Triumph Tiger T100 de 1947, além de veloz e competente, era também uma das mais bonitas
Arquivo pessoal
Triumph Tiger T100 de 1947, além de veloz e competente, era também uma das mais bonitas


Em seu triunfal retorno ao sucesso, a Triumph – com perdão do trocadilho –, apostou firme em sua história e manteve em suas motocicletas atuais os mesmos nomes que ficaram famosos a partir dos anos 30. Quem é que não reverencia uma “Tiger” nos dias de hoje? E mais ainda, a Bonneville T100, que já tinha, nos anos 50, o mesmo aspecto que a atual.


Mesmo sem conhecer o passado dessa centenária marca inglesa, hoje os motociclistas mais jovens compram uma Triumph pela qualidade e pelo desempenho de seus modelos, alinhados com as melhores marcas do mundo. É que as Triumph já foram as rainhas das ruas e das pistas, isso até os anos 60, quando começou a “invasão” japonesa. Antes disso, as motocicletas inglesas, em especial a Triumph, eram as mais desejadas.

A Triumph surgiu em 1902, fabricando por muito tempo apenas motocicletas monocilíndricas. O primeiro motor bicilíndrico definitivo veio em 1936, estreando na nova Triumph Speed Twin , criação do gênio da marca, Edward Turner. De tão bem resolvida, a Speed Twin literalmente mudou o cenário motociclístico mundial, sendo que a sua evolução, a Tiger T100 de 1939, era ainda melhor.

Sem suspensão traseira, o banco do tipo selim era apoiado em molas
Acervo pessoal
Sem suspensão traseira, o banco do tipo selim era apoiado em molas


A Triumph Tiger 100 foi produzida inicialmente por apenas dois anos, de 1939 a 1940, quando a sua produção foi interrompida devido à Segunda Guerra Mundial. Nessa primeira versão, a suspensão dianteira era de treliça, com uma única mola central na altura da cabeça do quadro.

Por causa da destruição da fábrica de Coventry pelos alemães, a produção só voltou em 1946 e a nova Tiger T100 ganhou sua maior inovação, a suspensão dianteira por garfo telescópico.

Contrastando com a moderna e eficiente suspensão dianteira, a suspensão traseira ainda não existia, pois a Tiger 100 ainda tinha o quadro do tipo “rabo duro”, ou seja, sem suspensão traseira. Para contornar a situação de pouco conforto para o motociclista, havia um item que podia ser solicitado opcionalmente, a suspensão traseira do tipo “sprung hub”.

Esse equipamento nada mais era que um conjunto de molas internas ao cubo da roda, que absorvia uma pequena parte dos impactos do solo. Essa solução era cara, pouco prática, de montagem extremamente complexa e não oferecia tanto conforto à pilotagem. Pelo contrário, tirava um pouco da boa dirigibilidade da motocicleta. 

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Desse modo, os motociclistas ainda preferiam o rabo duro e é por isso que as motocicletas dessa época tinham o banco do tipo selim com molas. A Triumph Tiger T100 só passou a ter suspensão traseira em 1954. A Triumph Tiger T100 1947 chegou a ter o status da motocicleta mais rápida do mundo, chegando à velocidade máxima de 100 milhas por hora, ou cerca de 160 km/h, perdendo o posto para a também inglesa HRD Vincent Black Shadow no ano seguinte, em 1948.

A razão para o sucesso da Triumph Tiger T100 estava no motor bicilíndrico vertical, já originalmente bem projetado para a Speed Twin e bastante melhorado para a T100. A alta taxa de compressão de 8,0:1 foi uma das melhorias (era de 7,2:1 na Speed Twin), favorecendo sensivelmente o desempenho dos novos pistões de alumínio forjado, uma tecnologia extremamente nova na ocasião.

Os dois pistões gêmeos subiam e desciam ao mesmo tempo no motor da Tiger T100, diferentemente da maioria dos bicilíndricos que mantinham uma defasagem de 180º entre eles. Essa característica do motor da T100 o tornava quase tão vibrante quanto um monocilíndrico, porém mais eficiente, uma vez que havia uma fase de combustão a cada volta do virabrequim (360º).

Isso permitiu que o único carburador Amal de 25 mm fosse suficiente para a perfeita alimentação do motor em todas as rotações. Dessa forma, o bicilíndrico tinha um funcionamento muito mais refinado do que seus concorrentes, além de fornecer um bom torque e de forma mais linear.

A Triumph Tiger T100 do pré-guerra tinha um pouco eficiente sistema unificado de magneto e dínamo da Lucas, chamado MagDyno , instalado na parte posterior do motor. Mas a nova T100 ganhou unidades separadas do magneto e do dínamo, instalados na frente e na parte traseira do conjunto. Todas essas características fizeram do motor bicilíndrico da Triumph Tiger T100, além de eficiente, muito bonito.

ilustração da clássica moto do final dos anos 40 mostra detalhes do modelo sofisticado para a época
Divulgação
ilustração da clássica moto do final dos anos 40 mostra detalhes do modelo sofisticado para a época

Rivalizando com a maioria das motocicletas de 500 cm3 equipadas com motores monocilíndricos, inclusive uma da própria Triumph, um dos grandes argumentos de vendas do modelo era realmente a beleza do motor. Os dois belos escapamentos cromados escondiam ainda uma solução técnica que tornavam a T100 quase pronta para as pistas: os dois silenciadores podiam ser facilmente retirados, transformando os tubos em escapes de competição.

Também em relação à aparência geral, tanto a Speed Twin quanto Tiger T100 colocaram a Triumph entre as marcas mais desejadas, pois essa linha era dotada de grande beleza. As cores chamativas como este vermelho com creme, que contrastavam com a grande quantidade de cromados da motocicleta, eram as mais procuradas. A Tiger T100 estreava também cores mais sóbrias, como o preto com cinza.

No centro do guidão há apenas o belo velocímetro com hodômetros total e parcial (que na versão com marcação em milhas tinha também um conta-giros com indicação de limites de marchas), mas sobre o tanque, em uma solução de vanguarda, a T100 ostentava um pequeno painel com dois relógios – amperímetro e pressão do óleo – e duas chaves de comando elétrico.

Devido às suas características de versatilidade, desempenho e visual, a Triumph Tiger T100 por muitas vezes foi comparada a um automóvel Bentley, que naquela mesma época já tinha todo o charme de um Rolls Royce mas que podia ser utilizado tranquilamente no dia a dia.

A Triumph Bonneville, o maior ícone da marca e ainda produzida com a mesma aparência da primeira, de 1959, é uma evolução da Tiger T100 de 1947. A Bonneville ganhou esse nome depois que um protótipo com esse motor bateu o recorde de velocidade no lago salgado de Bonneville, passando dos 310 km/h, em 1956.

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