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A Kawasaki Z900 não entrou nessa de modos eletrônicos de pilotagem, é controle “na raça”

A Kawasaki Z900 na tradicional cor verde Candy Lime: pura streetfighter!
João Tadeu/Divulgação
A Kawasaki Z900 na tradicional cor verde Candy Lime: pura streetfighter!

Já dizia Raul Seixas, “Ei, anos 80!”. Se alguém aqui já pilotava, ou pelo menos gostava de motocicletas nessa época, deve lembrar que, além de não termos muitas opções aqui no país, o gosto geral era bem diferente do das épocas seguintes. Isso em todas as áreas, incluindo as motocicletas, como as da Kawasaki. Moto“legal” tinha que ter carenagem. Se não tinha, era só colocar uma. Tanto que motos sem carenagem, que hoje chamamos de naked (nua), não tinham tanto apelo e não eram chamadas de nada.

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Trinta anos depois, a situação se inverte: parece que o gosto geral é mesmo pelas naked, com motor e demais componentes mecânicos aparentes, incluindo o quadro. Só que o estilo agora é streetfighter, ou seja, visual agressivo como um grande felino pronto para a caça – o que a Kawasaki  chama de conceito Sugomi. O banco do piloto mais baixo com a rabeta acentuadamente apontando para cima (o garupa que se vire) é um dos “sintomas” do conceito Sugomi.

O lançamento mais recente da Kawasaki nesse segmento foi a Z900, há cerca de dois meses, que substituiu a Z800 (mostrada aqui há cinco meses). Tão recente que ela foi uma das motocicletas de maior destaque no estande da marca, durante o Salão Duas Rodas. Em seu lançamento oficial, foi relembrada a importância histórica da linha Z com uma exposição das
versões mais importantes que levam a última letra do alfabeto no nome. A saga foi iniciada com muito sucesso ainda nos anos 70, mais precisamente em 1972, com a Kawasaki Z1 de 900 cm 3 . Lembra disso? Se lembrou, entregou a idade.

Se a naked streetfighter Z800 já tinha um estilo agressivo, a Z900 acentuou essa percepção, não só no visual mas também no desempenho, com o motor passando de 806 cm 3 e 113 cv para 948 cm 3 e 125 cv. Na verdade, não foi um upgrade do motor da Z800, mas sim um downgrade do motor de 1.043 cm 3 da Z1000, que continua a ser comercializada com seus 143 cv. Para a redução de cilindrada, os pistões passaram de 77 mm para 73,4 mm, mantendo o curo de 56 mm. Essa configuração faz com que a entrega mais forte de potência aconteça de médios a altos regimes de rotação – que é quando ela realmente vira o “bicho”.

Acelerando a Z900

A otimização da caixa de ar da Z900, além de melhorar o desempenho, deu à motocicleta um atributo extra: um ronco único, que faz arrepiar em altas rotações. Mas só em movimento, viu? Nada de “testar” o som acelerando com a moto parada!

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A comparação entre a já excitante Z800 e a nova Z900 é quase injusta. O novo quadro de treliça tubular está mais leve, pesando apenas 13,5 kg e contribuindo para o peso total em ordem de marcha de apenas 210 kg, 21 kg a menos que a Z800. A dirigibilidade, então, melhorou muito, principalmente em relação à “pesadona” Z800. A suspensão dianteira é invertida com bengalas de 41 mm, curso de 120 mm e totalmente ajustável, assim como a traseira, com 140 mm de curso.

O câmbio de seis marchas tem as cinco primeiras encurtadas, o que acentua ainda mais a aceleração – o que é muito bem-vindo, já que o motor trabalha melhor lá pelas 11.000 rpm – e a última overdrive, para uma viagem em velocidade de cruzeiro bastante confortável.

Apesar de toda essa melhora em desempenho e dirigibilidade, ainda é preciso ter condução especializada para pilotar a Kawasaki Z900 como se deve. Se alguém sentar ao guidão e procurar os modos eletrônicos de pilotagem, não vai achar. É porque não tem. Nem o acelerador é eletrônico, dá pra sentir o cabo esticando e abrindo ferozmente as borboletas, sempre com aquele pequeno esforço inicial que exige uma sensibilidade extra. Sem controle de tração ou de levantamento da dianteira, é fácil fazer besteira.Não reclame, é o purismo em uma motocicleta moderna e competente. Eletrônica? Só os freios com ABS.

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Bem, tem o painel de instrumentos, eletrônico porém simplório, com o essencial: um grande conta-giros que, apesar de analógico, marcando até 13.000 rpm, tem ponteiro de LCD. É meio estranho ver o ponteiro se movendo, mas ele cumpre bem a sua função. O velocímetro é digital e o painel tem ainda uma luz que indica condução econômica (será possível rodar assim?) e outra que indica a rotação exata para a troca de marcha – esse shift light pode ser programado para acender de 5.000 a 11.000 rpm.

A nova Kawasaki Z900 custa R$ 41.990 e está disponível em três conjuntos de cores: cinza Pearl Mystic com preto Flat Spark e quadro verde, o verde “Kawasaki” Candy Lime com preto Spark e quadro preto e totalmente preto Flat Spark. Parece meio confuso, mas tem bons resultados visuais. O que mais poderíamos dizer sobre a nova Kawasaki Z900? Ah! O conjunto de leds da lanterna traseira forma a letra "Z"!

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