C10 EV ganha visibilidade
Eduardo Rocha
C10 EV ganha visibilidade

Irmãos em armas

Leapmotor C10 ganha impulso nos emplacamentos com a chegada do B10

por Eduardo Rocha

Auto Press

Até março, o desempenho de mercado do Leapmotor C10 EV era incrivelmente discreto. Mesmo sendo quase 10% mais barato, a versão 100% elétrica tinha uma venda para cada 20 da configuração híbrida REEV. A lógica é simples: um híbrido dá autonomia para viagens e elimina a chamada ansiedade elétrica, o medo de ficar longe de uma tomada. As coisas começaram a mudar em abril por duas razões: o aumento de unidades disponíveis com a chegada do segundo lote do modelo e a estreia do modelo menor, B10 EV, que atraiu novos interessados para as lojas.

O C10 EV custa R$ 204.990, enquanto o B10 EV sai a R$ 182.990. É uma boa diferença, mas o modelo maior é muito mais imponente. Em abril, o C10 EV vendeu exatas 79 unidades – volume maior que a soma dos três primeiros meses do ano. Parece pouco, mas em relação ao segmento é um bom desempenho, já que o líder do segmento, o Chevrolet Captiva EV, ficou em 152 exemplares.

Um dos maiores diferenciais do C10 EV está na configuração mecânica, com tração traseira. O motor, instalado no eixo traseiro, rende 218 cv de potência e 32,6 kgfm de torque, o que gera uma relação peso/potência de 9,2 kg/cv e resulta em um zero a 100 km/h de 8,3 s. O propulsor é alimentado por uma bateria de 69,9 kWh e o conjunto promete uma autonomia de 338 km, no ciclo do InMetro.

Mas o que realmente chama a atenção no C10 é seu porte. Ele tem 4,74 m de comprimento, 1,90 m de largura e 1,68 m de altura, com distância entre eixos de 2,83 metros. O porta-malas comporta 465 litros e como o conjunto mecânico está na traseira, ele tem ainda um porta-volumes sob o capô dianteiro, com 32 litros.

Embora o nome oficial da versão seja Design, o visual do C10 EV é o mesmo da versão REEV – a única diferença é a presença da tampa de abastecimento de combustível do lado direito. As proporções equilibradas protegem uma cabine extremamente espaçosa, com piso plano e boa altura para o teto. O design exterior tem traços limpos, que primam pela elegância e discrição. O modelo é desprovido de cromados, o que destaca ainda mais a logomarca em forma de hexágono no capô e a identificação na tampa traseira em letras espaçadas.

O interior segue o mesmo conceito de linhas limpas, sem firulas. A não ser pelos comandos no volante multifuncional, quase não há botões físicos. A tela do painel de instrumentos tem 10,25 polegadas e traz informações como velocidade, autonomia, consumo e ainda um radar que mostra os veículos no entorno. A central multimídia tem uma tela flutuante no console central com 14,6 polegadas. Ali se concentram as configurações e comandos do modelo, do acionamento dos faróis ao ajuste dos espelhos (Fotos de Eduardo Rocha, Auto Press).

Ponto a ponto

Desempenho – Mesmo grandalhão e com mais de 2 toneladas de peso, o C10 EV tem disposição para acelerar. Com 218 cv e 32,6 kgfm disponíveis de forma instantânea, arrancadas e retomadas são feitas sem demonstrar muito esforço. A aceleração é progressiva e suave, com zero a 100 km/h em 8,3 segundos. A tração traseira também dá maior controle nas manobras e acelerações. Nota 8.

Estabilidade – O centro de gravidade rebaixado pelos 450 kg de bateria entre os eixos gera um comportamento neutro no C10, com rolagem lateral e balanço longitudinal bem discretos. Mesmo não tendo um curso muito longo, a suspensão privilegia o conforto, até para valorizar a vocação familiar do modelo. A direção é leve nas manobras, mas a comunicação entre rodas e volante é muito anestesiada. Nota 8.

Interatividade – Há poucos controles físicos e excesso de comandos indiretos – alguns com diversas etapas para chegar à função desejada. Apesar de amenizado pelos sistemas automatizados – limpadores, faróis –, é uma lógica pouco amigável. Mesmo o direcionamento da ventilação é feito através da tela da central multimídia. Um ponto a favor são os radares de monitoramento, exibidos na tela do painel. O ponto falho do modelo é a ausência de espelhamento de celulares da Apple ou com sistema Android, por limitações impostas pelo sistema operacional 3.0 da Leapmotor. Defeito corrigido no B10, que usa o sistema 3.5. Outro ponto negativo é a ausência de um controle remoto para abertura ou ignição. Ou se recorre ao cartão NFC, que funciona por contato, ou um aplicativo de celular. Nota 7.

Consumo – A autonomia de 338 km do InMetro é um tanto modesta. Durante o teste, o modelo cumpria médias de 6 a 7 km/kW, o que corresponde a um alcance acima de 400 km. Nas medições do InMetro, o C10 EV percorre com o equivalente em gasolina 35,1 km/l na cidade e 30,8 km/l na estrada, com notas A no geral e na categoria. Nota 10.

Conforto – O C10 EV, assim como o REEV, é um carro de asfalto. Ele tem uma ótima qualidade de rodagem, com boa filtragem de pequenas irregularidades e um silêncio absoluto a bordo. O crossover da Leapmotor é recheado de recursos de conforto e os bancos são verdadeiras poltronas, que oferecem apoio adequado. Nota 9.

