
A gigante chinesa de veículos elétricos BYD enfrenta uma crescente onda de insatisfação entre seus clientes em Mato Grosso do Sul, culminando em uma série de ações judiciais que expõem problemas recorrentes em seus carros elétricos e híbridos . As reclamações, que vão desde falhas em sistemas eletrônicos até graves problemas mecânicos, têm levado consumidores a buscar reparação na Justiça.
O levantamento de ações judiciais feito pelo portal Correio do Estado revela uma variedade de pedidos, incluindo desde o desfazimento do negócio com a restituição integral do valor pago, a substituição do veículo defeituoso por um automóvel novo e até indenizações por danos morais, buscando compensar os transtornos e prejuízos causados pelos problemas nos veículos.
Os casos expõem uma crescente frustração dos consumidores com a qualidade e a confiabilidade dos veículos da BYD, levantando questionamentos sobre os padrões de controle de qualidade da montadora chinesa e a eficácia de seus serviços de pós-venda no mercado brasileiro.
Problemas na chave eletrônica e ruídos no painel
O empresário José Rodolfo Gadotti, residente em Sidrolândia, ingressou com uma ação judicial solicitando a substituição de seu SUV BYD Song Plus GS DMi, a versão topo de linha do veículo híbrido, devido a persistentes falhas na chave eletrônica por aproximação, um sistema que deveria proporcionar praticidade e segurança ao proprietário.

O sistema, que utiliza a tecnologia NFC (a mesma dos cartões de crédito), deveria permitir a abertura e o fechamento do veículo com a simples aproximação do dono, desde que ele esteja com a chave habilitada em seu celular ou smartwatch, mas, na prática, o sistema se mostrou ineficiente e problemático.
Para agravar a situação, o veículo também apresentava ruídos no painel, um problema que, segundo relatos, tem afetado outros proprietários do mesmo modelo, levantando suspeitas sobre um possível defeito de fabricação ou falha no projeto do veículo.
As tentativas de solucionar o problema junto à concessionária da marca em Campo Grande e aos técnicos da montadora em São Paulo não deram resultados, mesmo após a realização de diversas ligações telefônicas, videochamadas e até mesmo a comunicação com a fábrica na China.
A paciência do empresário se esgotou quando as peças importadas da China, que prometiam solucionar o problema, foram trocadas e instaladas sem sucesso, levando-o a buscar seus direitos na Justiça, exigindo a substituição do veículo por outro com as mesmas características ou mais equipado, além de uma indenização de R$ 20 mil.
Ruídos, mau cheiro e motor fundido
O advogado Pedro Henrique Negrão Lourenço também enfrentou problemas com o mesmo modelo de SUV híbrido da BYD, o Song Pro GL DM, e busca na Justiça a devolução dos R$ 189,8 mil pagos pelo veículo, alegando defeitos no amortecedor esquerdo e ruídos no painel.
Após comunicar os problemas à concessionária, o veículo ficou inutilizado por quase 20 dias, sendo devolvido com o amortecedor substituído, mas com o ruído persistindo e um novo problema surgindo: um mau cheiro vindo do sistema de ar-condicionado.
Diante da persistência dos problemas e da falta de solução por parte da montadora, o advogado, que advoga em causa própria, decidiu acionar a Justiça, solicitando a devolução do valor pago e uma indenização de R$ 50 mil por danos morais.
O dentista Leonardo Corrêa Miranda teve uma experiência ainda mais dramática com sua picape híbrida BYD Shark, quando o motor a combustão sofreu um dano gravíssimo durante uma viagem, deixando-o na estrada e causando-lhe inúmeros transtornos.
Após dificuldades iniciais com a empresa e seu serviço de pós-venda, o problema só foi resolvido após a publicação de um vídeo no Instagram, que viralizou e atraiu a atenção da montadora, que propôs um acordo para desfazer o negócio, com cláusula de confidencialidade.
Apesar do acordo, a BYD contesta uma ação judicial movida pelo dentista, que cobra R$ 10 mil de indenização por danos morais, alegando que ele descumpriu a cláusula de confidencialidade ao buscar seus direitos na Justiça.
BYD se pronuncia
Em contato com o iG Carros, a BYD enviou seu posicionamento oficial sobre o caso, especificamente em relação ao levantamento feito anteriormente pelo Correio do Estado:
"A BYD esclarece que não foi procurada pelo jornal Correio do Estado para comentar esta reportagem antes de sua publicação. Até o momento, a informação oficial comunicada à BYD é de apenas três processos judiciais relacionados a veículos de passeio da marca no Mato Grosso do Sul, sendo que um deles já foi integralmente solucionado e apenas dois estão em andamento. Esse número representa apenas 0,4% do total de 700 veículos vendidos e emplacados no estado em 2024, evidenciando a baixa incidência de judicialização entre nossos clientes na região e desmentindo a observação de “várias ações judiciais” que aparece no texto do jornal.
Reforçamos o compromisso da BYD com a verdade e a transparência, e atuamos de forma responsável no relacionamento com todos os nossos clientes e parceiros em todo o país. A BYD está à disposição para sanar qualquer tipo de dúvida pelos canais da Central de Relacionamento, de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, pelo telefone (21) 3900-8070 ou pelo email cliente@byd.com", diz a nota da montadora.
A expansão da BYD no Brasil
Apesar dos problemas enfrentados com alguns clientes, a BYD continua investindo pesado no Brasil, com a construção de um complexo industrial na Bahia, que promete gerar milhares de empregos e impulsionar a produção de veículos elétricos e híbridos no país.
A empresa também planeja expandir sua rede de concessionárias e consolidar sua posição como fornecedora de soluções em mobilidade elétrica, buscando superar os desafios e conquistar a confiança dos consumidores brasileiros.