Monza ganhava duas versões em 1982: básica e SL/E com as opções de motor, a 1.6 localizado transversalmente. Era disponibilizado tanto na versão a gasolina quanto a álcool.
Divulgação - Chevrolet
Monza ganhava duas versões em 1982: básica e SL/E com as opções de motor, a 1.6 localizado transversalmente. Era disponibilizado tanto na versão a gasolina quanto a álcool.

O Chevrolet Monza foi um fenômeno de vendas no Brasil durante os anos de produção, de 1982 a 1996 e o fruto deste sucesso rendeu o título de carro mais vendido nos três anos consecutivos 1984, 1985 e 1986. Mas por trás de toda esta receita de sucesso só veio a tona através de um nome, Adam Opel , um empreendedor no ramo de máquina de costura que resolveu investir em produtos mais promissores. A Opel A.G de 1862 então passaria a produzir em 1899 o primeiro veículo – o Opel Lutzmann - tornando-se uma das maiores fábricas automotivas de sua época.

Com a crise econômica dos anos 20, a Opel buscava uma sociedade com a General Motors, fortalecendo assim a sua imagem no mercado de veículos automotores. Apesar de aliar-se a maior montadora multinacional, a Opel mantinha total autonomia de seus produtos.

No ano de 1979, a General Motors estreava o projeto J (nome dado pela Opel durante os estudos do novo Ascona alemão). Com um mercado bastante favorável a alemã Opel, logo a marca se tornou uma das maiores fontes de renda no setor automobilístico e já havia fabricado diversos modelos de automóveis logo depois do primeiro modelo, o Lutzmann.

E foi neste período que a fábrica “Adam Opel AG” investiria em um novo projeto que posicionava entre o Kadett e o Opel Rekord , modelos que por aqui chegariam mais tarde pelo nome Chevette e Opala, respectivamente. Assim nascia o Opel Ascona, um veículo de tamanho médio com carroceria sedan de duas ou quatro portas. O Ascona foi um dos primeiros carros de porte médio da Opel. Foram lançados três séries entre elas: A (de 1970 a 1975), B (de 1975 a 1981) e C (de 1981 a 1988), o nosso Monza (foto abaixo).

Opel Ascona C, produzido entre 1981 e 1988 serviu de base para o nosso Monza.
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Opel Ascona C, produzido entre 1981 e 1988 serviu de base para o nosso Monza.

Além da esportiva versão 400 do Ascona , fabricado entre os anos de 1979 a 1981, a Opel também lançaria uma versão perua denominada de Voyage. O sucesso logo viria com as mais de 600 mil unidades produzidas, incluindo as três versões ofertadas para o mercado alemão. Por aqui, a crise do petróleo de 1973 adiaria o projeto do novo carro, um sedã de médio porte.

Mas logo depois, sem que ninguém esperasse, o futuro sedã da GM recuperou seu caminho e acabou sendo produzido em diversos países, o que garantiu à fábrica uma nova força para reinvestir em carros mundiais.

Em 1975 a Opel lançava a segunda geração do Ascona denominado como série “B” como ficou conhecida. O Opel Ascona B - o nosso futuro Monza - tinha linhas atuais para a época e aposentava de vez os ângulos retos da antiga geração.

Seis anos mais tarde, a Opel lançava o Ascona série C nas versões sedã com duas e quatro portas, perua e hatch de cinco portas (denominado de Cavalier), estas duas disponíveis apenas para o mercado britânico.

Em 1988, o Ascona era aposentado dando espaço ao Opel Vectra.

Lançamento do Monza no Brasil

Monza na versão básica não tinha frisos de porta.
Divulgação - Chevrolet
Monza na versão básica não tinha frisos de porta.

Em março de 1982, finalmente o Monza estreava no mercado brasileiro. Inicialmente ganhou as versões: básica e SL/E com as opções de motor, a 1.6 localizado transversalmente. Era disponibilizado tanto na versão a gasolina quanto a álcool.

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Porém, o desempenho do motor 1,6 litro de 73 cv na versão a gasolina (72cv na versão a álcool) era criticado, levando em consideração ao peso do carro: 1.035 Kg. Para acelerar de zero a 100 Km/h eram necessários longos 16 segundos.

Dois anos depois, o Monza consegue ser, pela primeira vez, o carro mais vendido no país e concorre com o VW Santana e o Ford Del Rey , este último lançado na versão quatro portas.

Foi a partir de 1981 que o Monza se consagrou desbancando até o próprio Chevette (campeão em 1983). Nesta linha, ele vinha com itens de conforto, que nem o Opala Diplomata oferecia, tais como controle dos vidros e travas, direção assistida, antena elétrica e ar condicionado. Em agosto daquele ano foi oferecida a opção do câmbio automático de três marchas. Um ano depois a GM incorporava algumas mudanças sutis como o aplique de spoiler dianteiro com novas entradas de ar, frisos inferiores neste, novos retrovisores, grade e lanternas traseiras. Na SL/E, fora as calotas totais que eram de série, podia-se optar pelas rodas de alumínio de aro 13 com pneus de aro 13 com pneus 185/70.

