O reforço do Equinox
Eduardo Rocha
O reforço do Equinox

Aventura chique

Equinox Activ ganha imponência e robustez sem abrir mão do requinte

por Eduardo Rocha

Auto Press

Desde 2017, quando chegou ao Brasil, ainda na terceira geração, o Chevrolet Equinox foi tratado como carro de imagem. Essa função era reforçada pelo porte, pelo conteúdo e também pelo preço, que o posicionava na parte mais alta do segmento de SUVs médios. A quarta geração do modelo, que desembarcou no final de 2024, manteve essa mesma lógica. E como carro aspiracional, apostou em duas vertentes, ambas com o mesmo preço inicial, de R$ 291.190. Enquanto a versão RS aposta em um visual mais esportivo, a configuração avaliada, Activ, valoriza o espírito aventureiro.

Isso significa que a versão traz alguns detalhes que acabam incrementando o uso fora do asfalto liso. Para começar, adotou rodas menores, de 19 polegadas, com pneus de uso misto de perfil mais alto. Também recebeu equipamentos que melhoram o controle sobre o entorno do veículo, como câmera 360º, faróis de neblina, alerta traseiro de pedestres e retrovisor interno por vídeo.

Por fora, a Activ adota acabamentos mais elaborados e elegantes, como moldura da grade com acabamento cromado, teto na cor da carroceria e para-choque traseiro parcialmente pintado na cor da carroceria. Por dentro, mudam as cores dos acabamentos – no caso, a unidade testada, o interior era cinza com bege.

A rigor, a versão Activ substituiu na gama a antiga Premier e traz o mesmo conjunto mecânico: motor 1.5 litro turbo que rende 177 cv de potência e 28 kgfm de torque. Ele agora é gerenciado por um câmbio de oito marchas, que distribui a força pelas quatro rodas em um sistema AWD on demand – o que ajuda a reforçar a imagem aventureira da versão.

O pacote de equipamentos é bem completo. Teto solar panorâmico, ar-condicionado digital duplo e chave presencial para travas e ignição, faróis em led tipo projetor, tampa traseira elétrica com sensor de movimento, carregador de celular por indução, partida remota do motor e sistema Google Assist.

O modelo conta ainda com um bom conjunto de sistemas de auxílio à condução: controle de cruzeiro adaptativo com Stop&Go, alerta de colisão com frenagem autônoma, alerta de faixa, de ponto cego e de movimentação traseira, farol alto automático, seis airbags, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, sensor de luz e de chuva.

O painel é digital e configurável com 11 polegadas enquanto o sistema multimídia MyLink tem tela de 11,3 polegadas, conexão sem cabo com Apple CarPlay e Android Auto, navegador integrado e roteador wi-fi para até sete aparelhos. Tem ainda paddle shift no volante para troca de marchas, botão giratório para modos de condução, volante multifuncional para controle de som, telefone e controle de velocidade, ajuste elétrico, aquecimento e ventilação para os bancos dianteiros e aquecimento para os assentos laterais traseiros.

Com a concorrência interna dos novos SUVs elétricos da marca, as vendas do Equinox turbo sofreram um recuo de 2025 para 2026, como médias de emplacamento caindo de cerca de 200 para 120 unidades/mês. Ainda assim, a operação de importação do modelo continua sendo boa para a Chevrolet. Além de atender os fãs da marca, o fato de o SUV ser produzido no México, com incidência de tarifas favoráveis, gera uma boa vantagem comercial (Fotos de Eduardo Rocha, Auto Press).

Ponto a ponto

Desempenho – A quarta geração do Equinox teve o conjunto mecânico retrabalhado. O motor 1.5 Turbo agora trabalha com um câmbio de oito velocidades e 177 cv e 28,0 kgfm – antes tinha seis marchas e 5 cv a menos. A tração AWD e torque máximo a 2 mil giros ajudam em situações de fora-de-estrada, desde que não seja nada radical, e na cidade oferece boa agilidade e acelerações consistentes, sem turbo lag. O zero a 100 km/h em 9,4 s é 0,1 s mais lento que a versão RS, por conta dos pneus menores e de uso misto. A máxima é de 195 km/h. Nota 8.

Estabilidade – O Equinox conta com a moderna plataforma VSS-S, construída com uso de aço de ultra-alta-resistência estampado a quente em colunas e travessas. Essa tecnologia incrementou a rigidez torcional do modelo, o que desembocou em uma nova geometria de suspensão, que manteve a configuração McPherson na frente e multilink atrás. Embora seja um pouco mais macio que a versão RS, por conta das rodas menores e perfil de pneu maior, o Equinox ficou um pouco mais firme e tem a direção mais precisa. Nota 8.

Interatividade – O novo Equinox teve o interior repaginado, com o painel digital de 11 polegadas e a central multimídia de 11,3 polegadas combinados em um console na altura dos olhos do condutor, com um botão físico para on/off e volume. O comando do câmbio fica em uma haste à esquerda na coluna, o que abre um bom espaço no console central. Os comandos são simples e funcionais. Nota 8.

Consumo – Como a versão Activ consome um pouco menos que a finada Premier AWD, com médias de 9,0 km/l na cidade e 10,8 km/l na estrada sempre com gasolina. As notas no InMetro não são boas – D no segmento e no geral –, mas o consumo é coerente com o porte e peso do modelo. Nota 4.

