A conexão Fluo
Eduardo Rocha
A conexão Fluo

Evolução tecnológica

Yamaha Fluo ganha conectividade e mantém desempenho com sistema híbrido

por Eduardo Rocha

Auto Press

Desde que foi lançada, em 2022, a Yamaha Fluo ABS Hybrid Connected ficou caracterizada por trazer tecnologias inéditas no segmento de scooters de entrada. Trazia recursos como chave presencial para travas e ignição, tomada de 12 V, ABS na roda dianteira, farol em led e painel digital em tela de LCD. Para um modelo que já poderia ser considerado moderno, a atualização apresentada no início deste ano para a linha 2027 foi marcante. A Fluo se tornou o primeiro modelo no Brasil a contar com um sistema híbrido leve, além de ganhar conexão com smartphones, normalmente disponível em modelos maiores.

A Fluo ocupa uma posição intermediária na gama de scooters pequenas da Yamaha. Mas com a renovação da linha, ela ficou espremida em relação a preço e recursos entre a esportiva Aerox e a também híbrida ZR, lançada em maio - fogo amigo que acabou reduzindo a participação da Fluo. No entanto, o modelo mantém uma relação custo/benefício favorável: custa R$ 17.891 com frete incluído - preço semelhante ao da Honda Biz, que é tecnologicamente bem inferior. A gama de scooters da Yamaha, que inclui ainda NMax e XMax, já representa 20% dos emplacamentos da marca.

O modelo traz o motor Blue Core Hybrid, monocilíndrico com 125 cm³, somente a gasolina, refrigerado a ar e óleo, gerenciado por câmbio CVT e rende 8,3 cv a 7 mil rpm e 1,0 kgfm a 5 mil. O torque é o mesmo da configuração antiga, mas sofreu uma redução de potência em 1,2 cv por conta dos controles de emissões. Foi exatamente para não sacrificar o desempenho que a Yamaha adotou o sistema híbrido leve. E mesmo que não influencie os números de potência e torque máximos, a assistência elétrica melhora a resposta dinâmica em momentos estratégicos.

O motor elétrico da Fluo, chamado de SMG (Smart Motor Generator), substitui ao mesmo tempo alternador e motor de arranque e é conectado diretamente ao virabrequim. Ao ligar a scooter, inclusive no despertar do sistema Start & Stop, o SMG aciona diretamente o motor, sem passar por nenhum tipo de embreagem. Nas arrancadas e em subidas que exigem do motor, até aproximadamente 20 km/h e por 3 segundos, ele é capaz de incrementar até 10% no torque.

Nessas situações, a potência útil também é aumentada nesta mesma proporção. E mesmo que não apareça na ficha técnica, o SMG poupa o trabalho do motor a combustão, o que se reverte em economia de combustível. Também com foco na economia, o modelo traz sistema start/stop.

A Fluo tem chassi do tipo Underbone e mede 1,88 m de comprimento, 0,69 m de largura e 1,12 m de altura, com distância entre-eixos de 1,28 m. A altura mínima do solo é de 13,5 cm e a altura do assento de 78 cm. O peso em ordem de marcha da scooter, ou seja, com todos os fluidos e pronta para rodar, é de 104 quilos - ou cerca de 2 kg a mais que antes da adoção do sistema híbrido.

A outra novidade relevante é o aplicativo Y-Connect, que cria uma comunicação entre o modelo e um smartphone. O painel digital do modelo passa a exibir alertas de chamadas recebidas e nível de bateria do celular. Já pelo celular é possível localizar a scooter, acompanhar o estado da bateria e a data de troca de óleo, alerta de falhas, gráficos de consumo e até registro de rotas percorridas. Ou seja: a Fluo é um modelo tecnológico sem uma tela inteligente dedicada - o smartphone é quem faz essa função.

No mais, o modelo manteve quase todas as antigas características. O tanque de combustível tem 4,2 litros de capacidade, com bocal na parte interna do escudo frontal, o que permite o abastecimento sem ter de bascular o assento. Sob o banco, há um porta-objeto com capacidade para 25 litros. E esse é um ponto fraco do modelo, pois só acomoda capacetes abertos e pouco volumosos. E isso não foi corrigido, mesmo que a fabricante tenha modificado o assento nesta atualização.

As rodas da Fluo são pequenas, de 12 polegadas na frente e atrás, mas traz pneus especialmente encorpados, que ajudam até a filtrar as irregularidades do solo. A medida na frente é de 100/90 e na traseira é 110/90, calçando rodas de liga leve. A suspensão dianteira do modelo é do tipo garfo telescópico e tem curso de 90 mm, enquanto na balança traseira o curso da suspensão é de 88 mm.

Impressões ao pilotar

Lei da compensação

Na Fluo, a Yamaha responde a uma perda imposta pelas normas de emissões com um sistema híbrido leve. E mesmo que a ficha técnica acuse uma perda acima de 10% na potência - de 9,5 para 8,3 cv, isso não é notável para quem conduz. Primeiro porque não houve perda de torque. E depois porque a assistência elétrica compensa o estrangulamento do motor em momentos críticos, como em arrancadas ou em situações que exijam muito do propulsor, como em uma subida íngreme.

Outra mudança relevante foi no visual. O farol em LED traz um DRL que contorna a parte superior do conjunto ótico em forma de bumerangue, que foi alongado e ganhou parte da lente na cor azul. As carenagens foram redesenhadas, com linhas mais marcadas. Na traseira, a lanterna também foi remodelada e agora é envolvida pela rabeta.

A configuração com piso plano à frente do piloto tem ganhado espaço no mercado, principalmente por conta das mulheres - a área disponível, inclusive, é mais indicada para pés menores. Os materiais, os acabamentos e as composições são agradáveis e aparentam boa qualidade. Em marcha, a Fluo agrada. O motor gira com uma suavidade impressionante e o sistema start/stop atua de forma absolutamente discreta.

O baixo peso do modelo ajuda nas arrancadas e retomadas, ainda mais agora, com assistência elétrica. Ela ganha velocidade com facilidade, mas não apresenta um comportamento agressivo. A ergonomia gerada pela altura do guidão e do banco permite uma posição de condução relaxada e agradável. O centro de gravidade baixo dá agilidade ao modelo nas mudanças de direção. Por outro lado, as rodas pequenas, com 12 polegadas, não são muito indicadas para pisos irregulares e mesmo com pneus largos e de perfil alto, não conseguem filtrar muito bem as irregularidades e os desníveis.

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