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Por R$ 84.900, Renault Captur 1.6 com câmbio CVT tem mais conforto e rende mais do que o 2.0 automático de quatro marchas

O Renault Captur 1.6 CVT é a escolha mais racional. Bebe tanto quanto o manual e oferece conforto para quem fica mais tempo nas cidades
Nicolas Tavares/iG Carros
O Renault Captur 1.6 CVT é a escolha mais racional. Bebe tanto quanto o manual e oferece conforto para quem fica mais tempo nas cidades

Tem carros que deveriam ser lançados com uma versão específica. Não é o que acontece, como vimos com o Fiat Mobi e o motor 1.0 Firefly, ou o JAC T5 e a falta do câmbio CVT. A Renault acabou fazendo o mesmo com o Captur 1.6 CVT, que chega às concessionárias apenas agora, quatro meses depois do lançamento. E é justamente esta configuração mecânica que irá representar mais de 60% das vendas do crossover.

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Lançado em fevereiro, o SUV compacto estava disponível em duas versões: 1.6 manual Zen, por R$ 78.900; e 2.0 automático Intense, agora por R$ 91.900 (R$ 3.410 mais cara). Agora entra na linha o Captur 1.6 CVT , em duas configurações: Zen, por R$ 84.900, e Intense, por R$ 88.400 (praticamente o preço anterior do 2.0 AT). Ou seja, atenderá quem quer o Captur básico Zen, mas sem embreagem, e quem prefere a versão completa Intense, só que não gostou do desempenho do 2.0.

É o ponto ideal para a venda do crossover e isso é fácil de explicar. Clientes dos SUVs gostam de conforto e trocar marcha é o oposto disso, principalmente no trânsito. A adoção da caixa CVT resolve esse problema, embora custe R$ 6.000 a mais para se livrar desse trabalho. No caso do 2.0, para a Renault , será a escolha entre conforto e desempenho, pois o 1.6 é voltado para o uso urbano.

O conjunto é o motor 1.6 SCe de 120 cv e 16,2 kgfm, quando abastecido com etanol. Antes usava uma transmissão manual de cinco marchas e agora tem o X-Tronic CVT. É a mesma mecânica do Nissan Kicks, com uma diferença de calibração tanto do motor quanto do câmbio – o Kicks tem 114 cv e 15,5 kgfm. O francês é mais potente e tem mais torque, só que pesa 1.286 kg, contra os 1.142 kg do primo japonês.

Como a transmissão é a mesma utilizada pela Nissan (até no nome X-Tronic), seu funcionamento é bem parecido. Foi ajustado para simular seis marchas e tem tecnologias como o Lock-Up, que trabalha com a polia do CVT para que forneça um torque de forma mais linear. O Captur tem um modo de troca manual de marchas pela alavanca, coisa que o Kicks não tem.

Melhor versão

Dirigi o Captur 1.6 CVT por um trecho curto, saindo do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, até Niterói (RJ). De lá, seguimos pela orla até a Fortaleza de Santa Cruz da Barra. É um caminho totalmente reto, com pouco trânsito (era o meio da tarde) e metade dele era área militar de mão única – ou seja, limitados a 20 km/h. Foi um contato muito breve com o SUV , mas suficiente para algumas impressões.

Assim como o Kicks, o Captur com essa configuração é recomendada para o uso urbano. Na cidade, ele mostra agilidade o suficiente para viver com tranquilidade. Quando pegamos os trechos de 80 km/h no caminho até Niterói, o SUV começou a ficar sem fôlego, da mesma forma que seu primo japonês.  O motor até tem um bom desempenho, mas o CVT é um câmbio voltado para economia e mesmo a simulação de marchas não resolve.

Embora não ajude no desempenho dinâmico, o CVT não é ruim em rendimento energético ou conforto. Mesmo pisando fundo, não faz tanto barulho quanto outros carros do mercado com essa transmissão, mantendo um bom nível de silêncio dentro do crossover. Sua “relação de marchas” foi feita para que a sexta marcha virtual funciona como um overdrive na estrada, mantendo o motor em baixa rotação.

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Seu principal argumento é ser uma opção automática que faz sentido. Rende 10,5 km/l na cidade e 11,7 km/l na estrada, com gasolina, valor muito próximo dos 10,9 km/l e 11,3 km/l do modelo com câmbio manual. Porém, é uma grande diferença em comparação com o 2.0 com a caixa automática de quatro marchas, que faz até 8,8 km/l (cidade) e 10,8 km/l (estrada).

Claro, podemos argumentar que o 2.0 realmente tem mais pique, principalmente na estrada. Afinal, tem 148 cv e 20,9 kgfm, com etanol. A marca diz que o 1.6 CVT acelera de 0 a 100 km/h em 13,1 segundos, enquanto o 2.0 faz 11,1 s. Porém, é uma faca de dois gumes, já que o consumo do 2.0 é muito maior e parar no posto toda hora para abastecer não é uma situação confortável. Você pagaria R$ 3.500 a mais por uma diferença de 2 segundos na aceleração e quase 1 km/l a menos de rendimento.

Tirando a nova opção de câmbio, o Captur continua o mesmo, sem mexer no design ou na lista de equipamentos. Vem com quatro airbags (frontais e laterais), controle eletrônico de estabilidade e tração, assistente de partida em rampas, direção eletro-hidráulica, ar-condicionado, volante com regulagem de altura, chave-cartão, vidros e travas elétricas, rodas de liga leve 17”, piloto automático, luzes diurnas em LED, retrovisores elétricos rebatíveis banco do motorista com regulagem de altura e volante multifuncional. Pode receber a central multimídia MEDIA Nav com tela de 7” touchscreen e câmera de ré, por R$ 2.500.

A versão Intense adiciona o sistema multimídia, ar-condicionado automático, sensor de chuva, farol de neblina com Cornering Light (que se move para iluminar as curvas), sensor crepuscular e rodas 17” diamantadas. Os bancos de couro são opcionais, por R$ 1.500. Ambos podem receber a pintura em dois tons, por R$ 1.400, deixando o teto com uma cor diferente.

Segue com alguns problemas de ergonomia, como o botão que ativa o modo Eco (que altera a resposta do acelerador para reduzir o consumo em até 10%) e a chave do piloto automático e limitador de velocidade. Ambos ficam no console central, embaixo da ponta da alavanca do freio de mão, local pouco intuitivo para ativá-los com o carro em movimento. Além disso, por ter um painel de instrumentos inclinado para cima, temos que colocar o banco um pouco mais alto.

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A não ser que faça questão de ter a versão manual, o Captur 1.6 CVT é a melhor escolha do crossover. Seu consumo é semelhante ao modelo com embreagem, pode vir tão bem equipado quanto o 2.0 e não irá te obrigar a tornar-se sócio de um posto de combustível. Vai decepcionar um pouco na estrada, exigindo mais paciência em retomadas e ultrapassagens. Só que o custo-benefício ainda é melhor do que o modelo topo de linha. 

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