Campos de Provas da Ford - Tatuí-SP
Divulgação / Ford
Campos de Provas da Ford - Tatuí-SP

Durante décadas, o Campo de Provas da Ford em Tatuí, no interior de São Paulo, foi um lugar cercado por sigilo. É ali que a marca desenvolve e valida veículos antes de chegarem ao mercado, em um ambiente normalmente restrito aos engenheiros da empresa. Agora, pela primeira vez, esse espaço ganha uma função diferente: servir de laboratório para quem pode desenhar o futuro da indústria automotiva. Entre hoje, quarta, 29, até domingo, 2 de agosto, o Centro de Desenvolvimento e Tecnologia da Ford recebe a 22ª Competição Fórmula SAE Brasil, reunindo cerca de 1.600 estudantes de engenharia de 66 universidades do Brasil, Argentina e Uruguai.

Fórmula SAE - Campo de Provas da Ford - Tatuí-SP
Divulgação / Ford
Fórmula SAE - Campo de Provas da Ford - Tatuí-SP

Mais do que uma disputa entre carros construídos por universitários, o evento representa uma aproximação inédita entre a academia e uma das maiores estruturas de engenharia automotiva da América do Sul. A decisão da Ford chama atenção por um motivo simples: é a primeira vez que uma montadora abre oficialmente seu centro de desenvolvimento para sediar uma competição desse porte. Em vez de utilizar apenas autódromos ou áreas adaptadas, os protótipos serão avaliados nas mesmas pistas onde passam veículos de produção da marca, incluindo trechos de alta velocidade, curvas de baixa aderência e áreas específicas para testes de dinâmica veicular. Essa experiência faz diferença, afinal, a Fórmula SAE vai muito além da velocidade.

Fórmula SAE - Campo de Provas da Ford - Tatuí-SP
Divulgação / Ford
Fórmula SAE - Campo de Provas da Ford - Tatuí-SP

Os estudantes precisam projetar, construir e apresentar um carro completo, defendendo soluções de engenharia, custos, cronograma, marketing e desempenho. Na pista, entram em cena provas de aceleração, frenagem, skid pad, autocross e enduro, simulando desafios semelhantes aos enfrentados pelas equipes de desenvolvimento das montadoras. Outro aspecto interessante desta edição é a presença de protótipos movidos por célula de combustível a hidrogênio, dentro do programa internacional Student H2 Challenge. A iniciativa mostra que a competição também acompanha as transformações da indústria, abrindo espaço para tecnologias que ainda começam a ganhar escala no setor automotivo.

Engenharia brasileira em evidência

A abertura do Centro de Desenvolvimento e Tecnologia da Ford em Tatuí também reforça um aspecto pouco conhecido pelo público. Mesmo sem produzir automóveis no Brasil, a Ford mantém no país uma das operações globais mais importantes de desenvolvimento de produtos. A engenharia brasileira, distribuída entre Salvador (BA) e Tatuí (SP), reúne mais de 1.500 profissionais e participa do desenvolvimento de tecnologias utilizadas em veículos vendidos em diversos mercados. Segundo a empresa, a operação responde por aproximadamente um terço das funcionalidades desenvolvidas globalmente pela marca, além de exportar serviços de engenharia para outras unidades da companhia.

Centro de Desenvolvimento e Tecnologia da Ford - Tatuí-SP
Divulgação / Ford
Centro de Desenvolvimento e Tecnologia da Ford - Tatuí-SP







“A Ford é a primeira montadora no Brasil a abrir oficialmente o seu centro de desenvolvimento para sediar uma competição da SAE”, diz Alex Machado, diretor de Desenvolvimento do Produto da Ford América do Sul. “Essa ação faz parte da nossa cooperação com universidades para promover a formação profissional e dar uma oportunidade de ingresso na carreira a novos talentos de engenharia.”


Festival para os apaixonados por carros

O encerramento da competição, no domingo, também terá atrações voltadas ao público. O chamado Festival Ford reunirá exposição de dezenas de modelos dos clubes do Mustang e da Ranger, desfile dos veículos na pista, demonstrações de performance, visitas ao campo de provas, food trucks e venda de produtos oficiais da marca. Será uma oportunidade rara de conhecer por dentro um dos centros de engenharia mais importantes do País — um lugar que normalmente permanece longe dos olhos do público e que, por alguns dias, trocará o silêncio dos testes confidenciais pelo entusiasmo de futuros engenheiros e apaixonados por automóveis.


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