Conforto – O Equinox sempre se destacou nesse aspecto e a versão Activ é até um pouco melhor que a RS nesse aspecto, por conta do flanco maior dos pneus, que filtra melhor as irregularidades do piso. O interior mostra um ótimo aproveitamento do entre-eixos de 2,73 metros, com muito espaço para pernas e cabeça. Os novos bancos têm ótima ergonomia e contam com controle térmico tanto na frente quanto nos assentos laterais traseiros. Nota 9.

Tecnologia – A plataforma modular VSS-S – de Vehicle Set Strategy SUV – é recente e oferece ótima dinâmica ao Equinox. O trem de força foi modernizado e é potente e ágil, embora não seja econômico. A lista de itens de equipamentos de série e de segurança é bem completa, especialmente no controle do entorno do veículo. A central multimídia é completa, tem boa conectividade e conta com carregador por indução. Nota 8.

Habitabilidade – O habitáculo tem nichos no console, nas portas e sob o apoio de braços. O porta-malas tem 469 litros. Mas o melhor é a ausência da alavanca de câmbio entre os bancos, que cria um console central mais funcional. O espaço para cabeças, ombros e pernas é generoso. Chama a atenção o bom espaço lateral, que permite a presença de um terceiro passageiro atrás sem detonar o conforto. Nota 9.

Acabamento – Por dentro, a versão Activ traz a combinação de bege e cinza com teto preto. Os bancos, painéis de porta e console frontal recebem acabamento em couro sintético texturizado – material denominado Evotex pela GM. Foram mantidas algumas áreas de toque plástico rígido, por conta do caráter utilitário do Equinox, mas o aspecto geral é de requinte. Nota 8.

Design – Em relação ao antigo Equinox, a quarta geração é mais uma evolução do que uma revolução. Manteve o mesmo porte, mesma distribuição de massas e ganhou apenas alguns detalhes que emprestam um ar mais moderno – como nos conjuntos óticos. Os volumes são bem equilibrados e o aspecto geral é de robustez. Nota 8.

Custo/benefício – No subsegmento específico de SUVs médios superiores, o Equinox tem preço um tanto salgado. Ele rivaliza com Jeep Compass Blackhawk Hurricane, Volkswagen Tiguan R-Line, Renault Koleos híbrido e BYD Song Plus Premium plug-in híbrido, todos mais potentes e com preços próximos. Nota 6.

Total – O novo Chevrolet Equinox RS somou 76 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir

Ponto de equilíbrio

A versão Activ do Chevrolet Equinox busca imprimir uma imagem aventureira, mas de forma sutil, sem papagaiar o carro para não perder a pegada de elegância do crossover. Os pontos em que o modelo caminha na direção de um SUV mais capaz de sair do asfalto são a tração AWD, presente em toda a gama no Brasil, e a roda um pouco menor que na versão RS – aro 19 e pneus com 12,9 cm de flanco.

Essa troca do conjunto de rodas e pneus deu ao Equinox uma dinâmica mais confortável e amistosa. E essa suavização caiu muito bem, já que a nova plataforma VSS-S embruteceu um pouco o carro, por ser destinada na origem a SUVs mais robustos. Mas esse aumento de rigidez também permitiu um acerto mais preciso de suspensão e direção. Em suma: manteve o conforto e ganhou em controle.

No console central, há um botão giratório que permite escolher entre modos de condução Normal, Off-road e Gelo, que permitem explorar melhor os limites dinâmicos do Equinox. O motor 1.5 de 177 cv e 28 kgfm é liso e tem ganhos de velocidade sem buracos, até por conta do novo câmbio de oito relações. Com uma relação peso/potência próxima de 9,5 kg/cv, a aceleração de zero a 100 km fica em 9,5 s.

Dinamicamente, a evolução do Equinox foi notável. E no caso da Activ, o conforto nem foi tão afetado quanto na RS, embora os pneus de uso misto sejam um pouco ruidosos. O espaço interno se vale de um bom aproveitamento do entre-eixos de 2,73 metros. Há espaço para cabeças e pernas para todos os ocupantes, bancos elétricos dianteiros com controle térmico, piso plano e saídas de ar para a fileira traseira.

Ficha técnica

Chevrolet Equinox Activ

Motor: Gasolina, dianteiro, transversal, 1490 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, turbocompressor. Injeção direta e acelerador eletrônico.

Transmissão: Câmbio automático de oito marchas à frente e uma a ré. Tração integral on demand e controle eletrônico de tração.

Potência máxima: 177 cv a 5.600 rpm.

Torque máximo: 28,0 kgfm entre 2 mil e 4 mil rpm.

Aceleração de 0 a 100 km/h: 9,4 segundos.

Velocidade máxima: 195 km/h.

Suspensão: Dianteira independente tipo McPherson, com barra estabilizadora ligada a hastes tensoras e molas helicoidais com carga lateral. Traseira independente tipo multilink com quatro braços. Controle eletrônico de estabilidade.

Pneus: 235/55 R 19.

Freios: Discos na frente e atrás. ABS com EBD e sistema automático de frenagem de emergência.

Carroceria: Utilitário esportivo médio em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. 4,66 metros de comprimento, 1,90 m de largura, 1,71 m de altura e 2,73 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais, de cabeça e laterais para os passageiros da frente.

Peso: 1.678 kg, em ordem de marcha.

Capacidade do porta-malas: 469 litros e 931 litros com os bancos traseiros rebatidos.

Tanque de combustível: 59 litros.

Produção: San Luís Potosí, México.

Preço: R$ 275.790.

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