
A Honda CG está completando 40 anos de existência. Lançada em 1976, juntamente com a inauguração da fábrica da marca em Manaus( AM), ela chegou à sua nona geração, com muitas inovações. Para mim, a Honda CG representa muito, já que iniciamos nossas “carreiras” nesse mesmo ano, ela começando sua trajetória até se tornar o veículo mais vendido no Brasil e eu estreando como jornalista especializado. Foram 40 anos de convivência.
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Quando a Honda CG 125 chegou, eu já pilotava motocicletas há seis anos. Naquele momento eu tinha uma CB 125S 1974 , motocicleta importada pela Honda e que foi a base para a criação da nossa CG . As duas motos tinham a mesma concepção, quadro tubular do tipo diamante, com o motor fazendo parte da estrutura, motor monocilíndrico quatro tempos refrigerado a ar e freios a tambor.
A CG chegou com um desenho de tanque um pouco mais moderno, o que até a deixava mais bonita do que a CB , mas em relação ao modelo importado do Japão ela apresentava alguns retrocessos, como o comando de válvulas no bloco (OHV), mais simples que o comando no cabeçote da CB (OHC), e o câmbio de apenas quatro marchas “todas para baixo”, quando o mundo todo já utilizava o câmbio universal de cinco marchas “uma para baixo e o resto para cima”. De resto, elas eram muito parecidas, de modo que eu continuei feliz com a minha CBzinha.
A trajetória da GC, o veículo mais vendido do Brasil
A convivência com a Honda CG, no entanto, foi total, testando todas as versões e suas evoluções para todas as revistas de motocicletas em que trabalhei. A primeira geração da CG foi até 1982, incorporando, nesse período, inovações como a suspensão dianteira Ceriani, com as molas dentro dos amortecedores. Em 1981 surgiu uma versão a álcool, que não teve vida longa. Em 1983 veio a segunda geração da CG , com tanque maior de linhasmais retas, sistema de injeção auxiliar Ecco no carburador e sistema elétrico de 12 volts (era de 6 volts). Em 1985 finalmente a CG ganhou o câmbio universal de 5 marchas, o farol ficou retangular e o para-lama dianteiro de metal cromado deu lugar a um de plástico pintado.
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A terceira geração chegou em 1989, quando a CG incorporou o nome de Today. Com mudanças nas linhas gerais e no painel, ela passou a ter amortecedores traseiros reguláveis, sistema de ignição sem platinado (CDI) e farol com lâmpada halógena. Em 1995, a quarta geração passou a se chamar Titan , com dezenas de pequenas alterações, entre as quais o tanque de formato arredondado. A quinta geração, em 2000, ganha partida elétrica, freio dianteiro a disco, tanque maior e marcador de nível de combustível
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Grandes mudanças em 2004, na sexta geração, como o motor de 150 cm 3 para toda a linha. No ano seguinte a Honda voltou atrás e lançou uma versão novamente com motor de 125 cm 3 , mais simplificada, e deu o nome de Fan .
Em 2005 surgiu uma versão esportiva da CG 150, a Sport , com rodas de liga leve, guidão mais baixo e pedaleiras recuadas. Uma versão já muito valorizada pelos colecionadores: futura clássica. A sétima geração da CG é de 2009. Veio com injeção eletrônica, substituindoo carburador, tanque ainda maior, e bicombustível (flex). A geração seguinte,de 2013, muda apenas em detalhes visuais e versões, como as especiais para a Copa do Mundo, e em 2015 passa a ter freios de ação combinada CBS .
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A geração atual da Honda CG, que chegou este ano, finalmente está bem longe daquela primeira CG. Até no porte ela é maior, nitidamente comprovado quando as duas ficam lado a lado. Bem maior até que uma 250 daquela época. O motor agora tem 160 cm 3 . Não é difícil comparar as nove gerações da CG : elas passaram de 11 milhões de unidades produzidas desde 1976 e estão espalhadas por todo esse grande Brasil, fortes e independentes.
P.S. 1 – Para quem conhece o parque da Disney World, o titulo pode ser bastante apropriado. Carrossel do Progresso é o nome de uma das atrações mais antigas do parque de Orlando, na Flórida, e também completou os mesmos 40 anos de existência no ano passado. Trata-se de um teatro de múltiplos palcos giratórios nos quais os bonecos falantes de Disney contam como foi o progresso dentro dos lares americanos durante o século 20. Cada rápida volta que eu dava com cada uma das gerações da Honda CG me fazialembrar do Carrossel do Progresso.
P.S. 2 – Posei para a foto assim, de viseira aberta e sem luvas, propositalmente, para que as rápidas voltinhas nas gerações de CG assemelhassem-se a uma experimentação temporal, exatamente como no Carrossel do Progresso. Deu certo!