
A China iniciou uma nova fase na regulação do mercado de veículos elétricos ao estabelecer normas técnicas nacionais obrigatórias de eficiência energética, que passam a impor limites ao consumo de energia dos modelos vendidos no país. Diferentemente de uma lei aprovada pelo parlamento, a medida faz parte do sistema chinês de padronização técnica industrial, com aplicação direta sobre a homologação dos veículos.
As regras integram os chamados padrões nacionais “GB”(Guobiao), emitidos por órgãos reguladores ligados ao Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China. Elas definem parâmetros máximos de consumo, medidos em quilowatt-hora a cada 100 quilômetros rodados, e começam a valer de forma escalonada a partir de 2026.
Consumo vira critério técnico obrigatório
Até agora, dados de consumo energético tinham caráter majoritariamente informativo. Com as novas normas, a eficiência passa a ter peso regulatório, influenciando diretamente a liberação de novos modelos para venda no maior mercado de elétricos do mundo.
Na prática, veículos que apresentarem consumo elevado podem enfrentar restrições na homologação ou perder competitividade diante de concorrentes mais eficientes.
Fim da lógica de compensar tudo com baterias maiores
O avanço rápido dos elétricos na China foi marcado por baterias cada vez maiores, mais potência e números agressivos de desempenho. O efeito colateral foi o aumento do consumo médio, especialmente em SUVs e modelos mais pesados.
Com a entrada das normas obrigatórias, fabricantes passam a ser pressionados a buscar eficiência estrutural, com soluções como redução de peso, melhor aerodinâmica, calibração mais precisa dos motores elétricos e softwares de gestão energética mais eficientes.
Implementação gradual e adaptação da indústria
As regras não entram em vigor de uma só vez. O cronograma prevê aplicação progressiva, permitindo que modelos já em produção tenham um período de adaptação, enquanto projetos novos precisam atender aos limites desde a fase de homologação.