
Ataque cirúrgico
BYD Atto 2 PHEV flex quer briga com os SUVs compactos a combustão
por Eduardo Rocha
Auto Press
Desde que chegou ao Brasil, a chinesa BYD tem acertado no mapeamento do mercado brasileiro. E é isso que explica a quinta posição da marca no ranking de vendas de automóveis em 2026, com 8,9% de participação. Entre esses acertos, primeiro veio o compacto 100% elétrico Dolphin. Na sequência, trouxe o subcompacto também 100% elétrico Dolphin Mini – cujo nome original, Seagull, foi mudado para pegar carona no sucesso do compacto. Agora, a fabricante chinesa aposta em mais uma lacuna do mercado, com o SUV compacto híbrido plug-in Atto 2 – a nova política de batismos da BYD adota nomes usados internacionalmente.
O modelo sairá das linhas da planta de Camaçari, na Bahia, no regime de SKD, a partir do terceiro trimestre deste ano e vai inaugurar o segmento de SUVs compactos PHEV no país, com o atrativo adicional de trazer motorização flex. O anúncio antecipado da chegada, possivelmente em agosto, é uma forma de gerar expectativa e colocar os consumidores de SUVs compactos em compasso de espera. Afinal, trata-se do maior segmento do mercado, que responde por mais de 40% dos emplacamentos de automóveis no Brasil. Como não tem rivais diretos, a BYD vai mirar nos SUVs compactos superiores com motorização tradicional, a combustão.

Isso fica evidente com os preços anunciados para o Atto 2. Na versão de entrada, GL, o modelo está cotado em R$ 149.900, enquanto a configuração de topo, GS, chega a R$ 169.900. Essa faixa de preço chega a ficar abaixo de versões intermediárias e de topo de modelos como Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta e Chevrolet Tracker.

As dimensões do Atto 2 se alinham perfeitamente a esses rivais. O SUV compacto chinês tem 4,33 m de comprimento, 1,83 m de largura, 1,67 m de altura, com 2,62 m de entre-eixos e 16 cm de altura livre para o solo. O porta-malas comporta 455 litros – um bom tamanho para o segmento, mas aqui ajudado pela ausência de estepe – há apenas um kit de reparo.

Em relação ao conteúdo, ele também está bem posicionado. O modelo de entrada, GL, chega com iluminação em led, rodas de liga leve com pneus 215/60 R17, chave presencial, destravamento por NFC, painel digital de 8,8 polegadas, central multimídia com tela de 10,1 polegadas e conexão sem fio para Apple CarPlay e Android Auto. Na parte de segurança, a versão conta com seis airbags, sensores dianteiros e traseiros, farol alto automático, câmera 360º, controle de cruzeiro adaptativo, alerta de colisão frontal e frenagem autônoma de emergência.

O Atto 2 GS acrescenta teto solar panorâmico, revestimento em couro sintético, banco do motorista com ajustes elétricos, central multimídia com Google Maps e tela de 12,8 polegadas, carregador por indução, alerta de colisão traseira e de tráfego traseiro cruzado com frenagem autônoma, assistente de faixa e alerta de ponto cego.

Ambas as versões trazem sob o capô o motor 1.5 aspirado da família Xiaoyun, que tem um dos maiores índices de eficiência térmica, com aproveitamento de 46,06%, gerenciado por um câmbio automático de marcha única. Ele rende 98 cv e 12,8 kgfm e é associado a um motor elétrico dianteiro e, quando combinados, geram 177 cv na versão GL e 197 cv na GS – o torque final é sempre de 30,6 kgfm. Na aceleração de zero a 100 km/h, a GL faz em 8,5 s enquanto a GS cumpre a tarefa em 8,4.

A diferença mais significativa aparece em relação à alimentação da mobilidade elétrica. A versão de entrada traz um pacote de bateria de 7,85 kWh, com autonomia elétrica estimada em 45 km no ciclo chinês NEDC. Já a bateria da versão GS tem 18,03 kWh de capacidade, com alcance de 110 km (NEDC). No ciclo InMetro, esses números seriam cerca de 30% menores.

A autonomia combinada é estimada em 1 mil km no GL e 1.045 km no GS, com gasolina no ciclo NEDC. Um dado curioso é que o Atto 2 só aceita recarga em corrente alternada, com potência de 3,3 kW na GL e 6,6 kW na GS. Ou seja: a ideia é fazer recarregamento doméstico.

A BYD não faz previsões em relação às vendas, mas a estimativa é que o Atto 2 emplaque entre 4 mil e 5 mil unidades mensais já no quarto trimestre deste ano – volume que ultrapassaria o do BYD Dolphin. Essa expectativa se apoia na grande versatilidade do modelo, que pode funcionar como elétrico em uso urbano e permitir viagens sem a conhecida angústia de parar na estrada por falta de energia.


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