Benê Gomes

Honda Prelude volta ao Brasil e sem invadir o espaço do Type R

Apresentado oficialmente no Festival Interlagos 2026, cupê híbrido de R$ 380 mil é opção em um segmento esquecido, o dos modelos gran turismo

Honda Prelude
Foto: Divulgação
Honda Prelude

Sucesso por aqui nos anos 1990, o Honda Prelude está de volta ao Brasil. Indo além da reconhecida fama em nosso país, esse retorno merece atenção também por representar um respiro fora do mar de SUVs que dominam o mercado nacional. A Honda, que também tem sua linha de utilitários esportivos e já trouxe um esportivo raiz para o nosso mercado — o Civic Type R — resolveu importar do Japão um cupê baixo, largo, com duas portas e proposta esportiva, mas que pode ser usado como carro de rotina. Apresentado oficialmente no Festival Interlagos 2026, ele chega em versão única por R$ 380 mil.

Honda Prelude
Foto: Divulgação
Honda Prelude

Não será um carro de grande volume e a Honda nem tem essa pretensão. A importância do Prelude está mais ligada a um dos objetivos da marca neste momento: ter um produto que desperte desejo em seus clientes, indo além da reconhecida imagem da fabricante de modelos confiáveis, com bom valor de revenda e que dificilmente visitam oficinas. Mas vale reforçar: o Prelude não é um esportivo radical, tanto é que traz características marcantes de conforto, silêncio a bordo e facilidade de uso.

Foto: Divulgação
Honda Prelude


Oferece bancos revestidos em couro e tecido,  carregador de celular por indução, painel digital de 10,2 polegadas e central multimídia de 9 polegadas com Google integrado, Apple CarPlay e Android Auto. O sistema de áudio é refinado, assinado pela Bose e composto por oito alto-falantes. Há também recursos de segurança e assistência à condução, como controle de velocidade adaptativo, assistente de permanência em faixa, alerta de ponto cego e monitor de tráfego cruzado traseiro, entre outros.

Foto: Divulgação
Honda Prelude











Propulsão híbrida

O Prelude utiliza um sistema de propulsão híbrido, formado pelo motor 2.0 a gasolina, de ciclo Atkinson, e dois motores elétricos. O conjunto entrega potência total de 203 cavalos e torque de 32,1 kgfm. No funcionamento cotidiano, o cupê é movimentado prioritariamente pelo motor elétrico, enquanto o propulsor a combustão trabalha para gerar energia. Em determinadas condições, principalmente em velocidades constantes, o motor a gasolina pode ser conectado às rodas e ajudar na tração.

Foto: Divulgação
Honda Prelude


Outra característica de destaque  é que o Prelude não conta com uma transmissão tradicional acoplada ao motor. Em seu lugar, a Honda utiliza o sistema batizado de S+ Shift, que cria eletronicamente a sensação de trocas de marcha, coordenando a rotação do motor, a resposta do acelerador, o painel e o som. A proposta é entregar um comportamento suave e confortável no trânsito urbano, mas que pode mudar na estrada, com respostas vigorosas e uma atmosfera esportiva acentuada pelos recursos que simulam o ronco do motor e trocas rápidas de marcha.

Foto: Divulgação
Honda Prelude

Para contribuir com esse comportamento, o Prelude conta rodas de 19 polegadas, aerodinâmica trabalhada e soluções vindas do Civic Type R. Entre elas estão a suspensão dianteira de duplo eixo, os amortecedores adaptativos e os grandes freios Brembo, com discos dianteiros de 350 milímetros. É uma estrutura robusta, que pode até ser considerada exagerada para a potência disponível no cupê, mas que reúne os recursos necessários para proporcionar precisão e qualidade de condução.

Foto: Divulgação
Honda Prelude


No Brasil, o Prelude chega sem concorrentes absolutamente diretos. Pode ser comparado ao BMW Série 2, que tem preço próximo na versão 220 M Sport Gran Coupé, mas que conta com quatro portas e proposta bastante voltada ao luxo. Depois, ainda com base no valor, o olhar do consumidor brasileiro certamente será influenciado nessa comparação por um modelo como o Toyota GR Yaris, que custa a partir de R$ 354.990, mas é menor e apresenta proposta diferente, inspirada no universo dos ralis, e tem produção limitada para o mercado brasileiro.

Foto: Divulgação
Honda Prelude


O Prelude tem garantia de seis anos sem limite de quilometragem, sendo que a bateria e os demais componentes elétricos contam com cobertura de oito anos ou 160 mil quilômetros. Talvez o maior desafio agora seja administrar as expectativas criadas pelo nome, pela aparência e pela herança técnica do Type R. Porém, quem conseguir enxergar nele as boas características de um GT híbrido, planejado para combinar eficiência, precisão e praticidade no uso cotidiano, certamente vai encontrar bons motivos para levar um para casa.

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG