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Há modelos antigos, mas existem alguns mais loucos do que você pode imaginar. Esses vovôs, que são hoje, eram os astros do passado

Você já sonhou em ser piloto de avião mas o seu cotidiano e a infraestrutura das cidades não permitem que  pousem em estacionamentos de escritórios, shoppings e escolas? Com essa lista, a sua imaginação poderá se aproximar consideravelmente da realidade, mas você precisaria ser meio louco e ter muito dinheiro para comprar, manter e guardar carros insanos.

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Uns bonitos e outros bizarros, mas todos muito loucos. Veja a seguir cinco carros com motores grotescos de aviões e helicópteros, levando a engenharia, a genialidade e a criatividade humana ao limíte do possível.

1 - Tucker 48

O carro remete aos mafiosos de Chicago (EUA), como o Al Capone. Mas é, de fato, um marco na engenharia
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O carro remete aos mafiosos de Chicago (EUA), como o Al Capone. Mas é, de fato, um marco na engenharia

Esse clássico americano, de 1948, chegava aos 190 km/h com um motor de 6 cilindros em linha, usado a princípio em um avião chamado Franklin 6, que chegou a equipar até alguns Cesnas. A montadora desse carro, a Tucker, tinha experiência quando o assunto era ligado aos aviões, pois fabricaram vários entre 1940 e 1945, bem como tanques de guerra e canhões para o exército americano na Segunda Guerra Mundial.

Com o sonho de Preston Tucker (dono da empresa) de fabricar um carro que fosse seguro, rápido, baixo, comprido e com boa aerodinâmica, o modelo 48 estava anos à frente da concorrência em engenharia. Tamanho foi o impacto desse carro que o número de encomendas chegaram à casa dos 300.000 em um ano. O que se acredita é que as outras fabricantes , em acordo com o governo, conspiraram contra a imagem da Tucker, alegando que ele estava enganando todas essas pessoas. Daí a razão pela qual somente 51 unidades foram produzidas.

Em quinze anos de projeto, o carro recebeu diversas inovações como o design aerodinâmico desenvolvido pela indústria da aviação, além de apresentar uma segurança muito avançada para a época com cintos de segurança e compartimento deformável dos passageiros. O pára-brisas ficava encaixado sobre uma espuma de borracha, fazendo com que ele saltasse para fora do carro em caso de colisão. Este carro também possui um farol central que vira acompanhando a direção do volante, para iluminar nas curvas. As maçanetas internas do veículo ficavam para dentro das portas para evitar que seus ocupantes se machucassem em caso de acidente. O interior do carro era todo acolchoado, inclusive o painel. Além disso, o retrovisor interno era de plástico flexível. Será que havia uma preocupação com a segurança?

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 2- LOTUS 56

O inglês laranjão tinha tudo para surpreender nas pistas, tanto quanto outros turbinados no automobilismo
Divulgação
O inglês laranjão tinha tudo para surpreender nas pistas, tanto quanto outros turbinados no automobilismo

O carro foi produzido em 1968 para competir na Indy 500. Tinha tração nas quatro rodas e o motor que o equipava era uma turbina ST6 de cerca de 600 cv, em uma época em que os motores a pistão de competição geravam cerca de 450 cv (como o Cosworth DFV). Era compacto e não necessitava de radiadores, mas exigia tanques enormes de querosene nas laterais e uma assustadora saída de escape logo atrás da cabeça do piloto.

Como uma verdadeira cadeira elétrica, como eram os carros de corrida da época, o propulsor não possuía freio-motor. Na hora de parar, ele confiava em freios convencionais montados no chassi, em vez de na ponta dos eixos. Como o conjunto motriz também não tinha marchas, o piloto poderia acelerar com o pé direito e frear com o esquerdo, hábito que só iria se popularizar na geração atual de pilotos, criada à base de câmbio sequêncial. O carro fracassou com uma série de problemas mecânicos, bem como não retornou nunca mais após o fim dos motores a turbina das corridas.

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3 - Fiat S76

Quem vê os 1.0 da Fiat jamais pensa que ela um dia fez um 28,5 de 300 cv. Ele é um dos italianos mais extremos
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Quem vê os 1.0 da Fiat jamais pensa que ela um dia fez um 28,5 de 300 cv. Ele é um dos italianos mais extremos

Imagina um Fiat desses ao lado de um Mobi. Apelidado de “A Besta de Turim”, o carro foi produzido em 1911 e contava com um motor de quatro cilindros, de 28,5 litros, que produzia 300 cv. Apenas duas unidades do S76 foram produzidas pela fabricante italiana, que alcançou os 216 km/h, batendo o recorde de carro mais rápido do mundo antes pertencente ao Blitzen Benz, construído pela Benz & Cie, que estabeleceu a marca de 202 km/h em 1909.

O seu motor não equipou aviões, mas inspirou outras versões similares, que equiparam aeronaves feitas inclusive pela própria Fiat. Sua potência máxima, que era entregue às 1900 rpm, conferia bom empuxo quando era montado em aviões da época, muitos deles feitos em madeira e que usavam duas asas unidas por estruturas em coluna, em cada um dos lados. A aparição mais recente do italiano maluco foi na edição de 2014 do Goodwood Festival of Speed, restaurado com peças originais pouco tempo antes do evento.


4 - Sunbeam Mystery, ou “A Bala”

O Sunbeam Mystery é protótipo que em 1927 atingia velocidades de 327 km/h, o mesmo que um Porsche 911 Turbo
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O Sunbeam Mystery é protótipo que em 1927 atingia velocidades de 327 km/h, o mesmo que um Porsche 911 Turbo

Assim como “A Besta de Turim” da Fiat, “A Bala” foi feita para quebrar recordes. Nas mãos do lunático Henry Segrave, em Daytona Beach, o turbinado chegou a 327 km/h. Porque um motor “não é o suficiente”, ele conta com dois propulsores de avião, que combinados têm 44,8 litros e 900 cv. E isso em 1927!

O carro passou por horas e horas em testes no túnel de vento, para projetar a carroceria de modo que se mantivesse estável em altas velocidades, bem como não gerasse arrasto “segurando” o carro. Os motores, um deles instalado na traseira e o outro na dianteira, comprimiam o ar e expulsavam os gases pela parte de trás. Ao pisar no acelerador, as embreagens, que trabalhavam em conjunto por meio de um eixo, transmitiam todo o empuxo a uma caixa de câmbio de três velocidades.


5 - Bluebird CN7

Pode parecer uma nave espacial e correr feito uma, mas é um carro convencional, só que equipado com uma turbina
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Pode parecer uma nave espacial e correr feito uma, mas é um carro convencional, só que equipado com uma turbina

A sobremesa da lista é o mais insano que poderíamos citar. Antecedendo carros icônicos como o contemporâneo Thrust SSC, que em 1997 chegou à velocidade de 1.149,303 km/h, o vovô Bluebird-Proteus CN7 fazia bonito em 1964. Foi o detentor da maior velocidade em solo já atingida na época, com uma marca impressionante de 648 km/h. Segundo Donald Campbell, o objetivo era atingir 800 km/h, mas uma sucessão de acidentes comprometeu as condições para que atingisse essa marca.

Seu propulsor era uma turbina da Bristol-Siddeley Proteus, que entregava absurdos 4000 cv, ou duas vezes e meia a mais do que tem o Bugatti Chiron, um dos carros de produção mais potentes do mundo. Um sucessor estaria sendo formulado, para atualizar o conjunto do CN7, mas em 1967, Campbell faleceu em um acidente a bordo de um hidroavião.

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