O B10 abrasileirado
Eduardo Rocha
O B10 abrasileirado

Imagem e ação

Leapmotor B10 se adapta ao Brasil e mostra dinâmica cheia de personalidade

por Eduardo Rocha

Auto Press

A Leapmotor quer usar a expertise da Stellantis na América do Sul para dar um salto no mercado. A marca desembarcou há seis meses com o SUV médio-grande C10 e acaba de apresentar seu segundo modelo, o SUV médio-compacto B10. Nesse intervalo, teve tempo para fazer as adequações necessárias para tornar o seu segundo modelo mais palatável para o mercado brasileiro, como um acerto de suspensão mais robusto e espelhamento sem fio para Android Auto e Apple CarPlay – recurso inexistente no C10.

O preço de chegada mostra a intenção de chamar a atenção. Em versão única e motorização 100% elétrica, o B10 chega a R$ 182.990, valor um pouco inferior ao de seus concorrentes diretos – BYD Yuan Plus, Geely EX5 e GAC Aion V. A motorização também gira no mesmo patamar dos rivais, com 218 cv e 24,5 kgfm, alimentado por uma bateria de 56,2 kWh, que pode receber recarga de até 11 kWh em corrente alternada e 140 kWh em corrente contínua. A autonomia homologada pelo InMetro é de 288 km.

O que dá mais personalidade ao novo SUV da Leapmotor é o fato de ter tração e motor traseiros, que gera uma dinâmica mais refinada. Além disso, traz uma suspensão com uma configuração sofisticada, com McPherson na frente e multilink atrás, que controla bem os movimentos de carroceria e filtra as irregularidades com eficiência.

Outro atrativo é o bom nível de equipamentos. O modelo chega com um teto panorâmico de 1,8 metro de diagonal, revestimento em material sintético de boa qualidade, 18 recursos ADAS, radar com representação gráfica do entorno do veículo no painel digital, com 8,8 polegadas, central multimídia com tela de 14,6 polegadas. O modelo conta com uma chave-cartão com tecnologia NFT (não há chave convencional) e diversas funções remotas ficam restritas ao aplicativo Leap+, como travas, acionamento da climatização, localização etc.

Um efeito colateral da motorização traseira é o compartimento de 21,5 litros sob o capô. Outro é o porta-malas de 405 litros, menor que o dos rivais. As dimensões externas do novo SUV da Leapmotor, por outro lado, são típicas para o segmento. Ele tem 4,52 m de comprimento, 1,89 m de largura (2,11 m com espelhos), 1,67 m de altura e o bom entre-eixos de 2,74 m. As medidas proporcionam um bom espaço interno, embora a largura da cabine seja pequena para acomodar bem três adultos no banco traseiro.

As linhas externas seguem fielmente o conceito estabelecido pelo C10. O design tem traços limpos, com superfícies planas, o que dá uma certa elegância ao modelo. A frente é fechada, com uma discreta entrada de ar na base do para-choque. O conjunto ótico traz setas e assinatura luminosa na parte superior, alinhado com uma barra em preto brilhante. Farol e luz de neblina ficam em nichos logo abaixo. Na traseira, a faixa semelhante à que dá personalidade à frente reaparece, sustentando as lanternas bem estreitas.

A decisão da Leapmotor de trazer nesse momento apenas a versão elétrica do B10 tem dois bons motivos. O primeiro é que a versão híbrida está prevista para ser produzida no polo automotivo da Stellantis, em Goiana, Pernambuco, no início de 2027. A outra é que houve um grande interesse pela versão elétrica do modelo C10, o que valorizou o mercado de 100% elétricos aos olhos dos executivos da empresa (Fotos de Eduardo Rocha, Auto Press).

Primeiras impressões

Movimento racional

Nada pior para a autonomia de um carro elétrico do que uma estrada livre, sem relevos e sem curvas. Na experimentação do B10 entre São Paulo e o Resort Japy, em Cabreúva, foram cerca de 10 km de marginal, com algum uso do freio, e 60 km de pé no acelerador, sem tocar no freio – e sem regeneração de energia. Ainda assim, o SUV apresentou um desempenho bem razoável, de 6,7 km/kWh, o que permitiria um alcance acima de 350 km – bem mais próximo do índice prescrito pelo ciclo europeu WLTP, que é de 361 km.

A dinâmica do SUV da Leapmotor é a esperada para um modelo elétrico, mas nem por isso perde o interesse. As acelerações são vigorosas, daquelas de pressionam os ocupantes contra o encosto do banco, e as reações ao acelerador são instantâneas. Uma vantagem do motor na traseira é que as acelerações, mesmo fortes, não fazem a frente de levantar, o que ajuda no controle. A suspensão, muito bem acertada, deixa os movimentos do SUV bem previsíveis.

A Leapmotor indica um zero a 100 km/h em 7,3 segundos, com máxima limitada a 170 km/h. Esse bom desempenho se deve à relação peso/potência bem favorável, de 8,16 kg/cv. Mais que puro ganho de velocidade, o B10 tem o peso distribuído igualmente entre os dois eixos. A bateria integrada ao chassi entre os eixos, com cerca de 350 kg, ajuda a deixar o modelo neutro, mesmo em velocidades altas.

Por dentro, o B10 segue a nova tradição de modelos chineses, com a eliminação de botões e muito material sintético macio nos bancos, painéis de porta e console central. As duas telas dominam o ambiente. A menor atrás do volante exibe velocímetro, consumo, autonomia e as imagens do radar. A central multimídia mostra mapas, controle do som, do ar e diversas configurações do veículo. Os escassos botões disponíveis estão na porta, para abertura dos vidros, e no volante, com dois botões de pressão e um pequeno controle giratório em cada um dos dois raios. Regulagens e rebatimento de espelhos, acendimento de faróis, controle do ar-condicionado, sistema de áudio, tudo é feito ali.

Ficha técnica

Leapmotor B10 EV

Motor: Traseiro, elétrico síncrono com ímã permanente com arrefecimento líquido. Alimentado por um conjunto de baterias de íons de Fosfato-Ferro-Lítio com 56,2 kWh. Controle eletrônico de aceleração.

Transmissão: Por engrenagem de relação única ligada diretamente ao diferencial. Tração traseira.

Potência: 160 kW, ou 218 cv.

Torque máximo: 24,5 kgfm.

Suspensão: Dianteira do tipo McPherson, independente com barra estabilizadora, amortecedores hidráulicos e molas helicoidais. Traseira independente multilink com barra estabilizadora, amortecedores hidráulicos e molas helicoidais. Oferece controle eletrônico de estabilidade de série.

Pneus: 225/50 R18 na frente e 235/50 R18 atrás.

Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás com sistema regenerativo de energia integrado.

Aceleração 0-100 km/h: 7,3 segundos.

Velocidade máxima: 170 km/h

Carroceria: SUV em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. Comprimento de 4,52 metros com 1,89 m de largura, 1,67 m de altura e 2,74 m de entre-eixos. Possui airbags frontais, laterais, de cabeça e de joelho para o motorista.

Peso: 1.780 kg, com 435 kg de carga útil.

Capacidade do porta-malas: 405 litros + 21,5 litros no compartimento dianteiro.

Autonomia: 288 km na norma InMetro.

Lançamento no Brasil: abril de 2026.

Produção: Zhejiang, China.

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