
SUV com caçamba
Renault aposta na versatilidade, no estilo e no conforto da picape Niagara
por Eduardo Rocha
Auto Press
A Fiat Toro navega desde 2016 num Oceano Azul, definição em marketês para produtos sem rivais diretos. Agora, depois de 10 anos, o segmento de picapes médias-compactas começa a ganhar novos protagonistas, como a recém-apresentada Renault Niagara. O modelo surge como peça central da estratégia da marca para mercados fora da Europa, no programa chamado de futuREady. Embora a linha de produção seja em Córdoba, na Argentina, o principal alvo é mesmo o mercado brasileiro, que deve responder por mais de 60% das vendas. Embora o preço oficial ainda não esteja definido, a expectativa é que fique entre R$ 160 mil e R$ 230 mil e as primeiras unidades sejam entregues em novembro.
A estratégia do projeto segue a lógica atual da marca, que é ter produtos recheados de tecnologia com custo/benefício favorável. Neste sentido, a Niagara traz o sistema multimídia OpenR Link com Google integrado, com aplicativos como Maps e Play Store, inteligência artificial Google Gemini para comandos vocais e interações, e um pacote de recursos ADAS bem completo, com controle de cruzeiro adaptativo, alerta de ponto cego, frenagem autônoma de emergência e câmeras 360º, entre outros. 
Por fora, a Niagara reflete tendências atuais de design da marca, marcadas por linhas diagonais, com referência à logomarca da fabricante francesa, bem semelhante ao estilo do Boreal. Aqui, no entanto, a ideia de robustez é mais realçada. A frente verticalizada, com grade ampla e capô elevado, transmite imponência, enquanto os faróis full LED dentro de uma grossa moldura em preto brilhante. Diversas peças da carroceria são semelhantes às do Boreal, até a coluna central. A partir daí, a Niagara ganha personalidade própria, com a caçamba e a traseira altas, com detalhes musculosos.

Na parte mecânica, a Niagara utiliza motor TCe 1.3 turbo com injeção direta flex, que rende até 156/160 cv, com gasolina/etanol, e 27,5 kgfm de torque, associado a câmbio manual ou automático de dupla embreagem de seis marchas e tração 4X4 na versão de topo e dianteira nas demais configurações. O consumo fica entre 7 e 9 km/l com etanol e 11 e 12,8 km/l com gasolina, com bom desempenho em uso urbano. A aceleração de zero a 100 km/h fica em torno de 10 segundos, com máxima de 175 km/h. Uma versão híbrida está sendo planejada para chegar ao mercado no final de 2027.

O modelo compartilha com Kardian e Boreal a arquitetura modular RGMP, mas aqui aparece uma suspensão traseira multilink, para transmitir uma experiência próxima à de um SUV. A picape tem 4,94 m de comprimento, 1,72 m de altura e distância entre-eixos de 2,96 m, o que resulta em espaço interno amplo. A caçamba tem capacidade para 938 litros, mas com apenas 654 kg de carga útil – bem na média do segmento.

O interior também segue o estilo do Boreal. Traz painel digital integrado, cluster horizontal de 10,2 polegadas e multimídia de 10,1 polegadas. O câmbio eletrônico tem alavanca no estilo joystick para liberar espaço no console. Dependendo da versão, os bancos dianteiros trazem ajuste elétrico e função massagem. Já o encosto traseiro reclina até 25 graus, o que amplia o conforto da segunda fileira de bancos. A ergonomia privilegia conforto em viagens longas, com espaço para joelhos de 200 mm, superior ao de rivais diretos. Como inovação de habitabilidade, a Niagara apresenta um compartimento de 36 litros atrás dos bancos traseiros – o que provoca uma protuberância no fundo da caçamba.





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