Chevrolet Monza S/R
Renato Bellote
Chevrolet Monza S/R

Em 1985 era adicionado a versão esportiva S/R para o Hatch que trazia uma aparência esportiva como por exemplo o aerofólio, pintura em preto abaixo do friso, spoiler dianteiro com faróis de neblina, bancos Recaro, rodas de aro 14 com pneus 195/60 e faixas vermelhas nos pára-choques e frisos laterais. Na parte mecânica foi introduzida um motor 1.8 S com dupla carburação e 106 cv a 15,3 kgfm de torque. O câmbio possuía relações mais curtas, conhecido como “Close Ratio”. Esta versão acelerava de zero a 100 Km em apenas 11 segundos cumpria a velocidade máxima de 180 Km/h.

Em 1987, o Monza na versão SL/E passava a ser equipado com o novo motor 2.0. Já o Monza S/R também passa a utilizar o novo propulsor de 2 litros. No ano seguinte, houve novas mudanças na linha Monza como o spoiler integrado ao pára-choque, faróis levemente maiores, novos frisos – agora maiores, grades e lanternas. E neste ano a GM adotava a sigla SL , substituindo a básica.

Internamente, um novo volante tinha cinco diferentes posições de regulagem de altura, atendendo aos proprietários de Monza antigo. Quanto aos faróis, estes agora possuíam temporizador.

Em 1989, o Monza Classic ganhava a sigla SE.
Reprodução - BCWS
Em 1989, o Monza Classic ganhava a sigla SE.

Em 1989, as versões Classic ganhavam a sigla “SE”. Era o grande sonho de consumo da classe média brasileira! Além de todos os acessórios do SL/E, o Classic SE distinguia-se pela pintura saia e blusa como opcional nas cores verde, azul e cinza. Vinha com todos os acessórios de época como ar condicionado, trio elétrico e o exclusivo computador de bordo de série, até então um item de luxo que nem mesmo os importados do mesmo ano tinham.

O Monza 500 E.F. (Emerson Fittipaldi), a série especial que vinha equipado com injeção eletrônica de combustível, além de computador de bordo e bancos de couro.
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O Monza 500 E.F. (Emerson Fittipaldi), a série especial que vinha equipado com injeção eletrônica de combustível, além de computador de bordo e bancos de couro.

A grande novidade para 1990 era o Monza 500 EF (Emerson Fittipaldi) , uma série especial que vinha equipado com a até então sofisticada injeção eletrônica de combustível, além de contar com computador de bordo e bancos de couro. O 500 EF vinha com injeção eletrônica do tipo LE Jetronic que aplicada ao motor 2.0, ampliava em até 116 cv. Internamente receberia diversos itens de luxo como estofamento forrado em couro, vidros escurecidos, trio e travas elétricos etc.

Monza SL/E
Renato Bellote/iG
Monza SL/E

Para 1991, a GM lançaria o novo Monza, agora com linhas mais atuais e de estilo mais limpo, aposentando os cromados que o contornavam as colunas das portas. A nova linha ficou conhecida como “Tubarão” pelo fato de a sua frente se assemelhar com o animal. Inicialmente a linha viria nas versões SL e SL/E e mais tarde Classic SE. Por dentro era o mesmo carro contando apenas com novos padrões de tecido, agora mais anatômicos.

Na versão Classic SE o painel digital de cristal líquido era opcional. A tampa traseira invadia até a área dos pára-choques que então estavam mais encorpados, formando um conjunto mais harmonioso. As lanternas eram em forma de trapézio e os faróis mais afilados para a nova linha. Mais tarde, o motor passava a vir com injeção eletrônica,  a mesma da série especial 500EF de 1990, com quatro bicos injetores e 121 cv (Classic SE 2.0 MPFI). Já em 1993 viria a adotar o sistema de injeção single point (um bico injetor) denominada EFI Eletronic Fuel Injection tanto no modelo SL/E como no Classic SE.

Com isso, a potência ficava na casa dos 116 cv, mas utilizando-se um sistema digital, ao contrário do MPFI. As rodas que equipavam a versão SL/E eram de 13 polegadas e na Classic SE de 14`.

Em 1992, a GM lançava a série exclusiva Barcelona em homenagem aos jogos olímpicos na cidade espanhola.
Reprodução
Em 1992, a GM lançava a série exclusiva Barcelona em homenagem aos jogos olímpicos na cidade espanhola.

Em 1992, a GM lançava a série exclusiva Barcelona em homenagem aos jogos olímpicos na cidade espanhola. O Barcelona vinha na cor prata, vinha com alguns itens a mais de conforto, além da motorização 1.8 e 2.0, ambas com injeção eletrônica EFI. Fora esta novidade, as demais versões não recebiam mudanças.

Um ano depois, o Monza ganhava leves mudanças na tampa traseira com aplique de um borrachão, e regulagens de altura de volante, ajuste de altura dos faróis, retrovisor fotocrômico. Neste ano a versão Classic vinha equipada com freio a disco nas  quatro rodas e com a opção de freios ABS (Anti Lock Braking System). Na nova linha 1993, o Monza era disponível em uma série especial 650, em razão das 650.000 unidades desde o lançamento do carro.

Em 1994, o Monza ganhava uma nova série exclusiva, a Club 2.0 EFI.
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Em 1994, o Monza ganhava uma nova série exclusiva, a Club 2.0 EFI.

Em 1994, a GM substituía as siglas SL e SL/E por GL e GLS , respectivamente. Nesse ano o Monza ganhava uma nova série exclusiva, a Club 2.0 EFI. Dois anos mais tarde, o último Monza GLS sai da linha de montagem para ser o último Monza produzido, perfazendo um toal de 857.810 veículos durante todos esses anos.

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