Fábrica Volkswagen Anchieta
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Fábrica Volkswagen Anchieta

A pressão por carros mais econômicos no Brasil ganhou um novo capítulo em janeiro de 2026. O governo detalhou como montadoras e importadoras terão de comprovar, na prática, que os veículos novos vendidos no país estão ficando mais eficientes e menos poluentes.

O pacote está dentro do Programa Mover, que virou a principal bússola da política automotiva federal para os próximos anos. A ideia é mudar o padrão do mercado sem depender apenas de boas intenções, criando metas, prazos e checagem formal de resultados.

O que é o Mover e por que ele mexe no jogo

O Mover foi instituído pela Lei 14.902, de 27 de junho de 2024, e regulamentado pelo Decreto 12.435, de 15 de abril de 2025. Ele substitui a lógica de programas anteriores ao amarrar eficiência energética, redução de emissões, reciclabilidade e inovação tecnológica a regras mais claras para quem fabrica e comercializa veículos no Brasil.

Na prática, isso muda o “centro de gravidade” da indústria. Não basta ter um ou dois modelos eficientes na vitrine: o programa empurra as marcas a reequilibrar a gama inteira.

A virada do “tanque à roda” para o “poço à roda”

Um dos pontos mais importantes do novo desenho é a metodologia. O decreto estabelece metas de consumo e emissões e coloca no radar o ciclo “poço à roda”, que considera não só o uso do veículo, mas também etapas anteriores ligadas ao combustível ou à energia. Isso altera a leitura sobre o impacto real do carro, inclusive quando se compara combustão, híbridos e elétricos.

É justamente essa mudança que explica por que o governo fala em carros mais econômicos “nos próximos anos” como política pública e passa a avaliar o sistema como um todo.

Metas com calendário e cobrança que não é só discurso

O decreto que regulamenta o Mover estipula marcos e cronograma para eficiência energética. O próprio MDIC explica que a primeira etapa da meta é mantida até 1º de outubro de 2026, a segunda etapa deve ser cumprida até 1º de outubro de 2027 e, depois, a meta é mantida até 2031. O compromisso anunciado é chegar a uma redução média de 12% no consumo em relação aos veículos comercializados em 2022.

Esse desenho é o que dá “peso” ao ano de 2026. Ele é a ponte entre a regra que já existe no papel e a fase em que o setor precisa sustentar resultado por vários anos, o que tende a influenciar projetos, versões e motorizações que chegam às lojas.

A portaria de 2026 é o manual de como provar que cumpriu
Se o decreto é o mapa, a Portaria GM/MDIC nº 19, de 20 de janeiro de 2026, funciona como o manual. Ela estabelece a regulamentação complementar e define procedimentos para o cumprimento das metas de eficiência energética para veículos leves, deixando mais claro o que fabricantes e importadores precisam entregar em comprovação e rotinas.

No bastidor, isso tem efeito direto na tomada de decisão das marcas e vira item de conformidade, com risco regulatório se os números não se sustentarem.

Eletrificados ajudam, mas não dá para “resolver só com eles”

Um detalhe importante do texto é que não basta jogar uma quantidade de eletrificados na conta para “passar na meta”. O peso dessa compensação tende a cair com o tempo, o que obriga as montadoras a trabalhar também a eficiência dos modelos a combustão, que seguem como a maioria das vendas no país.

Em outras palavras, o recado para o mercado é simples: SUV mais pesado, motor mais forte e consumo alto passam a custar mais caro. Se continuar vendendo muito desse perfil, a marca vai precisar melhorar o restante do portfólio para manter a média sob controle.


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