Abordagem de trânsito durante fiscalização pode gerar dúvidas sobre retirada de insulfilm e direitos do motorista
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Abordagem de trânsito durante fiscalização pode gerar dúvidas sobre retirada de insulfilm e direitos do motorista

Durante uma blitz, um agente de trânsito pode obrigar o motorista a retirar o insulfilm do carro na hora? A situação costuma gerar dúvidas e até constrangimentos em abordagens pelo país. Embora a legislação permita multa e retenção do veículo quando a película está fora dos limites legais, o motorista não pode ser obrigado a arrancá-la imediatamente no local.


Segundo o advogado Antônio Carlos Morad, do escritório Morad Advocacia Empresarial, a atuação do agente tem limites claros previstos no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

“O agente de trânsito não pode obrigar o condutor do veículo a retirar o insulfilm ou as películas do carro durante uma blitz” , afirma.

De acordo com ele, quando a película está fora dos padrões de transparência permitidos pela legislação, a infração é considerada grave e pode gerar multa, além da retenção do veículo até a regularização.

O que diz o artigo 270 do CTB

O Código de Trânsito Brasileiro prevê, no artigo 270, que veículos com irregularidades podem ser retidos até que o problema seja corrigido . Isso significa que o agente pode impedir a circulação do carro até que a situação seja regularizada.

Na prática, porém, existem diferentes caminhos para resolver o problema. Um deles é permitir que o motorista regularize o veículo posteriormente.

Antônio Carlos Morad, advogado do escritório Morad Advocacia Empresarial, comenta direitos do motorista em abordagens sobre insulfilm
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Antônio Carlos Morad, advogado do escritório Morad Advocacia Empresarial, comenta direitos do motorista em abordagens sobre insulfilm


“O agente pode aplicar a multa e determinar que a película seja retirada dentro de um prazo” , explica Morad.

Outra possibilidade é o próprio condutor optar por retirar a película no local para evitar que o veículo seja retido.

“Se o condutor quiser retirar a película ali mesmo, ele evita a retenção do veículo. Mas em hipótese alguma ele é obrigado a fazer isso” , destaca o advogado.

Além disso, fatores operacionais também influenciam a decisão das autoridades durante a fiscalização.

“Hoje muitos pátios estão lotados, e apreender um veículo envolve uma burocracia grande. Por isso, muitas vezes o agente aplica a multa e determina que a irregularidade seja corrigida depois” , afirma.

Como funciona a regra de transparência

A legislação brasileira estabelece limites mínimos de transparência para vidros automotivos. Nos vidros laterais dianteiros e no para-brisa, a transmissão luminosa mínima deve ser de 70%.

Na prática, isso significa que a película não pode bloquear mais do que cerca de 30% da luz nesses pontos, considerados essenciais para a visibilidade e a segurança na condução.

Segundo Morad, a fiscalização desse limite não pode ser feita apenas por avaliação visual.

“Não pode ser simplesmente no olhômetro. Essa verificação precisa ser feita com equipamento específico” , explica.

Sem a medição adequada, segundo ele, fica difícil comprovar tecnicamente que a película está fora dos padrões estabelecidos pelas normas de trânsito.

Segurança e uso popular das películas

O uso de películas mais escuras também está relacionado à percepção de segurança entre motoristas. Muitos condutores optam por esse recurso para dificultar a visualização do interior do veículo.

“O cidadão muitas vezes se sente mais seguro com uma película mais escura, inclusive antivandalismo” , afirma Morad.

Segundo ele, o uso disseminado do insulfilm também acabou se tornando um costume no país.

“Muitos veículos no Brasil andam com películas escuras. Isso acabou virando um costume, e o costume também tem relevância no direito”, diz.

O que fazer em caso de abuso

Caso o motorista se sinta coagido ou constrangido durante uma abordagem, a orientação é manter a calma e agir com respeito, mas também registrar o ocorrido.

“O cidadão não pode ser constrangido em hipótese alguma. Se houver abuso, ele pode registrar a abordagem e denunciar” , afirma Morad.

Nesses casos, o ideal é anotar informações da viatura ou do agente responsável e formalizar a reclamação junto aos órgãos competentes.

Para especialistas, conhecer as regras sobre películas automotivas e os direitos durante uma fiscalização é fundamental para evitar conflitos e garantir que a abordagem ocorra dentro dos limites da lei.


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