
Trocar a bateria de um carro elétrico pode se tornar mais barato do que consertar falhas graves em motores a combustão. A projeção é de um estudo da Recurrent, empresa especializada em dados de veículos elétricos, que estima que o custo médio da substituição fique entre 3.200 e 4.800 euros em um prazo de até cinco anos.
Segundo a empresa, esse valor tende a ser inferior ao custo de reparos complexos em motores a combustão modernos, como retífica completa, troca de cabeçote ou danos estruturais provocados por superaquecimento, que hoje superam com facilidade essa faixa em mercados desenvolvidos.
Quem produziu o estudo
A Recurrent é uma empresa norte-americana que monitora dados reais de uso de carros elétricos, analisando degradação de bateria, autonomia e comportamento ao longo do tempo. A companhia trabalha com base própria de dados coletados diretamente de veículos em circulação, e não com simulações teóricas.
A empresa recebeu investimentos de fundos ligados ao Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimento do mundo, o que a posiciona como uma referência no ecossistema de dados sobre mobilidade elétrica, embora o estudo não tenha caráter acadêmico nem revisão por pares.
O que sustenta a projeção
A queda no custo da substituição das baterias está ligada a três fatores principais. O primeiro é a redução contínua do custo por quilowatt-hora, que caiu de forma consistente na última década. O segundo é a adoção crescente de baterias com químicas mais baratas, como as do tipo LFP.
O terceiro ponto é a mudança na arquitetura dos veículos elétricos, que passa a permitir, em alguns casos, a troca de módulos específicos da bateria, e não mais do conjunto completo, reduzindo o valor final do serviço.
O estudo faz uma comparação direta com a realidade atual dos motores a combustão, especialmente os mais recentes. A combinação de turbo, injeção direta, maior carga térmica e eletrônica embarcada elevou o custo e a complexidade dos reparos.
Em mercados como Europa e Estados Unidos, consertos graves em motores a combustão frequentemente ultrapassam 5.000 euros, valor que tende a crescer conforme o nível de dano e o tipo de veículo.
Recorte do estudo
A Recurrent deixa claro que a projeção se aplica principalmente a mercados maduros, como Europa, Estados Unidos e China, onde há escala industrial, cadeia de suprimentos estruturada e maior oferta de serviços especializados.
O estudo não reflete, necessariamente, a realidade de mercados como o brasileiro, onde impostos, logística e a não produção local deste tipo de componente mantêm o custo da troca de baterias em patamar elevado.