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Um dos exemplos, dentre os desafios, é o lobby das montadoras. Veja como isso acontece e os outros obstáculos para os carros elétricos

A Fórmula E é o maior laboratório para os carros elétricos
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A Fórmula E é o maior laboratório para os carros elétricos

Economizar combustível ou salvar o meio ambiente. Seja qual for o objetivo, os híbridos ou carros elétricos são mais do que o futuro, já são o presente. O Governo brasileiro sinalizou, recentemente, que o IPI dos carros elétricos irá cair de 25% para 7%. O lobby de montadoras mais avançadas neste assunto parece ter surtido efeito. O imposto pago será o mesmo dos carros populares.

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Mas este não é o único sinal do avanço dos carros elétricos . Existe uma categoria do automobilismo que aponta por esse caminho. Ela surgiu em 2014 e teve apenas três temporadas. Quem não acompanha corridas dificilmente será capaz de citar pelo menos um dos últimos campeões. E olha que a lista tem dois brasileiros, Nelsinho Piquet e Lucas Di Grassi. Obviamente, estou falando da Fórmula E, que esta semana apresentou o carro que será usado na temporada 2018/2019.

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Chevrolet Bolt EV deve chegar este ano ao Brasil
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Chevrolet Bolt EV deve chegar este ano ao Brasil

O design futurista impressiona, mas o que interessa mesmo é o que move o monoposto. Esta segunda geração vai armazenar mais energia e não será mais necessária a troca de carro durante a corrida. A primeira prova da atual temporada foi disputada em Hong Kong, na China, numa pista de rua de 1,8 km. Foram completadas 43 voltas num total de 77 quilômetros percorridos. O novo carro promete ter autonomia para toda corrida. Parece pouco, mas não devemos esquecer que ele deve ultrapassar os 300 km/h e o consumo de energia é grande.

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É um considerável avanço. A categoria que leva o selo da FIA tem atraído o interesse das montadoras. A Audi já era uma velha conhecida da competição, a BMW também chegou com a parceria com a Andretti, assim como a Citroen junto a Virgin Racing, a Jaguar virou equipe, a exemplo da Renault. E a Mercedes analisa a possibilidade de entrar mesmo dominando a prima famosa, Fórmula 1.

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Mercedes-Benz B-Class Electric será uma opções de marca premium
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Mercedes-Benz B-Class Electric será uma opções de marca premium

Por que tanta gente interessada? A resposta é simples: a FE se apresenta como o maior laboratório atual para o desenvolvimento de elétricos. A Fórmula 1 nunca pode ser esquecida. Mas com motores, ou melhor, unidades de potência cada vez mais complexas, tem sido difícil participar da brincadeira. Para qualquer montadora entrar no grid é preciso desembolsar uma verdadeira fortuna correndo o risco ainda de virar um fiasco, como aconteceu nos últimos anos com a Honda.

A urgência das montadoras é explicada, principalmente, quando pensamos no mercado europeu. Não é novidade que a Alemanha pretende eliminar os motores a combustão até 2030. São apenas doze anos para concretizar essa mudança. O Reino Unido anunciou que irá eliminar a venda de carros novos movidos a gasolina e diesel a partir de 2040. Apenas promessas ou realidade? Difícil prever, mas é um movimento mundial nesse sentido.

Só que no Brasil a discussão não é tão simples. Por aqui, a opção elétrica esbarra numa realidade de instabilidade do planejamento energético brasileiro que envolve até o sistema de bandeiras tarifárias (verde, amarela e vermelha). Taxas extras são cobradas nas contas em função das condições de geração de eletricidade. Nos últimos anos, a falta de chuva trouxe grande preocupação em centro urbanos e até racionamento foi discutido.

Há iniciativas de postos de abastecimento de eletricidade no Estado de São Paulo ainda num estágio embrionário. Eles seriam fundamentais já que a autonomia dos elétricos não é grande e nesses locais a recarga seria mais rápida devido a alta voltagem. Em tomadas “comuns” são necessárias mais horas. A capital paulista também aprovou a isenção de IPVA até determinado valor de veículo e a liberação de circulação nas zonas de rodízio.

São os primeiros passos rumo ao futuro, mas por enquanto, parece que a opção brasileira mais viável são mesmo os veículos híbridos que funcionam com um motor elétrico recarregável automaticamente e outro convencional a gasolina.

O Toyota Prius é um dos mais populares mesmo custando R$ 126.200. Ele combina um motor elétrico com outro a gasolina 1.8. Em 2018, a marca japonesa deve lançar um Prius híbrido flex e também o Corolla híbrido.

A General Motors já testa o elétrico Chevrolet Bolt e promete colocar no mercado ainda em 2018. O Bolt EV, cem por cento elétrico, é um dos veículos mais rápidos do segmento. Tem um motor elétrico de 200 kW e uma autonomia de até 300 quilômetros. E até o mercado premium mira esse público com o Mercedes-Benz B-Class Electric e a BMW I X3.

Seja nas pistas de corrida, como laboratório, ou com testes e avaliações dentro das fábricas mesmo, quase todos parecem fazer a lição de casa. Sabem que atualmente não devem apostar todas as fichas nos carros elétricos, mas seria um erro fatal desprezá-los.

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