
Pragmatismo mercadológico
Toyota renova seu SUV combinando clichês da moda com estilo funcional
por Jorge Beher
Autocosmos.com/Chile
Exclusivo no Brasil para Auto Press
Embora ainda seja montada em uma versão atualizada da plataforma TNGA-K, a sexta geração do Toyota RAV4 foi levada para uma nova etapa, tanto no design quanto na eletrificação. Para se adaptar aos novos tempos, algo que os japoneses sempre fazem sem pressa, a marca hibridizou toda a gama e também adotou telas maiores, comandos minimalistas, luzes contínuas e formas futuristas, coisas que às vezes contrastam com o pragmatismo utilitário típico da marca.
O que não mudou foi a política de preços: é mais caro e menos refinado que a concorrência – valor inflado pela confiabilidade e praticidade reconhecida do modelo. No Brasil, o modelo chega do Japão em duas versões: S Hibrido por R$ 319.620 e SX Híbrido por R$ 351.720.
A primeira coisa que chama a atenção nesta sexta geração é a evolução da linguagem de design Hammerhead, que aproximou o modelo do Corolla Cross. Principalmente em função da grade sem moldura combinada com o para-choque, com aberturas em padrão hexagonal. Os conjuntos óticos em formato de pinça são unidos na base por uma moldura preta.

O bloco dianteiro ainda conta com dois clusters para os faróis de neblina na parte inferior. Por fora, manteve praticamente as mesmas dimensões, com 4,60 m de comprimento, 1,86 m de largura, 1,70 m de altura e 2,69 m de entre-eixos. A altura livre para o solo é de 20 cm e o porta-malas comporta 514 litros. As rodas variam de 17 a 20 polegadas, dependendo da versão.

De perfil, a Toyota deu um pouco mais de personalidade aos painéis laterais, deixando a porta dianteira mais plana e integrando os vincos da porta traseira aos do para-lama. As lanternas traseiras ficaram mais elegantes e apresentam a inscrição RAV4 gravada no centro, na moldura de iluminação da placa. Outro truque visual desse modelo é visto no telhado, que é um pouco mais abobadado na parte de trás: o teto não segue a linha das janelas, o que revela o efeito, mas ajuda a gerar mais espaço para os ocupantes.
O interior do RAV4 é uma aula de como criar uma aparência de carro moderno e funcional. Esteticamente, ele parece ser mais minimalista do que as versões anteriores, com botões sendo eliminados e com os comandos concentrados na grande tela central. A realidade, no entanto, é que a Toyota apenas fez com que os botões fossem reorganizados e ficassem mais discretos, para deixar o visual mais limpo. A alavanca de câmbio foi reduzida a um pequeno comutador, típico de carros elétricos.

Os materiais ainda são de alta qualidade, embora falte superfícies mais macias nas áreas de maior toque (e este é, provavelmente, um dos pontos mais baixos do modelo). A ergonomia, por outro lado, é excelente. Tudo é confortável, lógico e familiar. Há um enorme espaço de armazenamento sob o apoio de braço, com uma tampa que pode ser aberta do lado esquerdo ou direito, pode ser removida e até invertida para funcionar como uma bandeja multifuncional.
Pelo menos nas versões que vêm para o Brasil, o estofado é requintado, com uma mistura de couro sintético e macio perfurado, com ótima: qualidade. O RAV4 traz um cluster de 12,3 polegadas e uma tela central de 10,5 polegadas com espelhamento sem fio. As interfaces não são as mais atraentes, mas é bem legível, informativa e com funções atualizadas. A central multimídia traz uma linha de botões para o controle climático na base, com um controle de áudio no centro.

Desde a versão S, o RAV4 traz teto solar, bancos revestidos em couro e material sintético, detalhes externos cromados, rodas de liga leve 20 polegadas, faróis em LED, ar-condicionado digital dual zone, chave presencial para travas e ignição, abertura elétrica do porta-malas. Já a versão SX adiciona teto solar panorâmico, câmera 360º, head up display, áudio premium com subwoofer, GPS nativo, bancos com aquecimento, sensor de chuva e assistente de estacionamento semiautomático.
Na parte de segurança, ambas versões trazem sete airbags, alerta de ponto cego, sensores de estacionamento e o pacote Toyota Safety Sense, com alerta de colisão com frenagem autônoma, controle de cruzeiro adaptativo, assistente de pré-colisão, farol alto automático, alerta de tráfego cruzado traseiro e sistema de alerta de mudança de faixa com assistência de direção.

Para animar o modelo com mais de 1.750 kg, o RAV4 chega ao mercado brasileiro com um trem motriz híbrido pleno (autorrecarregável) com um motor a combustão de 2.5 litros com 184 cv e 22,5 kgfm. Ele é associado a dois motores elétricos, o dianteiro com 134 cv e 21,2 kgfm e o traseiro com 53 cv e 12,3 kgfm. Na combinação, o RAV4 tem 239 cv de potência e 27,9 kgfm de torque. O zero a 100 km/h é feito em 8,1 s e a máxima é de 180 km/h.

A Toyota optou por ter um sistema de tração integral eletrificada, chamada de e-Four. O motor auxiliar traseiro tem ação on demand, quando a situação exige maior potência, em casos de perda de aderência ou para equilibrar a distribuição de massa e ter um comportamento mais linear. Também possui transmissão CVT, três modos de condução, dois modos de tração e um modo 100% elétrico, que é desativado quando o acelerador é espremido de forma muito agressiva. O desempenho homologado pelo InMetro para esse conjunto motriz é de 16,1 km/l na cidade e 13,5 km/l na estrada.

Impressões ao dirigir
Refinamento dinâmico
A transmissão CVT da Toyota brilha no RAV4. Principalmente porque o normal é que esse tipo de caixa provoque uma sensação de arrasto. Aqui, a assistência do motor elétrico, o fato de ter uma primeira marcha com conexão fixa e a correta emulação de algumas marchas, torna sua operação próxima de uma automática convencional e parece mais eficaz e precisa nas mudanças de marcha e na sensação de torque.

Entre os modos de direção, o modo Eco é mais do que suficiente para uso urbano, pois não mantém tanta aceleração e gerencia melhor o consumo de energia. Agora, quando se quer um empurrão extra ou um carro mais responsivo, o modo Comfort já entrega este comportamento. Mas nem no modo Sport o carro adota um desempenho explosivo, mas oferece uma sensação mais marcada em recuperações em baixa velocidade do que em velocidades de rodovia, onde há menos torque.

A dirigibilidade do RAV4 não é a de um carro muito refinado. O SUV é moderno e emula um conceito bem europeu, mas mantém precisamente a magia que existe no feeling de direção japonês, marcado pelo equilíbrio. Não existe carro japonês com isolamento acústico muito intenso, a menos que seja muito luxuoso. Mas isso tem um propósito: dar ao motorista um pouco mais de informação sobre o que o carro faz. Em suma: o RAV4 apresenta uma sensação mais real e transparente, o que se traduz em maior segurança, embora signifique um carro menos macio.

A Toyota conseguiu conciliar muitas coisas de forma notável: atmosfera moderna no interior sem sacrificar a funcionalidade, design modernizado sem exageros, um motor confiável e com desempenho e calibração de direção sensata e direta. É um SUV honesto e fiel à filosofia da marca, mesmo que não seja o mais refinado ou vanguardista. São valores não muito tangíveis à primeira vista, mas que justificam que um RAV4 seja mais caro que os rivais diretos. 
The post RAV4 se realinha appeared first on MotorDream.