A nova identidade do Tiguan
Eduardo Rocha
A nova identidade do Tiguan

Ambiente familiar

ID.Tiguan aproxima conceito dos elétricos da marca ao da linha tradicional

por Eduardo Rocha

Auto Press

Na década passada, as fabricantes acreditaram que teriam condições de investir em linhas elétricas com projeto próprio. Acontece que a indústria tradicional está sendo atropelada pelas marcas chinesas, que apostaram em reduzir custos de produção e criar plataformas mais versáteis, que acolhessem tanto modelos elétricos quanto híbridos e a combustão, as chamadas multiplataformas. Na Volkswagen, esta mudança de conceito vai ocorrer aos poucos. Inicialmente, a marca vai utilizar a MEB+, uma evolução da plataforma dedicada a modelos elétricos. Só em um segundo momento é que vai adotar uma mudança de conceito, com a plataforma SSP, ou Scalable Systems Platform. O ID.Tiguan, modelo que substituirá os atuais ID.4 e ID.5 a partir de 2027, vem nesta raspa de tacho, que é a MEB+.

A estratégia de usar o nome do SUV não elétrico tem lógica comercial evidente: o SUV é hoje o Volkswagen mais vendido do mundo. Enquanto ID.4 e ID.5 já acumularam mais de 950 mil unidades desde 2021, o Tiguan, neste mesmo período, bateu 3 milhões de exemplares. Ao unir essas duas trajetórias em um único produto, a fabricante tenta reduzir a distância entre consumidores tradicionais e os que preferem a mobilidade elétrica. O preço inicial na Alemanha de 42.695 euros - cerca de R$ 240 mil -, posiciona o modelo na faixa central dos SUVs elétricos médios europeus.

Para o Brasil, ainda não existe confirmação oficial de lançamento. Mas se a Volkswagen quiser se manter no segmento de SUVs elétricos médios - onde passou a atuar com o ID.4 -, terá de trazer o modelo da Alemanha. A fábrica do México, que abastece o mercado brasileiro, não tem planos de produzir a versão 100% elétrica. Nesse caso, o ID.Tiguan não chegaria por menos de R$ 350 mil.

Em relação ao design, o ID. Tiguan marca uma mudança importante na linguagem visual dos elétricos da marca. No lugar das formas arredondadas e do aspecto de crossovers urbanos, o modelo assume volumes mais verticais, superfícies mais definidas e silhueta mais próxima de SUVs tradicionais. A intenção parece ser combinar características da atual geração do Tiguan a combustão com a tendência de design de modelos chineses e europeus, que buscam uma imagem de robustez sem sacrificar a aerodinâmica. As marcas têm percebido uma certa rejeição à ideia de associar modelos elétricos a desenhos futuristas.

O interior do ID.Tiguan foi profundamente modificado. A Volkswagen resolveu reintroduzir comandos físicos para funções frequentemente utilizadas. Volante multifuncional com botões convencionais, comandos dedicados para climatização e um controle físico para volume substituem parte da dependência de comandos diretamente nas telas, embora elas continuem crescendo. O painel digital tem agora 10 polegadas, a central multimídia subiu para 15 polegadas e o passageiro dianteiro ganhou uma tela exclusiva de 12 polegadas.

Entre as novidades tecnológicas, algumas até têm um certo impacto prático. Caso do sistema One Pedal, popularizado pela Nissan, que reduz significativamente o uso do freio convencional pela gradação da regeneração de energia. Ou ainda a introdução de reconhecimento de semáforos entre os recursos ADAS e a adoção de chave digital compartilhável por smartphone. Em relação ao tamanho, o ID.Tiguan se mantém dentro dos limites do segmento. Ele tem 4,62 m de comprimento, 1,86 m de largura, 1,62 m de altura e um entre-eixos de 2,77 m. O porta-malas oferece 534 litros, enquanto um compartimento dianteiro, o frunk, acrescenta mais 32 litros.

Na parte mecânica, o ID. Tiguan chega em três versões. A de entrada tem tração traseira, 140 kW (190 cv) e bateria de 58 kWh. A configuração intermediária também traz tração traseira, mas com 210 kW (286 cv) e bateria de 77 kWh. No topo aparece a versão 4MOTION, com dois motores elétricos, tração integral e potência combinada de 220 kW (299 cv). Dependendo da configuração, a autonomia pode chegar a 600 quilômetros pelo ciclo WLTP.

No fim, o novo ID.Tiguan se apresenta como um produto menos experimental do que o ID.4 original e mais alinhado às demandas atuais do mercado. Em vez de apostar apenas no discurso tecnológico, a marca procurou corrigir pontos criticados pelos consumidores, simplificar a interface de uso e aproximar o veículo daquilo que compradores de SUVs já conhecem. Isso pode representar uma vantagem pela familiaridade com o modelo a combustão. Por outro lado, o ID. Tiguan chega a um momento em que a competição está bem mais acirrada, enfrentando concorrentes que já acumularam experiência e credibilidade.

The post A nova identidade do Tiguan appeared first on MotorDream.

    Compartilhar
    Comentários
    Clique aqui e deixe seu comentário!

    Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

    Mais Recentes