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A nova Harley-Davidson Fat Bob, que foi uma das grandes surpresas do Salão Duas Rodas, tem argumentos para te conquistar

Harley-Davidson Fat Bob 114 e 107, uma nova sensação em pilotar Harleys
Gabriel Marazzi
Harley-Davidson Fat Bob 114 e 107, uma nova sensação em pilotar Harleys

Aprendi com meu pai, desde pequeno, a fazer listas. Listas de desejo, listas de preferências, de músicas e de tudo mais. Com as planilhas eletrônicas, elas ficaram ainda mais divertidas. Lamento, no entanto, não ter feito uma lista das melhores motocicletas do Salão Duas Rodas, na opinião de cada jornalista que eu consultei no dia da abertura da mostra. Mas me lembro de algumas e, uma em particular, me deixou intrigado. Era a Harley-Davidson Fat Bob, eleita a “Moto do Salão” por um dos jornalistas especializados que estavam comigo naquele dia.

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Como uma Harley-Davidson meio obscura como era a Fat Bob, lançada por aqui há uns quatro anos e ainda pertencente à família Dyna, poderia ser a preferida por alguém que pilota todas as motocicletas disponíveis em nosso mercado? Fui averiguar.

No último fim de semana, a Harley-Davidson Brasil organizou uma avaliação pra lá de interessante: viajaríamos com oito novas motocicletas, todas lançadas oficialmente no salão, em um percurso de pouco mais de 600 km. Foi o segundo Brasil Ride, promovido pela Harley-Davidson com o intuito de colocar o maior número possível de proprietários da marca na estrada por um dia. No sorteio dos modelos, as duas versões da nova Fat Bob, a 107 e a 114, seriam as últimas que eu pilotaria. Acaso providencial.

As motocicletas eram todas da nova família Softail, que inclui agora os modelos da antiga família Dyna, entre elas a Street Bob, a Fat Bob e nova Slim. Comecei com a Street Bob, passando pela Slim, Heritage, Fat Boy 114, Fat Boy 107, Breakout 114, para então conhecer a nova Fat Bob. Depois de quase um dia inteiro comparando os modelos Harley, a Fat Bob 114 foi uma grande surpresa. Ela é inacreditavelmente ágil e leve, apesar de seus quase 300 kg de peso. Depois de uma centena de quilômetros com a FB 114, fui embora para casa com a Fat Bob 107, com seu motor pouca coisa menos forte mas ainda assim muito torcudo.

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Não há comparação com a Fat Bob anterior, ainda com a suspensão dianteira convencional e a traseira os com dois amortecedores da família Dyna. A nova moto é estável e tem excelente dirigibilidade – apesar do pneu “traseiro” montado na roda dianteira –, com uma ótima suspensão dianteira de garfo invertido e a traseira monoamortecida com regulagem de dureza.

As boas qualidades da nova Fat Bob também apareceram na cidade, em meio ao trânsito urbano. A agilidade é quase a de uma pequena motocicleta urbana, com a vantagem de ter um motor excepcionalmente divertido e com um ronco pra lá de especial. O sistema de escapamento 2-1-2, com as curvas de saída lembrando as de uma uma Ducati, é um dos motivos da competência e da beleza da motocicleta.

O Bob das ruas

Aliás, a sua aparência é o que mais atrai, principalmente para um harleymaníaco. O farol de leds de formato retangular, meio ovalado, que me causou estranheza no salão, até que ficou bonito mesmo para mim, que valorizo demais um belo farol redondo. Só não gostei da traseira, sem uma lanterna única central – a iluminação é feita pelos dois piscas – e com a placa presa à balança traseira. Como o que vale é personalizar, eu colocaria uma lanterna convencional com a placa presa ao alto para-lama traseiro.

Um item muito bacana é a ausência de chave: basta carregar um sensor no bolso e a motocicleta só funciona com ele por perto. Liga-se e desliga-se a ignição por um interruptor no punho direito. Chave, apenas para a trava de guidão, o que pode ser muito pouco necessário, já que a moto “berra” bem alto se alguém cismar em movê-la do lugar, por menos que seja o deslocamento, sem o tal do sensor.

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O relógio único sobre o tanque, que mantém o estilo das velhas Harleys, tem um grande conta-giros analógico e o restante dos mostradores digitais, em um pequeno display, incluindo o velocímetro e o muito útil indicador de marchas (seis marchas).

A Harley-Davidson Fat Bob é montada em Manaus, AM, e custa R$ 58.900 com o motor de 107 polegadas cúbicas (1.746 cm3) e R$ 66.400 com o motor de 114 polegadas cúbicas (1.868 cm3), na cor preta brilhante. Para outras cores, há um acréscimo de R$ 450 (preto fosco, branco, vermelho e cinza)

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