Pintura de guerra
Eduardo Rocha
Pintura de guerra

Traje lameiro

Nissan Frontier Attack 2025 renova o visual para valorizar a pegada off-road

por Eduardo Rocha

Auto Press

Na linha Frontier, a versão Attack consegue unir bons pontos de atração para a picape média da Nissan. Numa escala ascendente, a configuração é a terceira numa gama de seis versões. Por R$ 270.590, tem preço equilibrado para uma linha que começa em R$ 246.490 e vai até R$ 312.590. Mesmo com um valor intermediário, traz importantes qualidades dos modelos superiores, como motorização e recursos de conforto, mesmo que perca equipamentos mais refinados, como revestimento em couro e protetor de caçamba. De qualquer forma, são itens que não harmonizam tanto com a proposta original do modelo, de ser uma picape com visual e capacidade off-road com uma pegada mais raiz.

Para chamar a atenção para essa personalidade, a versão Attack recebeu algumas novidades visuais na linha 2025. Os alargadores dos para-lamas ficaram mais escuros e têm parafusos aparentes, para dar um toque rústico. O para-choque traseiro passa a ser preto e o dianteiro ganhou um aplique em preto para fundir visualmente a grade e o protetor inferior. Os adesivos também foram renovados. No capô, na base das portas e nas laterais da caçamba, o padrão é de barras diagonais de espessuras progressivas – a referência são as armaduras clássicas de Samurais. A palavra “Attack” aparece na base das portas traseiras. Os estribos laterais e as rodas pintadas de preto completam o visual malvado.

O motor é o mesmo 2.3 litros diesel biturbo gerenciado por um câmbio automático de sete marchas com quatro modos de condução, como nas versões de topo. Ele rende 190 cv de potência, com 45,9 kgfm de torque e a força é direcionada para as rodas traseiras no modo 4X2. Além de tração 4X4 e reduzida, a Frontier conta com diferencial traseiro com escorregamento limitado e eixo dianteiro com escorregamento limitado através do ABS. A picape é montada sobre uma estrutura de chassi em longarina e tem suspensão dianteira com triângulos sobrepostos e traseira com barra de torção com braços de controle, no que a marca define como multilink.

Embora tenha recursos até melhores que algumas rivais diretas, em relação ao preço a Frontier se posiciona na parte intermediária do mercado, alinhada com Ford Ranger, Chevrolet S10 e Mitsubishi L200, acima das recém-chegadas JAC Hunter e Fiat Titano e abaixo de Toyota Hilux e Volkswagen Amarok. Já há uns bons anos, a Nissan Frontier vem mantendo uma batida de emplacamentos no Brasil entre 700 e 800 unidades mensais. Para manter esse padrão de vendas, a picape produzida em Córdoba, na Argentina, tem até baixado sutilmente o preço final. No caso da Attack, há dois anos ela custava R$ 274.890, ou exatos R$ 4.300 a mais que atualmente.

Ponto a ponto

Desempenho – A Nissan Frontier Attack traz o confiável conjunto mecânico composto por um motor 2.3 biturbo com 190 cv de potência e 45,9 kgfm de torque, gerenciado por um câmbio automático de sete marchas, com quatro modos de condução. Ela tem tração 4X2, 4X4 e reduzida e diferencial traseiro de escorregamento limitado. A Frontier se credencia a encarar um off-road pesado por conta da excelente suspensão, da limitação de escorregamento nos dois eixos e da robustez estrutural. É uma picape viril, que tem um motor diesel tradicional, de baixa rotação, e apresenta um turbolag acentuado em giros abaixo de 1.500 rpm, situação comum em trânsito urbano e no off-road. Nota 7.

Estabilidade ‑ A Frontier Attack é bem calçada, com rodas de 17 polegadas e pneus 255/65 AT. Essa configuração é muito efetiva no off-road, pois absorve bem as imperfeições do piso e dá uma boa proteção às rodas, mas apresenta uma certa flutuação no asfalto. O conjunto suspensivo consegue controlar bem os movimentos laterais da carroceria e oferece bastante conforto de rodagem. Nota 8.

Interatividade – A Frontier Attack é despojada, mas não passa atestado de pobreza. Ela não traz recursos ADAS, mas tem câmera de ré, muito útil em manobras, projetada na tela de 8 polegadas da central multimídia. O painel é clássico, com velocímetro e conta-giros analógicos com um pequeno monitor digital de 7 polegadas ao centro. O volante multifuncional tem os comandos nos lugares tradicionais. Ali se aciona o controle de cruzeiro e se navega nas páginas do computador de bordo, na telefonia e nos comandos do som. O espelhamento de celulares com a central multimídia exibe a conexão por cabo. Nota 7.

Consumo – Segundo o InMetro, o modelo percorre em média 9,1 km/l na cidade e 11 km/l na estrada. Ficou com os índices C na categoria e E no geral. Nota 5.

Conforto – A Frontier tem uma rigidez torcional que permite mais precisão no acerto de suspensão. E os pneus com flanco de 16,6 cm também ajudam na absorção das irregularidades. O motor vibra pouco e o habitáculo é bem isolado acusticamente. O espaço na frente é sempre generoso e o encosto traseiro apresenta uma boa inclinação, que também favorece o conforto. Nota 9.

Tecnologia – A Frontier é uma picape robusta, principalmente no que diz respeito ao sistema suspensivo, mas a plataforma eletrônica já sente o peso da idade – o projeto original é de 2014, passou a ser produzida na Argentina em 2018 e passou por um face-lift em 2022. Até pelo conceito, a versão Attack não traz muito itens tecnológicos, mas atende bem à proposta. Em relação à central multimídia, no entanto, a falta de atualização é muito marcante, como costuma acontecer com itens eletrônicos. Nota 7.

