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O Corolla é o símbolo da resistência à febre dos utilitários esportivos. Cruze Sport6, Golf e cia são o oposto

Sétimo carro mais vendido desde janeiro, o Toyota Corolla é um exemplo de como os sedãs médios ainda tem a preferência do público, mesmo com o crescimento do SUVs
Divulgação/Toyota
Sétimo carro mais vendido desde janeiro, o Toyota Corolla é um exemplo de como os sedãs médios ainda tem a preferência do público, mesmo com o crescimento do SUVs

Quando os novos SUVs compactos como Honda HR-V e companhia chegaram com preços na faixa de R$ 80 mil, muitos acharam que seria um ataque direto aos sedãs médios, como Toyota Corolla e Honda Civic. Depois veio o Jeep Compass, de porte médio, e lá vieram mais comparativos com as versões topo desses sedãs. Pois saiba que as vendas dos sedãs médios vão muito bem, obrigado, apesar da crise econômica e da invasão de SUVs.

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Se os sedãs médios estão bem, o mesmo não se pode dizer dos hatches médios, que se transformaram num nicho de mercado. Até a metade de maio, apenas 6 mil modelos dessa estirpe foram emplacados no Brasil, somados Chevrolet Cruze Sport6, VW Golf, Ford Focus, Peugeot 308 e até um rescaldo dos finados Fiat Bravo e Hyundai i30. É a mesma quantidade que emplacou sozinho o Chevrolet Cruze sedã. O Civic vendeu quase o dobro disso (11 mil) e o líder Corolla, mais que o triplo (quase 21 mil).

Basicamente, o que diferencia um sedã médio de um hatch médio é o porta-malas saliente. Perde-se em espaço no hatch, ganha-se em estilo e esportividade. E aí está a chave que explica o fenômeno: estilo e esportividade, no momento atual, estão fortemente associados aos novos SUVs . De quebra, esses modelos ainda remetem a aventura, robustez e posição elevada ao volante (sensação de segurança).

Os sedãs, por sua vez, não tiveram seu principal atributo atacado pelos jipinhos. Poucos deles têm porta-malas que empolguem na comparação com os dos sedãs. No caso do Jeep Renegade, um dos símbolos dessa nova era de sucesso dos SUVs, o porta-malas pequeno é o calcanhar-de-aquiles.

A maior parte dos clientes do SUVs saíram dos sedãs compactos e pequenos
Divulgação
A maior parte dos clientes do SUVs saíram dos sedãs compactos e pequenos

Então não há donos de sedãs migrando para SUVs? Sim, mas a maioria vem de sedãs menores, como Honda City, Fiat Grand Siena, Ford Fiesta, Chevrolet Prisma, VW Voyage. Alguns donos de Civic migraram para o HR-V, é verdade, mas por conta do fator novidade e da fidelidade à Honda. O Corolla, se perdeu clientes, foi por exceção.

Por falar em Corolla, ele merece um estudo à parte. Resistiu bravamente à invasão dos SUVs e à chegada das novas gerações dos rivais Civic e Cruze. E isso num segmento superpovoado, que ainda tem VW Jetta, Audi A3 Sedan, Ford Focus, Citroën C4L, Nissan Sentra, só para citar os que já venderam mais de 1.000 unidades em 2017.

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O Corolla tem duas grandes vantagens aos olhos de seus clientes. A marca Toyota traz confiança na hora da compra, do uso e da revenda. A rede trabalha de forma exemplar em todas as etapas, e sabe como ninguém dar a devida atenção a esses exigentes clientes. Nem mesmo a chegada do Etios à rede, de perfil mais popular, conseguiu baixar o excelente nível de atendimento nas lojas e oficinas da marca. A outra vantagem é o conservadorismo de seu público, e isso não é uma crítica. Claramente, existe um tipo de cliente que prefere discrição e previsibilidade. O Corolla se encaixa como uma luva para este perfil.

Pode parecer surpreendente o novo Civic vender pouco mais da metade do Corolla. Mas o Civic fez uma opção por linhas muito mais esportivas. O carro é excelente, mas o excesso de jovialidade parece não ter agradado àquele consumidor que costumava fazer um rodízio entre Civic e Corolla, buscando sempre o mais atualizado. Ou seja, o Civic buscou um público mais jovem, num momento em que há um excesso de oferta de modelos com esse perfil, e aí entram os SUVs mais descolados.

Menos de 1,5% do mercado

Antigo líder dos hatches médios, o Hyundai i30 é o exemplo de como o mercado encolheu, deixando de ser importado pela CAOA
Divulgação
Antigo líder dos hatches médios, o Hyundai i30 é o exemplo de como o mercado encolheu, deixando de ser importado pela CAOA

Quanto aos hatches médios , o cenário é de terra arrasada, e sem perspectivas de melhora. Os volumes de venda atuais não justificam investimentos nesse tipo de carro no país. A Fiat tirou de linha o Bravo, e não vai se aventurar nessa praia tão cedo com seu sucessor, o Tipo italiano. A Hyundai não tem planos para o novo i30. Nissan e Citroën abandonaram a categoria, e a Peugeot traz o 308 a conta-gotas.

O destino deste segmento é viver de modelos vindos da Argentina ou do México, em volumes cada vez mais reduzidos. E pensar que nos anos 90 o Golf e o Audi A3 eram sonho de consumo... O mercado brasileiro mudou e, ao contrário do sedãs médios , os hatches médios perderam o encanto, embora sejam excelentes em dirigibilidade. Hoje em dia eles passam longe da lista de opções mais consideradas. São escolhidos por apenas 1 em cada 100 consumidores.

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