Volkswagen Fusca 1986
Divulgação/Volkswagen
Volkswagen Fusca 1986

O Dia Nacional do Fusca, celebrado em 20 de janeiro, funciona como uma espécie de “feriado afetivo” dos apaixonados pelo carro no Brasil. E, convenhamos, não é pouca coisa: é sobre o modelo que ajudou a consolidar a Volkswagen no País e virou referência de mobilidade para famílias, trabalhadores e até frotas.

O detalhe curioso é que a data virou símbolo por tradição e mobilização de clubes, mais do que por um marco exato de linha de montagem. Ainda assim, ela serve como gancho perfeito para revisitar por que o Fusca atravessou décadas e segue relevante, da rua ao colecionismo.

Um “carro do povo”

O Fusca chegou por aqui como Volkswagen Sedan  em uma linha de montagem improvisada em um Galpão alugado no bairro do Ipiranga, em São Paulo, num período entre 1953 e 1958.

Fachada do galpão da Volkswagen na Rua do Manifesto
Divulgação/Volkswagen
Fachada do galpão da Volkswagen na Rua do Manifesto

A  produção nacional veio só em 1959,  com a inauguração da fábrica na Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP). A fórmula era simples e eficiente para a época: motor traseiro refrigerado a ar, câmbio manual e tração traseira, com evolução de cilindrada ao longo dos anos.

Juscelino Kubitschek desfilou em um Fusca conversível na inauguração da fábrica da Anchieta em 1959
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Juscelino Kubitschek desfilou em um Fusca conversível na inauguração da fábrica da Anchieta em 1959

Essa simplicidade ajudou a explicar a longevidade. Em uma fase em que o Brasil ainda construía sua relação com o automóvel, o Fusca foi, por muito tempo, a resposta mais direta para “ter carro” na garagem. E virou liderança: ele ficou 23 anos no topo de mais vendidos no mercado.

1986: saiu de cena… mas não da cabeça do brasileiro

A primeira despedida veio em 1986, quando projetos mais novos passaram a ocupar o espaço de carro popular. Mas o Fusca já tinha virado muito mais do que um produto. Ele era personagem do cotidiano, do humor, das histórias de estrada e também do imaginário pop, reforçado no mundo inteiro por aparições icônicas no cinema.

Fusca Última Série 1986 é uma das versões mais requisitadas entre colecionadores e entusiastas do
Reprodução - Brunelli Veículos Antigos
Fusca Última Série 1986 é uma das versões mais requisitadas entre colecionadores e entusiastas do "besouro"


Mesmo fora de linha, o carro seguiu como “gente como a gente”: barato de manter, fácil de mexer, resistente a uma rotina dura. Não por acaso, ainda hoje ele aparece como carro de uso de muita gente, não só como peça de colecionadores.

O “Fusca Itamar” e a Série Ouro

A volta aconteceu em 1993, no embalo do programa do carro popular da época, e durou até 1996. Foi um retorno que misturou política industrial, apelo popular e nostalgia em tempo real.

Fusca Itamar
Volkswagen/Divulgação
Fusca Itamar


Na despedida final, a Série Ouro virou a moldura de colecionador para o fim da linha, com 1.368 unidades e detalhes específicos de acabamento. É o tipo de edição que explica por que o Fusca costuma ser tratado como capítulo à parte na história da VW no Brasil.

New Beetle e “Novo Fusca”: nostalgia com roupa moderna

Quando o Fusca voltou nos anos 2010, já era outra proposta. Primeiro, o New Beetle, nos final dos anos 90, ressuscitou o desenho como objeto de desejo, bem distante da ideia de carro popular. Depois, o Beetle de geração seguinte também foi vendido no Brasil, agora como Novo Fusca, por um período e saiu de cena novamente, reforçando que a “lenda” não tem substituição.

Volkswagen Fusca
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Volkswagen Fusca


Enquanto isso, o Fusca original já tinha encerrado sua história global em 30 de julho de 2003, no México, após mais de 21,5 milhões de unidades produzidas.


O Fusca ainda roda e ainda lota encontros

O mais interessante é que, no Brasil, ele nunca foi embora por completo. Dados do Denatran indicam que quase 2 milhões de Fuscas ainda circulam no País, com muitos proprietários mantendo o carro como transporte do dia a dia em deslocamentos curtos.

Em São Paulo, o retrato é ainda mais forte: um levantamento do Detran-SP aponta 650 mil unidades no estado, incluindo milhares já enquadradas como veículos de coleção.

VW Collection e a “certidão” da memória afetiva

É nesse ponto que o Fusca reaparece como protagonista de um novo tipo de desejo: o de preservar a história com registro oficial. No projeto Volkswagen Collection, a busca por certificados de clássicos virou termômetro de paixão antiga que não arrefece.

“O Fusca é, disparado, o clássico mais representativo quando falamos de memória afetiva no Brasil. Hoje, ele responde por mais de 49% dos Certificados emitidos pela Volkswagen do Brasil. Isso mostra o quanto as pessoas querem preservar essa história de forma oficial, com cuidado, orgulho e conexão emocional com o carro que marcou suas vidas. Queremos continuar incentivando a preservação e o carinho das pessoas com nossos clássicos”, afirma André Drigo, gerente executivo de Desenvolvimento de Veículos Completos, Protótipos e Clássicos da Volkswagen do Brasil.

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