Tecnologia – O C10 usa a plataforma LEAP 3.0, uma arquitetura que integra na estrutura baterias arrefecidas por óleo. A rigidez torcional de 42,5 kNm/grau é altíssima – maior do que a do Porsche Macan EV –, tem um bom pacote ADAS e ainda sistemas de monitoramento. A limitação de espelhar celulares e a ausência de uma chave física desagradam. A abertura e o acionamento são feitos apenas pela aproximação do cartão NFC ou através do aplicativo de celular. Nota 8.

Habitabilidade – O espaço interno do C10 é extremamente generoso. Entre-eixos de 2,83 m, teto panorâmico, piso plano na fileira traseira e habitáculo com ótima largura. O C10 traz ainda teto panorâmico com cortina elétrica e bons nichos para acomodar objetos. O console central elevado melhora a ergonomia e há detalhes como carregador de celular com resfriamento. Nota 9.

Acabamento – A Leapmotor traz um interior de linhas limpas, com materiais de bom aspecto, mas sem a intenção de transmitir requinte ou luxo. Ele traz tons sóbrios de cinza e preto – há uma opção mais extrovertida, com interior caramelo –, revestimentos de couro sintético de boa qualidade (não ótima) e montagem de aparência robusta. Nota 8.

Design – O C10 é imponente e elegante. As linhas são limpas, sem vincos marcados, e volumes bem proporcionais. O aspecto geral é neutro, sem pontos para rejeições nem para interjeições. A aparência é de crossover, sem a postura mais rústica de SUV. Como é grande e tem cintura alta, a impressão é que está colado no chão. Nota 8.

Custo/benefício – A concorrência no segmento de SUVs médios elétricos está cada vez mais acirrada. É ligeiramente mais caro que o Chevrolet Captiva, tem o mesmo preço do Geely EX5 Pro e é um pouco mais barato que o GAC Aion V – os três modelos que mais vendem, na ordem. Nota 7.

Total –O Leapmotor C10 REEV obteve 82 dos 100 pontos possíveis.

Impressões ao dirigir

A elegância do simples

A presença do Leapmotor C10 se impõe. As linhas limpas e simples são elegantes, característica que pode facilmente ser confundido com falta de personalidade. Por dentro, o conceito não muda: linha fluídas e sem muitos detalhes. O que muda é o enorme espaço interno. Teto elevado, cabine larga, piso plano e muito espaço para pernas, ombros e cabeça.

Por dentro, o modelo recebe materiais de boa qualidade e tem montagem bem feita, mas sem passar a ideia de requinte. Há uma incômoda economia de botões para acessar as funções do modelo. Tudo é centralizado na central multimídia e no volante multifuncional. Como é um carro largo, não é difícil que seja necessário fechar os espelhos em determinadas vagas e garagens – ele tem 2,13 m de largura com os espelhos abertos.

Nesse caso, há a possibilidade de usar o botão coringa no volante, que pode ser configurado para abrir diretamente o menu do espelho na tela da central e comandar o rebatimento. Ainda assim, é um comando em dois passos. Sem o botão, seriam três. Outro ponto negativo é a impossibilidade de espelhar Apple CarPlay e Android Auto. Há o recurso de usar um adaptador, mas não funciona tão bem quanto os recursos originais em um sistema operacional.

Em movimento, o C10 mostra ótima qualidade. Apesar das 2 toneladas, ele acelera e retoma bem, com bastante vigor. Mas por conta do tamanho, perde agilidade no trânsito. O conjunto suspensivo absorve muito bem as irregularidades, com um rodar suave, e consegue controlar bem as rolagens, mesmo sendo macio. Contudo, encontra um limite nessa filtragem em trechos mais esburacados. Não é um modelo próprio para estradas de terra.

A vocação do C10 EV é ser um carro familiar, principalmente para uso urbano – como todo elétrico no Brasil. E prima pela segurança. Tanto que conta com um verdadeiro arsenal de recursos ADAS, com controle de cruzeiro adaptativo, monitoramento de faixa etc. Já a frenagem autônoma se mostrou um tanto ansiosa, a ponto de interferir na condução, pois aciona cedo demais o assistente de frenagem – a aciona os freios com toda a potência.

Ficha técnica

Leapmotor C10 EV Design

Motor: Elétrico, traseiro, transversal, síncrono com ímã permanente. Tração traseira.

Potência: 218 cv.

Torque: 32,6 kgfm.

Transmissão: Automática com uma relação de 11,36:1 reversível ligada diretamente ao diferencial traseiro.

Aceleração 0-100 km/h: 8,3 segundos.

Velocidade máxima: 170 km/h.

Bateria: Fosfato de ferro-lítio, instalada no assoalho entre os eixos com arrefecimento líquido, tensão de 400 V e capacidade de carga de 69,9 kWh.

Recarga: 11 kW em corrente alternada e 84 kW em corrente contínua.

Carroceria: Crossover médio com quatro portas e cinco lugares. Com 4,74 metros de comprimento, 1,90 m de largura, 1,68 m de altura e 2,83 de distância entre-eixos. Altura mínima para o solo de 18 cm. Ângulo de 17º de ataque e de 23º de saída. Airbags frontais, laterais e de cabeça de série.

Suspensão: Dianteira tipo McPherson com rodas independentes, amortecedores hidráulicos, molas helicoidais e barra estabilizadora. Traseira multilink com barra estabilizadora, rodas independentes, amortecedores hidráulicos e molas helicoidais.

Freios: Dianteiros e traseiros com discos ventilados e sistema de frenagem regenerativa integrado. ABS com controle de partida em rampa e controle de estabilidade.

Pneus: 245/45 R20.

Peso: 2007 kg em ordem de marcha com 45 kg de capacidade de carga.

Porta-malas: 465 litros atrás e 32 litros na frente.

Lançamento: novembro de 2025.

Produção: Zhejiang, China.

Preço: R$ 204.990.

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