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Desta vez a moto em destaque é uma veterana, a primeira da marca a ter injeção de combustível confiável no lugar dos velhos carburadores

A Kawasaki GPz 1100, já em 1981, impressionava pela tecnologia, pela potência e também pela beleza
Gabriel Marazzi
A Kawasaki GPz 1100, já em 1981, impressionava pela tecnologia, pela potência e também pela beleza

Imagine um mundo sem motocicletas. Não dá, não é? Então vamos amenizar, imagine um país sem motocicletas, ou melhor, sem aquelas motocicletas que gostaríamos de ter. Assim era o Brasil nos anos 70 e 80. Depois de uma era de farta oferta das melhores motos do mundo, que começou em fins dos anos 60, uma canetada oficial colocou fim na alegria dos ainda poucos adeptos das maravilhas sobre duas rodas. Era o fim das importações de veículos, exatamente em 1976.

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 Mesmo coincidindo com o início da produção de motocicletas nacionais, os primeiros modelos eram de baixas cilindradas, como a Honda CG 125 e a Yamaha RD 50. A primeira moto “grande” chegou em 1980, a bela Honda CB 400, mas ainda não era suficiente. Mesmo divertindo-se ainda com as “velhas senhoras” da primeira metade dos anos 70, aquelas que ainda tinham condições de rodar sem componentes e manutenção adequados, os motociclistas sempre achavam uma forma de resgatar a emoção perdida, pilotando alguns poucos modelos produzidos no exterior que, de alguma forma, conseguiam aqui chegar. Foi o caso desta Kawasaki GPz 1100 do ano de 1981, que, certamente, provocou demais os ânimos dos poucos que a conheceram nessa época. Afinal, sua cilindrada era quase três vezes maior do que a da maior motocicleta nacional.

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Moto de colecionador 

A motocicleta em questão é completamente original e pertence a um colecionador, mas ela está aqui por um motivo bastante especial: há exatos 35 anos, em 1982, eu testei uma Kawasaki GPz 1100 muito parecida com essa, apenas um ano mais nova. Para um mercado muitíssimo restrito, não é nem necessário dizer que essa moto causava furor por onde passava. Causou por mim.

 A diferença visual mais notável entre os modelos de 1981 e 1982, chamados respectivamente de B1 e B2 (não, não são os Bananas de Pijamas), é a carenagem de farol na mais nova, que trazia consigo um novo painel de instrumentos. Além da evolução funcional, o novo painel foi resultado de um novo sistema de injeção eletrônica de combustível, que na B2 passou a ser digital e pôde contar com um marcador de nível de combustível de cristal liquido, em vez do ponteiro analógico da B1. Outra diferença era o cromo preto do motor da B2, de acabamento mais refinado do que a pintura na cor preto fosco do motor da B1.

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 Ainda hoje a Kawasaki GPz 1100 impressiona por suas qualidades. As potências de 108 cv na B1 e 109 cv na B2 eram bem altas na época, para uma motocicleta de passeio, permitindo que a GPz 1100, de acordo com dados do fabricante, acelerasse de zero a 100 km/h em 3s6. O motor de quatro cilindros em linha refrigerado a ar tinha 1.089 cm 3 de cilindrada e duas válvulas por cilindro. Com o recente aumento de interesse pelas motocicletas japonesas dos anos 70 e 80, a Kawasaki GPz 1100, que foi produzida apenas entre 1981 e 1982, é uma forte candidata a fazer parte das melhores coleções de motocicletas do mundo.

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