faltou um computador de bordo que informe autonomia. No caso da versão EX avaliada, os bancos não são revestidos de couro, mas o tecido é de bom gosto.

Não resta dúvida de que o Honda HR-V é um dos melhores SUVs compactos que temos no Brasil, embora a fabricante cobre um preço um pouco salgado por isso.  Entretanto, o carro é estiloso, seguro, bem equipado e tem bom espaço para cinco ocupantes e suas bagagens.  Mas já pede um motor mais moderno e eficiente e não é um dos modelos mais empolgantes de dirigir do segmento para quem espera uma pegada um pouco mais esportiva, até porque o CVT acaba atrapalhando na questão do desempenho. E de acordo com os números do Inmetro, o carro não chega a ser econômico, mas tem consumo dentro do aceitável no segmento.  Mais uma vez, mantém sua regularidade, mas precisa evoluir para continuar na liderança nas vendas.

Ficha Técnica

Preço:  R$ 93.000 (versão EX)

Motor: 1.8, 16V, quatro cilindros em linha, flex

Potência: 140 cv (E) / 139 cv (G) a 6.500 rpm 

Torque: 17,4 kgfm (E) / 17,3 (G) a 5.000 rpm 

Transmissão: Automático, CVT, simula sete marchas, tração dianteira

Suspensão: Independente, McPherson (dianteira)/ eixo de torção (traseira)

Freios: Discos ventilados (dianteiros) / discos sólidos (traseiros)

Pneus: 215/55 R17

Dimensões: 4,29 m (comprimento) / 1,77 m (largura) / 1,59 m (altura), 2,61 m (entre-eixos)

Tanque : 51 litros

Porta-malas: 437 litros

Consumo (gasolina): 10,5 km/l (cidade) / 12,1 km/l (estrada) 

Vel. Max: 175 km/h

0 a 100 km/h: 11 s

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