Toyota usa carrro da Ford em campanha contra violência doméstica
Divulgação/Ogilyv
Toyota usa carrro da Ford em campanha contra violência doméstica

Uma campanha publicitária da Toyota na Grécia ganhou repercussão internacional ao retratar a fuga de uma mulher vítima de violência doméstica em um Ford Fiesta, modelo de uma montadora concorrente.

Intitulado Escape Vehicle (“Veículo de Escape”), a publicidade busca mostrar o carro como instrumento de sobrevivência, independente da marca ou modelo. 

Criada pela agência Ogilvy Greece e dirigida por Argyris Papadimitropoulos, a peça tem cerca de 90 segundos e acompanha, em silêncio, a saída de uma mãe com a filha durante a madrugada.

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Uma campanha publicitária da Toyota na Grécia ganhou repercussão internacional ao retratar a fuga de uma mulher vítima de violência doméstica em um Ford Fiesta, modelo de uma montadora concorrente. Intitulado Escape Vehicle (“Veículo de Escape”), a publicidade busca mostrar o carro como instrumento de sobrevivência, independente da marca ou modelo. Criada pela agência Ogilvy Greece e dirigida por Argyris Papadimitropoulos, a peça tem cerca de 90 segundos e acompanha, em silêncio, a saída de uma mãe com a filha durante a madrugada. Apenas no encerramento surge a assinatura da Toyota, acompanhada da frase: “Não importa o carro que você dirige. Contanto que você vá embora”. 🔗 Veja as notícias do Portal iG e acesse o Canal do Whatsapp no Link da Bio 📲 📹 Reprodução / @toyota.hellas #PortaliG #toyta #ford #carros

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Apenas no encerramento surge a assinatura da Toyota, acompanhada da frase: “Não importa o carro que você dirige. Contanto que você vá embora”.

A escolha por um veículo da Ford faz parte da estratégia narrativa. Ao gerar confusão inicial no espectador, a campanha reforça a ideia de que, em situações de risco, a marca do carro é irrelevante diante da necessidade de escapar de uma relação abusiva.

Publicidade automotiva fora do discurso tradicional

Toyota usa carro da Ford em campanha contra violência doméstica
Divulgação/Ogilvy
Toyota usa carro da Ford em campanha contra violência doméstica

O Ford Fiesta Azul é usado claramente nas imagens com a logo da empresa estadunidense mostrada de forma explícita. É, de certa forma, o rompimento de uma convenção histórica da publicidade automotiva.

As propagandas do setor tem, como uma espécie de convenção histórica, exaltar a própria marca em atributos como desempenho, tecnologia ou status. Rivais só aparecem em easter-eggs para serem criticados (o famoso "shade").

Segundo os criadores, a decisão teve como objetivo retirar o automóvel do centro da comunicação e colocá-lo como meio, não como fim.

A Toyota Hellas também anunciou apoio financeiro à ONG Diotima, organização fundada em 1989 que oferece assistência jurídica e psicossocial gratuita a mulheres vítimas de violência de gênero na Grécia.

Toyota usa carrro da Ford em campanha contra violência doméstica
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Toyota usa carrro da Ford em campanha contra violência doméstica

De acordo com a ONU Mulheres, cerca de 60% dos feminicídios no mundo são cometidos por parceiros, ex-companheiros ou familiares. A cada 10 minutos, uma mulher é assassinada por alguém próximo.

No Brasil, os dados são ainda mais graves. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 indica que aproximadamente 80% das cerca de 1,5 mil mulheres mortas em 2024 foram vítimas de pessoas do círculo íntimo. 

A dependência econômica, o medo da denúncia e a fragilidade das redes de proteção ajudam a explicar por que muitas vítimas retornam ao convívio com o agressor.

Manifestações no Brasil cobram proteção efetiva

A discussão levantada pela campanha ocorre em meio a uma onda de mobilizações no Brasil.

No domingo (07), o Movimento Nacional Levante Mulheres Vivas realizou atos simultâneos em diversas cidades para denunciar o aumento dos casos de feminicídio e cobrar políticas públicas mais eficazes.

As manifestações ocorreram em capitais como São Paulo, no vão do Masp, e no Rio de Janeiro, no Posto 5, em Copacabana, além de cidades como Curitiba, Belo Horizonte, Manaus e Salvador.

Os protestos foram motivados por uma sequência recente de crimes de grande repercussão e pelo recorde de feminicídios registrado em 2024.

Representantes do movimento afirmam que a resposta estatal tem sido insuficiente, mesmo em casos nos quais as vítimas possuíam medidas protetivas ativas.

O endurecimento das penas, isoladamente, não tem efeito prático sem políticas de prevenção, acolhimento e autonomia financeira para as mulheres, como afirmam especialistas da área.

O que fazer em caso de violência doméstica

A orientação é que diante de violência ou ameaça, a prioridade deve ser a segurança imediata.

Sempre que possível, a vítima deve buscar um local seguro, como a casa de familiares, amigos ou equipamentos públicos de acolhimento.

A denúncia pode ser feita pelo telefone 180, Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas em todo o país e orienta sobre direitos, serviços e medidas protetivas.

Em situações de risco iminente, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190.

Registrar ocorrência, solicitar medidas protetivas e buscar apoio psicológico e jurídico são passos fundamentais para interromper o ciclo de violência.

Organizações da sociedade civil e serviços públicos oferecem atendimento gratuito e auxiliam mulheres a reconstruir autonomia e reduzir a dependência do agressor.

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