Habitabilidade – A Frontier é espaçosa, com conforto no banco de trás, com apoio central e porta-copos, e muito conforto na frente, onde é usada a tecnologia Zero Gravity, com múltiplos apoios no encosto e uma ergonomia notável. Há bons nichos disponíveis e um grande porta-objetos sob o apoio de braços. O acesso é facilitado pelo estribo, de série na Attack, mas falta uma alça para escalar até o interior – o volante acaba, erroneamente, fazendo essa função. A caçamba comporta 1.054 litros e a tampa traseira tem um sistema de alívio de peso que facilita o uso. Nota 8.

Acabamento – Os materiais na Attack privilegiam a resistência, com plástico rígido no console frontal e nos painéis de porta. O revestimento é em um tecido espumado e impermeabilizado, que ainda assim é agradável ao toque. Os detalhes e a montagem são bem-cuidadas. O ar-condicionado analógico com botões que parecem retrô destoa das linhas mais modernas adotadas nessa nova Frontier. Nota 8.

Design – As atualizações visuais da nova Frontier Attack ocorreram basicamente nas faixas decorativas. Ainda assim, valorizam o visual agressivo da versão, com detalhes em preto. As linhas da carroceria são bem atraentes e transmitem uma imagem de robustez – até pela altura acentuada das laterais da caçamba, que dão a impressão que ela é mais alta e mais compacta do que é. Nota 8.

Custo/benefício – No conceito de visual off-road, a única rival direta da Frontier Attack é a Chevrolet S10 Z71, que é mais cara e um pouco mais equipada. De qualquer forma, a picape da Nissan tem um bom nível de equipamento, diante de rivais com preço semelhante. Com a vantagem de a Nissan ter baixado o preço da sua linha e hoje a Attack está R$ 4 mil mais barata que há dois anos. Nota 7.

Total – A Nissan Frontier Attack somou 74 de 100 pontos possíveis.

Impressões ao dirigir

Dinâmica raiz

A Nissan Frontier tem uma tradição de unir, como poucas picapes, a capacidade off-road com uma condução agradável e confortável. Isso por conta de um conjunto suspensivo muito eficiente. As curvas também são encaradas com total tranquilidade. Apesar dos pneus perfil alto flutuarem um pouco, a sensação de segurança prevalece. No caso da versão Attack, a característica off-road é a mais exaltada. As rodas aro 17 com pneus 255/65 AT melhoram a vida de quem está no asfalto ou na lama.

Sob o capô, a Attack traz o mesmo propulsor biturbo diesel 2.3 litros de 190 cv e abundantes 45,9 kgfm de torque, gerenciado por um câmbio automático de sete marchas com quatro modos de condução, que basicamente a resposta ao acelerador. Este conjunto move as mais de 2 toneladas do veículo sem demonstrar esforço, mas apresenta um certo turbolag, principalmente nas arrancadas – o que dificulta um pouco a vida urbana.

Passada essa tomada de fôlego inicial – aos 1.500 rpm, o torque máximo já está presente –, as acelerações e retomadas são feitas com grande vigor. A bordo, a Frontier Attack oferece diversos porta-objetos e todos os comandos são acessíveis e bem localizados. Os bancos Zero Gravity são bastante ergonômicos e o espaço para pernas, cabeças e ombros é bem generoso, principalmente para quatro passageiros.

Outro ponto que eleva o conforto é o bom trabalho de insonorização feita pela Nissan. O ruído do motor só é percebido quando os giros sobem acima de 3 mil rpm e mesmo aí é muito invasivo. Por dentro, a versão traz apenas o essencial: ar, direção, trio elétrico, central multimídia, câmera de ré etc. O acabamento em um tecido que parece resistente e fácil de limpar, porém um revestimento em couro seria mais adequado com a proposta off-road do carro.

Ficha técnica

Nissan Frontier Attack

Motor: Diesel, dianteiro, longitudinal, biturbo, 2.298 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro com comando duplo de válvulas. Injeção direta de combustível. Acelerador eletrônico.

Transmissão: Câmbio automático com sete velocidades à frente e uma a ré. Tração 4X2 com função 4X4 e 4X4 reduzida com diferencial traseiro com escorregamento limitado e eixo dianteiro com escorregamento limitado por atuação do ABS. Oferece controle eletrônico de tação.

Potência máxima: 190 cv a 3.750 rpm.

Torque máximo: 45,9 kgfm entre 1.500 e 2.500 rpm.

Diâmetro e curso: 85,0 mm X 101,3 mm. Taxa de compressão de 15,4:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo Double Wishbone, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos telescópicos e barra estabilizadora. Traseira com eixo rígido e múltiplos braços de controle com molas helicoidais e barra estabilizadora. Controle eletrônico de estabilidade.

Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. ABS e EBD de série e sistema Active Brake Limited Slip – escorregamento limitado por freio ativo. Controle de descida e assistente de partida em rampa.

Carroceria: Picape média cabine dupla sobre longarinas com quatro portas e cinco lugares. Com 5,26 metros de comprimento, 1,85 metro de largura, 1,86 metro de altura e 3,15 metros de distância entre-eixos. Airbag duplo frontal, lateral e de cortina de série na versão.

Pneus: 255/65 R 17 All Terrain.

Peso: 2.203 kg em ordem de marcha. 1.027 kg de carga útil.

Capacidade do tanque de combustível: 73 litros.

Capacidade off-road: Ângulo de ataque de 31,4º, ângulo de saída de 25,8, ângulo de inclinação máxima em subida de 22,2º e altura livre do solo de 24,9 cm.

Produção: Córdoba, Argentina.

Lançamento da geração no Brasil: 2018.

Atualização: 2023.

Preço da versão Attack: R$ 270.590.

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